sexta-feira, 27 de março de 2015

PT: os bons deixam o barco... o que restará?

Paulo Paim:  "Decidi que entre votar contra o 
trabalhador e o aposentado, prefiro voltar para casa"
Tem gente jurando que a lógica no PT é oposta à da navegação. 

No mar, quando há iminência de tempestade, dizem que os ratos são os primeiros a abandonar o barco; no partido governista, neste momento difícil parece que a coisa corre no sentido oposto... 

Clique na imagem para ler matéria do jornal carioca O Globo sobre a divergência que claramente há entre alguns membros históricos do Partido dos Trabalhadores e a turma que loteou o poder e parece mais ocupada em mantê-lo do que em governar - e Paulo Paim parece ser um dos mais antigos e melhores nomes do partido. Se sair, o PT perde mais ainda a sua identidade, já tão avariada. 

E, para refletir, trecho de texto de Thiago Bagatin, presidente do Sindicato dos Psicólogos no Paraná, sobre a responsabilidade do Partido dos Trabalhadores no fortalecimento do mesquinho "pensamento" (será mesmo pensamento?) que leva alguns cidadãos a implorar pela intervenção militar e propor pautas políticas fundadas na intolerância e discriminação:
Tá certo que a repulsa ao PT tem várias origens. Uns são contra por causa da corrupção, outros porque não concordam com o bolsa família, alguns porque a bandeira é vermelha, tem aqueles também que são contra a retirada de direitos dos trabalhadores, há ainda os que se sentiram enganados ao acreditar na grande transformação proposta pelo PT dos anos 80. Motivo para ser contra o PT é o que não falta. O fato é que o projeto de poder, construído por 30 anos pelo Partido dos Trabalhadores, foi fortemente abalado no último dia 15 de março.
Um projeto que, em sua origem, vendeu o sonho da transformação a milhões de brasileiros. Quem não se arrepia ao assistir os vídeos do debate eleitoral de 1989? Ver Lula dizer que combateria a especulação financeira, que enfrentaria a corrupção, os barões da política e do capital internacional é, sem dúvida, motivador para muita gente. O problema é que, segundo as próprias palavras de Lula, isso é passado. Para ele, seria normal ser de esquerda na juventude e de direita na idade adulta.
Nas eleições seguintes, em 1994, o PT passou a receber dinheiro de bancos internacionais para financiar suas campanhas eleitorais. Não demorou muito para que o partido se adaptasse à lógica eleitoral. Dali em diante as campanhas foram construídas na base da maquiagem, do dinheiro, da moderação e dos acordos com partidos da direita tradicional. A busca desenfreada pelo poder fez com que muitos militantes orgânicos, forjados em sindicatos, movimentos populares e na luta pela transformação social, rapidamente se afinaram com o grande capital.
(...)
Além das denúncias de corrupção e de operar a retirada de direitos dos trabalhadores, o PT será conhecido como o partido que enfraqueceu a esquerda e, por conseguinte, fortaleceu a direita ultraconservadora. Na medida em que representantes de sindicatos e movimentos sociais de esquerda largaram as ruas para ocupar gabinetes, estas passaram a ser ocupadas por movimentos conservadores.

Para quem militou nas ruas durante a ditadura, o governo petista é uma decepção quase completa. Fica a sensação de traição e o espírito de que, por todo o tempo, lidamos com malandros aspirantes a novos ricos. 

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