sexta-feira, 27 de março de 2015

Diálogo entre Caco Barcellos e Eliane Cantanhêde é parte de um interessante debate sobre o jornalismo

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Interessante debate sobre o jornalismo na rápida conversa entre Caco Barcellos e Eliane Cantanhêde em programa da Globo News, em 2011. Segundo informações, o trecho não foi ao ar. 

São duas posições, dois focos. Na conversa em questão, não se pode dizer que um tenha se sobressaído em relação ao outro, mas vale pela demarcação de territórios, que ficou nítida e foi bem defendida pelos dois lados. 

Barcelos fala de um determinado "jornalismo declaratório", ou seja, o jornalismo que se baseia não em informações comprovadas, apuradas, isto é, em fatos, mas em declarações feitas por determinadas fontes. Isso, como ele mesmo diz, acontece o tempo todo (mas não apenas na Folha, na Globo ou na Veja, podemos certamente dizer). 

Pela edição deste vídeo, o tal "jornalismo declaratório" parece ser coisa de Cantanhêde, ou do veículo que a emprega ou de um determinado "tipo de mídia", a "mídia venal", conforme alguns (que se juram não venais) chamam. É como se isso fosse um desprivilégio apenas dos órgãos identificados como "grande imprensa", que o pessoal que se diz "de esquerda" acusa de ser "de direita" (este Brasil e suas formas pouco criativas de dialogar é algo digno de nota - boa parte do debate se faz em termos exóticos e sem efetivamente indicar ser um diálogo). 

No debate, Eliane Cantanhêde consegue sair da teia ao citar um caso bem apurado, tudo indica e Barcellos parece ter sentido o golpe, pois tudo indica que menosprezou a oponente e tentou, apesar da boa resposta da jornalista, dar uma volta para se sair bem - e tem razão quando levanta a questão da irresponsabilidade de certas matérias e manchetes jornalísticas. A edição deste vídeo, porém, tenta tirar o mérito de Cantanhêde e é claramente tendenciosa no sentido de uma certa "crítica acrítica" a Cantanhêde e, para isso, chega a mostrar a repórter na cobertura de uma convenção do PSDB, ressaltando a sua boa vontade com os tucanos (e suposta má vontade com os petistas, imagino). 

Essa é uma crítica partidarizada, característica do pobre debate político que tem se travado no país, dividido entre supostos defensores da população e dos trabalhadores e supostos amigos dos ricos e dos banqueiros. Ora, pelas estatísticas, ambos são muito amigos dos mais aquinhoados e mesmo o Pai dos Pobres II, Lula, quadruplicou a dívida pública, comprometendo a economia do país e, consequentemente, a vida dos mais necessitados. 

Por isso, creio adequado chamar a estes últimos 20 anos de "Período PTucano", graças à similitude essencial da prática política desses dois grupos. 

Na prática, não houve distribuição de renda, nem no governo tucano, nem no petista. Basta fazer as contas e comparar o que foi destinado aos marajás e mandarins do mundo empresarial e político (veja-se os montantes das propinas na Petrobras e o volume de dinheiro literalmente rasgado para destinação ao pagamento da Dívida Pública). Até os programas sociais os unem, pois foi FHC e sua companheira Ruth que os criaram.

De todo modo, o tema em questão nos curtos seis minutos de vídeo é instigante e dá panos para discussão entre jornalistas. 

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