sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sobre as causas e sentidos do adoecimento


Na alimentação, os maiores perigos
Interessante trecho do texto “Humanização na Saúde e Cidadania: o Caminho para o SUS”, de Maria Beatriz Kunkel (Conselho Estadual de Saúde/RS; Conselho Regional de Saúde da 6ª Região de Saúde do RS) e de Alcindo Antônio Ferla (do Grupo Hospitalar Conceição): 
Os profissionais de saúde costumam “enganar” os doentes não somente sobre a gravidade da sua doença e sobre os procedimentos realizados. Enganam também quando não informam sobre as causas das doenças e dos sintomas que as pessoas apresentam. Nós sabemos que o uso de defensivos agrícolas causam problemas de saúde: problemas de pele, problemas renais, malformações congênitas. Os agricultores são orientados a se proteger com capas, luvas e máscaras quando usam defensivos agrícolas na lavoura. Mas, e os efeitos que esses defensivos causam por meio das frutas, legumes, verduras e outros produtos “tratados” que consumimos?
Quando um doente procura o médico com feridas na pele, recebe antibióticos e outros remédios para tratar a infecção. Depois de receber o remédio, volta para o local onde vive ou consome novamente os produtos que lhe causaram a reação. Sofre novos problemas, recebe outros remédios. Para humanizar o atendimento, também é preciso aprender sobre os danos que agrotóxicos, defensivos e outros produtos utilizados na agricultura causam à saúde e por que devem ser evitados. Os profissionais devem aprender esses efeitos e “desenganar” os doentes, que também são enganados sobre isso pelas propagandas desses produtos nos jornais, revistas e na televisão e pelo efeito aparente que eles têm sobre a produção, deixando-a maior, mais colorida e resistente. Precisam preocupar-se também com as questões que vêm destruindo o meio ambiente. De pouco adianta tratar infecções na pele das crianças, quando a causa desses problemas é o esgoto a céu aberto que passa pelo lado da sua casa e onde elas brincam antes de ir para a escola. As pessoas precisam ser informadas que o lixo e o esgoto causam problemas para a sua saúde e que têm direito de viver em situações em que esses problemas estejam resolvidos pela prefeitura e por outros órgãos do governo. Senão o que acontece é que ela é “enganada”, que o que tem é uma infecção na pele e que, para resolver, basta usar os remédios que o médico prescreveu.
Muitos médicos não tratam a pessoa doente, mas uma entidade imaginária chamada "doença". Isso significa que esses "profissionais" enxergam o doente fora de todo e qualquer contexto real, tomando em conta apenas a realidade imaginária dos tratados médicos. Confundem a representação da coisa com a coisa e reforçam a doença ao invés de produzir saúde. 

Texto disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/CadernoVER_SUS.pdf.  

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