sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Se o diabo tiver rabo e chifres, não é o diabo

Há petistas que não fazem outra coisa além de dar porrada no PSDB. Com toda sinceridade, não sei se é alguma estratégia engenhosa cuja lógica não tenho capacidade para captar, mas parece que quem realmente ameaça o PT no governo é o PMDB.

Acho que a pancada no PSDB já é regimental, algo como se benzer diante da imagem do diabo (com rabo e chifres, é claro). Só que é o tipo do ato obsessivo compulsivo: não leva a nada a não ser a um alívio mágico de um incômodo virtual, não exatamente real.

Na prática, PT e PSDB governaram do mesmo modo, com valores bastante semelhantes e práticas quase indistinguíveis, e tudo indica que se usam mutuamente em um curioso ritual de purificação: a fantasia do capeta rabudo e chifrudo é posta ora num, ora n’outro, conforme a vez de quem vitupera. Parece um suposto casal, no qual os cônjuges não se suportam, mas não sabem viver um sem o outro. 

Assim, entre tapas e beijos (tapas públicos, beijos secretos), a política brasileira se afunda nessa polaridade falseada e doentia. 

Enquanto eles se amam cheios de ódio e se odeiam com tanto amor, o PMDB de Temer e Cunha (não exatamente unido em torno dos dois ou de qualquer um dos dois) vai comendo o governo pelas beiradas, com insuspeita mestria.

Fica a lição: toda vez que você vir o diabo, repare se tem rabo e chifres; se tiver, não é o diabo, mas a imagem na qual Belzebu (o diabo tem inúmeros nomes) quer que você acredite ser a dele. Enquanto você admira a caricatura diabólica, o tal faz o que bem entende protegido pela sombra. 

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