quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Quanto o governo pode cortar da própria carne no caso Petrobras?

Da esquerda para direita: Senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR); Senador
Lindbergh Farias (PT/RJ); Senador Humberto Costa (PT/PE); doleiro
Alberto Yousseff; ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa e
André Vargas, coordenador de campanha de Gleisi (Reprodução de
quadro publicado em um portal de notícias (clique para link)
Diversos portais de notícias publicaram, ontem e hoje, informação de que o doleiro Alberto Youssef garantiu que doou R$ 1 milhão para a campanha de Gleisi Hoffmann ao Senado, em 2010, reafirmando o que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras já havia dito. Esse dinheiro, segundo ambos, veio do "esquema" montado com contratos superfaturados e teria sido solicitado pelo marido da senadora, Paulo Bernardo, que é ministro desde 2005. Gleisi, além de ser senadora, foi ministra chefe da Casa Civil durante praticamente todo o governo de Dilma Rousseff. 

Ela nega e diz que nunca viu o doleiro na vida, o que pode ser verdade (nunca o ter visto), mas não significa nada ou quase nada. O fato é que ambos, Gleisi e Bernardo, dizem não conhecer Youssef, o que é bastante difícil, mas não impossível. Outro petista, que inúmeras fontes informam ser amigo próximo do casal, Andre Vargas (alguém me informa que ele foi coordenador de campanha de Gleisi!), se enrolou todo e perdeu o mandato por conta de relações com o mesmo doleiro. 

Youssef contou que entregou a quantia a um empresário, dono de um shopping em Curitiba, em quatro parcelas. Segundo os portais, Bernardo afirma conhecer o tal empresário, mas não o doleiro. 

Há muita gente esperando ansiosamente o resultado do inquérito policial que apura o esquema e há mais gente ainda, praticamente toda a Nação, contando que o governo agirá com rigor contra membros que tenham participado do esquema. Se não for assim, a presidenta eleita pode se complicar daí para a frente. 

O dilema de Dilma: fingir que não viu ou cortar a própria carne?
O esquema da Petrobras parece vir de longa data, mas foi descoberto recentemente, por conta, tudo indica, de uma operação da Polícia Federal. Se nada acontecer, se os "graúdos" que integravam o esquema não forem apontados, processados e, se for o caso, cassados e execrados da vida pública, Dilma e seu governo perdem definitivamente a credibilidade. 

De certo modo, o governo depende de seu próprio posicionamento no caso para obter sucesso, ou pelo menos relativa tranquilidade, nos próximos quatro anos. Dilma e sua turma precisam calar a boca dos que já pedem o impeachment. Se não fizerem isso, a chapa, que já está mais quente do que o necessário, vai certamente fritá-los. 

O problema, garantem algumas fontes, é que o câncer do chamado "petrolão" parece ter metástases profundas envolvendo o grupo que ocupa o poder federal. Para "cortar a própria carne", possivelmente o governo sangraria mais do que o esperado. O aparecimento do casal Bernardo/Gleisi na boca dos delatores é um mau sinal. Péssimo, aliás. 

Torçamos para que tudo termine melhor do que se espera, com reforços para os conceitos de probidade, ética e justiça. Do contrário... 

PS: Agora, cá para nós, há muita especulação e poucos fatos comprovados tornados públicos no caso. Como o processo corre em segredo, a ansiedade é grande e a preocupação com a manipulação do curso da justiça existe em muitos. 

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