quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Inteligência bovina domina campanha eleitoral e resultado é o mesmo há 25 anos

A maior constatação obtida nesta campanha eleitoral, em conversas, pela mídia, nas postagens, debates, comentários etc. é que, olhando de um lado e de outro, a imbecilidade e a estupidez foram para o segundo turno e ganham adeptos a cada dia. 

As "candidaturas" derrotadas foram as do bom senso e a da inteligência e mesmo uma certa decência intelectual, que deveria estar contida em qualquer argumento político, apanhou de ambas as torcidas. 

Aliás, foi comum encontrar quem confundisse política com futebol e, assim, tratasse temas que mereceriam tratos à bola, em um sentido figurado, como se fossem reais cruzamentos na área adversária, com chutes e pontapés concretos, cabeceios, ofensas reais a juízes imaginários e comemorações de gol, festejado não exatamente pelo tento em si, mas porque foi marcado em posição irregular. 

Em muitos desses lances, para o(a) militante idólatra o que contou mesmo foi enganar o adversário, o juiz e a si mesmo(a), como se a sua própria vida fosse um jogo condenado a terminar sempre com o placar de 0 a 0 (exceção quando decidido por alguma malandragem).

Em alguns casos, isso aconteceu por conta de um surto motivado pela velha, arrogante e esperada psicose característica das paixões fascistas; em outros, pela clara posse de uma burrice nata e hereditária. 

O fato é que a autoridade intelectual, política e ética de tantos conhecidos foi atropelada pela insensatez da paixão cega ou do interesse voltado para o próprio umbigo. 

Fica a noção de que alguns (algumas) pensam na política a cada quatro anos e a maioria pensa que pensa na política de quatro em quatro anos. A idolatria com a qual se trata o tema parece confirmar Georges Bernanos, autor do romance "Sob o Sol de Satã": O pobre prefere um copo de vinho a um pão, porque o estômago da miséria necessita mais de ilusões que de alimento.

O pobre citado é, principalmente, o de espírito, é claro. 

E sobre o maniqueísmo, disse Eliphas Levi: A demência logo se muda em frenesi (...) No círculo da sua ação, todo verbo cria o que afirma, com todas as consequências, diga-se. 

Claro que há exceções a isso, sempre há. Mas, o rebanho é numeroso e, conforme as regras da cultura das massas, a quantidade tenta, obsessivamente, eclipsar a qualidade. 

Cabe apenas lamentar e desejar sorte a todos nós, que vemos um modelo político e econômico iniciado por Collor de Mello há 25 anos vencer mais uma, seja qual for o partido escolhido. 

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