segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Marina desponta como favorita e anima eleição

Marina: de vice de Campos, um político
pouco conhecido, a candidata que desponta para a vitória
Os destroços do avião de Eduardo Campos ainda fumegavam quando eu disse a algumas pessoas próximas: “A faixa presidencial caiu repentinamente do céu e encaixou em Marina”. Uma dessas pessoas ponderou: “Ainda é cedo, ainda é cedo”. Sim, certamente era cedo, mas o sinistro ocorrido com o candidato Campos, do qual Marina era vice, prenunciava o que estava por vir: a ascensão quase irresistível de Marina na corrida presidencial. 

Dizem por aí que os tucanos já estão em clima de velório e a candidatura de Aécio Neves está deitada, de dedos entrelaçados, aguardando apenas o momento do juízo final. O pessoal do PT, por sua vez, tem esperanças e promete se lançar ferrenhamente à luta, mas tudo indica que também não estão muito animados. A esperança de alguns é que Lula aceite concorrer, mas corre à boca pequena que mesmo Lula teria sérias dificuldades para encarar Marina. A moça está surfando na onda eleitoral com tanta força que o desânimo é grande entre os concorrentes. 

Rejeição alta para Dilma

O pessoal petista tem um motivo extra para desanimar: segundo os entendidos, Dilma terá, no máximo, 40% dos votos válidos, o que significa que será muito difícil a reeleição da senhora presidenta. Com uma concorrente como Marina, então, é muito improvável. Dilma tem rejeição alta, algo em torno de 35% ou mais, quem sabe 40%. Ela e o PT, diga-se. Também, a senhora presidenta é mau humorada e transmite isso a quem a ouve. O partido também tem sua dose de responsabilidade na rejeição. Está há 12 anos no poder e ganhou muitos inimigos durante esse tempo. 

Dizem que Marina representa os anseios do pessoal que foi para as ruas em junho de 2013. É possível. Mas, creio que Marina tem como trunfo o fato de não ser nem PT, nem PSDB, pois o pessoal anda ressabiado por ter apenas a opção bipartidária. Esse bipartidarismo tosco gera, via-de-regra, um debate mais adequado a estádios de futebol e bares do que a palanques e debates políticos e costuma afastar o eleitor que não carrega bandeiras. Os militantes se assanham, mas o cidadão comum se entedia com as ofensas e xingamentos frequentes no embate PT X PSDB. Na prática, parece briga de compadre e a impressão que se tem é que ganhe um ou outro, nada mudará na essência. 

Com a presença da “terceira via” personificada em Marina, há uma perspectiva de mudança, ainda que seja bem possível que isso acabe, como em outras vezes, em decepção. 

Quadro favorável para Marina

Um ponto positivo para Marina é o fato de que foi do PT e saiu de lá atirando, discordando da política praticada pelo partido. Ganha pontos entre o pessoal que acreditou no PT, mas se transformou em crítico mordaz durante os últimos 12 anos. Assim como essas pessoas, Marina também não gosta mais do PT e quer ver o partido longe do poder. Isso facilita a identificação de um bom número de eleitores com ela. 

Nada está decidido, é claro, mas, ao observar a conjuntura, se vê de forma mais ou menos nítida que Dilma e Aécio terão muita dificuldade para reverter o quadro. Deve dar Marina, que certamente terá muitas dificuldades para governar por conta do poder petista acumulado nestes últimos anos e, é claro, também por conta da oposição tucana. Esse é talvez o maior desafio que terá. Com certeza, a maior dificuldade que se apresenta neste momento. Porque a eleição, embora ainda não definida, parece sorrir para a acreana e já não parece tão morna ou definida quanto parecia antes. 

Há gente ganhando entusiasmo com a candidatura da moça e, mesmo que se considere que todo entusiasmo arrefece em determinado momento, não sei se será suficiente para mudar o quadro que vai se formando e que é francamente favorável a Marina e desfavorável a Dilma. 

Já Aécio não parece ter mais chances. Parece fora, definitivamente, da disputa. 

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