quinta-feira, 3 de julho de 2014

Direitos e direitos

Há uma questão muito oportuna a ser debatida em nosso tempo, a dos “direitos”. Você já deve ter notado de que muito se fala em “direitos” hoje em dia. Muito, até quase demais. Então, cabe pensar um pouco sobre isso. 

O tema dos “direitos humanos” é controverso e tem gerado manifestações favoráveis e contrárias, sendo que quem se manifesta favoravelmente o faz usualmente com tom humanista e não é raro descobrir que muitos destes “advogados” consideram mesmo que todos somos iguais diante da lei, embora a realidade lhes mostre exatamente o oposto disso. Provavelmente a força da crença nos direitos humanos vem exatamente da tentativa de provar que a realidade está errada. 

Quem se manifesta contrariamente não raro acusa os defensores desses direitos como promotores da desumanidade. Dizem que a conversa dos direitos humanos serve mesmo é para dar boa vida a bandidos, quando as vítimas destes não tiveram esses direitos. Em casos em que os argumentos são postos nesse nível é melhor não discutir muito. Simplesmente, porque não adianta. 

Discriminar não se pode...

Mas, pondo à parte as polêmicas mesquinhas e pontuais, há um ponto cego em toda essa discussão acerca de direitos. Ponto cego que, como se pode imaginar, une a todos em um engodo. 

O caso é que, quando se fala em direitos civis e políticos (incluindo aí, em algum lugar, os direitos humanos), a gritaria contra a discriminação é geral e irrestrita. Há uma condenação sisuda, resoluta e absoluta contra qualquer ato discriminatório. Os cenhos franzem, os olhos arregalam e a indignação fica estampada na face de qualquer um quando se depara com um caso, simples ou complexo, de discriminação, ou seja, de uma atitude adversa de alguém baseada em alguma característica específica de outrem. 

Em resumo, ninguém pode ser discriminado por causa da sua raça, do seu gênero, orientação sexual, nacionalidade, religião, situação social etc. Não se discute. Já no caso das discriminações por conta de salário, renda e situação econômica, há uma tolerância absoluta. E aí é que não se discute mesmo. 

... mas, em alguns casos, é natural...

Se você for negro, não pode ser discriminado; mas, se for negro pobre (o que não é raro no Brasil e no mundo), pode, não por ser negro, mas por ser pobre. Se for mulher, não pode, em hipótese alguma, sofrer qualquer tipo de diferenciação negativa por isso; mas se for mulher e pobre, aí já se abrem exceções. Se for homossexual, ocorre o mesmo, assim como se for católico, umbandista ou evangélico. Ou seja, se for bem de vida, é gay, “homo”, transexual, “assumido” etc., tudo sendo uma questão de opção; mas, se for pobre, é veado mesmo, bicha, biba, mona, pederasta, sapata, safado(a) e/ou sem vergonha. 

Parece claro que há direitos e direitos e nem todos parecem ter os mesmos direitos. 

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