quarta-feira, 2 de julho de 2014

Cenário paranaense prenuncia mais uma eleição para Requião

Requião, que já governou o Paraná três vezes, deve voltar para o quarto mandato
Observadores com faro político afirmam que, no Paraná, a eleição ruma para o retorno de Requião ao governo. Dizem que, ao perder a convenção do PMDB e, assim, o apoio do partido, o atual governador, Beto Richa, perdeu a eleição. E justamente para Requião, indicado na tal convenção como candidato ao governo. 

A base racional da afirmação não está exatamente na perda do apoio do PMDB, mas na elevação de Requião a candidato. Como aliado, o partido garantiria basicamente algum tempo de televisão, mas, fundamentalmente, seria valioso ao ficar calado, ao não fazer críticas e nem falar sobre a sofrível administração de Richa nos últimos quatro anos (difícil encontrar alguém que fale bem). Seria uma pedra a menos no caminho, é certo. 

Já Requião é candidato forte e o fato de ter vencido sete das oito eleições que disputou, sendo quatro para governador, com três vitórias, já parece suficiente para falar sobre a eficiência do político paranaense. E, mais: fala a seu favor o fato de seus governos terem sido caracterizados por investimentos na melhoria da qualidade de vida da população em geral, sem os privilégios características dos governos de Lerner e de Richa, que mais foram balcões de negócios do que propriamente governos. Lerner, por exemplo, graças a detalhes de sua lamentável atuação no posto de governador, foi inclusive condenado à prisão. No entanto, parece cumprir pena em liberdade. 


O casal Gleisi/Bernardo com sua maior cabo eleitoral
Os progressistas mais conservadores do PT

Richa está com as barbas de molho porque tem em Requião um adversário muito mais consistente e forte do que Gleisi Hoffmann, candidata do partido que ocupa o Governo Federal. A moça não é assim tão forte no discurso e menos ainda no curriculum. Coleciona vitórias nos últimos pleitos e ainda tem quatro anos de mandato no Senado Federal, mas, dizem as más línguas, seu sucesso está intimamente ligado ao patrocínio do marido, que ocupa cargos nos altos escalões do Governo Federal e, dizem as piores línguas, conseguiu fazer muitos “amigos” durante esse período, “amigos” que lhe garantem sempre boas verbas para campanhas. 

O casal, aliás, parece compor a ala mais conservadora do PT governista. Conservadores, diga-se, não por defender ideias antigas e retrógradas. Isso, de maneira alguma: eles são até bem “moderninhos” nas falas, podem ser mesmo classificados como progressistas de nobres ideais. Mas, como há distância entre intenção e ato, a práxis de ambos vai no sentido de conservar privilégios e promover os “aliados” que lhes financiarão a campanha e a vida em geral. 

Um assessor parlamentar de um deputado estadual me contou, no calor da eleição de 2010, que Gleisi, (que foi ministra de Dilma Rousseff, posteriormente, assim como o maridão), já chegava no interior do estado, durante aquela eleição, com o status de “esposa do ministro do Planejamento”. Não que ela precisasse dizer isso, é claro. Há coisas que não precisam ser ditas e os políticos costumam ter quem fale abertamente por eles essas coisas que não precisam ser ditas. Afinal, para que servem os assessores? 


Richa perdeu o apoio do PMDB e ganhou,
com Requião, o adversário que tentava evitar
Enfrentar Gleisi, assim, não é exatamente o sonho de Richa, mas também não parece se constituir num pesadelo. Enfrentar Requião, porém, certamente está tirando o sono do atual governador. 

Fortes emoções

No entanto, o jogo não está decidido. Requião enfrentará as máquinas dos governos estadual e federal e todos sabemos que esses times têm se mostrado bons mesmo é na "politicagem", ou seja, entendem a política como forma de atender interesses pessoais, não como forma de servir à sociedade. Como Requião não joga nesse time, muito pelo contrário, certamente está aí sua maior força. A maior parte dos educadores de escolas estaduais, bem como os policiais e outros servidores, estão, por saber disso, se posicionando ao lado de Requião. Afinal, servidor público quer servir ao público, não aos “aspones” de plantão. 


Bernardo Pilotto concorre pelo PSOL
De todo modo, se prenunciam fortes emoções. 

Correndo por fora, PSOL pensa no futuro

Há outras candidaturas e parece adequado destacar a de Bernardo Pilotto, um militante do PSOL que vai para o palanque mais para promover uma ampla discussão política, tornando, assim, públicas as propostas de seu partido, do que para vencer a eleição. Observe-se que, pelo que conheci dos candidatos “nanicos” de eleições passadas, a candidatura de Bernardo parece mais sólida: tem mais desenvoltura na exposição de ideias e, assim, pode ser mais convincente e confiável para o eleitor. O tempo de TV, muito pequeno, é uma barreira, mas, se o candidato do PSOL conseguir elevar o debate que Richa e Gleisi (já apelidados de Ken e Barbie por Requião) tentarão rebaixar constantemente e se conseguir sensibilizar uma parcela do eleitorado, já terá ganho a eleição, proporcionalmente, é claro. O maior ganho pode vir do futuro, nesse caso. 

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