sexta-feira, 23 de maio de 2014

Amigo secreto diz que reeleição não é bom negócio para PT

Tenho alguns amigos secretos. Não daqueles que presenteiam e são presenteados nas festas natalinas, que no Rio se chamam “amigos ocultos”. Não. 

São amigos que me contam coisas e que fazem algumas análises da conjuntura política, com a condição de que suas identidades não sejam reveladas. São as melhores fontes, pois o anonimato garante liberdade de pensamento e língua solta, mas, por outro lado, as faz pouco confiáveis, já que suas versões e análises podem ser mais fantasiosas do que reais ou estarem servindo a interesses também anônimos.

De todo modo, vale a pena saber o que meu amigo secreto me disse. 

Ele me conta que, para a cúpula do PT, a avaliação hegemônica é a de que não vai ser bom negócio a reeleição de Dilma. Segundo esse ponto de vista, tanto economicamente, quanto em termos de revoltas sociais, o bicho vai pegar em 2015 e anos seguintes e o desgaste político será infinito para quem esteja morando no Palácio da Alvorada. Fora do governo, o PT manteria as bases conquistadas e uma boa memória dos tempos de Lula e Dilma. Aí, daqui a quatro anos, ou até mesmo antes (quem sabe?), o PT volta por cima, calando a oposição, para mais doze anos ou mais.  

A culpa pelos problemas que virão, que foram fecundados nos últimos vinte anos, durante os governos de FHC, Lula e Dilma, que foram de continuidade, será posta no governante de plantão. Se for a pobre Dilma, haverá o risco de ela ser deposta, à força, o que representaria um grave problema para todo o partido, que bem pode ser evitado com a entrega do jogo. 

Se o amigo secreto estiver certo, a
estratégia merece o carimbo maquiavélico 
A fonte afirma que a avaliação partiu das estrelas superiores, das hostes lulistas, quem sabe do próprio Lula, e Dilma já estaria, conscientemente, na frigideira. As bases partidárias e a tropa de choque da militância certamente não concordariam com essa tese, mas não contam muito e nem precisam saber do plano, segundo as informações colhidas: "As decisões importantes se dão en petit comité", ele explica. 

Para o amigo secreto, todas as “cagadas” recentes, relacionadas à Petrobras e outros casos menores, são sinais de que essa estratégia está em movimento, a pleno vapor. Outro indício, segundo ele, seria a recusa de Lula aos clamores partidários que imploravam por seu retorno e a “aposta” do petista-mor na reeleição de Dilma. 

“Dilma está já meio naufragada no mar de lama da Petrobras. Chegou ao limite de intenções de voto e só pode cair a partir de agora”, diz a fonte. “Se o Lula quisesse ganhar fácil, com certeza seria candidato. O fato de não querer significa duas coisas: uma, que, no caso, a derrota poderá ser uma grande vitória estratégica; outra, que Dilma vai para o sacrifício, ou seja, será massacrada para preservar o Lula”. 

Pode ser verdade, afinal essa necessidade de preservação do líder já foi constatada no tal do Mensalão, quando o ex-presidente foi blindado pelo partido. Rodou o Dirceu, rodou o Genoíno e agora rodará a Dilma, mas o Lula não pode sofrer sequer um arranhão. 

"Uma jogada maquiavélica, genial", ele diz. Concordo, mas ainda não tenho certeza. Parece muito fantasiosa a versão. De todo modo, vamos ver o que acontece. O fato é que a reeleição não vai ser fácil e que 2015 pode realmente ser um ano difícil. A estrutura econômica do governo não parece sustentável e o desastre pode ser iminente. 

Quem viver, verá. 

Não se iluda, nada mudará com a eleição: governos brasileiros são capatazes do mercado financeiro

Para agradar ao patrão, o capataz taxa.
Se você não paga, o capataz pune.
Observando as contas do governo do Brasil, descobre-se que o país gastará, em 2014, aproximadamente R$ 27 bilhões com o "Bolsa Família" e R$ 1 trilhão com a dívida que o governo (Lula) disse ter sido paga em 2005. Não foi paga, foi renegociada com prejuízo de aproximadamente algo entre 200 e 300%. Em suma: enquanto o governo joga a migalhada ali para o pessoal do porão (ótimo) serve caviar para o pessoal lá da cobertura (péssimo). E quem paga a conta? 

O assalariado em geral e o médio e pequeno empresário estão pagando tudo, o “Bolsa Família” e o “Baú da Felicidade dos banqueiros”. O problema é que esse pessoal costuma ser meio ruim de cabeça e falar muita besteira, não raro se apegando a teses exóticas e não conseguindo identificar bem seus inimigos, os tomando como amigos e até mesmo confiando a eles seus segredos e posses. O mesmo acontece na situação oposta, quando não sabem quem são os amigos e os tratam como inimigos. Uma confusão. Curiosamente, não reclama de pagar o trilhão de juros, mas quica de raiva por pagar os “bolsas” para os mais pobres.

Mas, na realidade, esse pessoal pode reclamar e com razão. Paga o assistencialismo e paga os privilégios, trabalha quase metade do ano só para pagar isso e não recebe praticamente nada em troca. Votará em massa em qualquer opção contra o atual governo e, se este for eleito, apoiará qualquer tipo de golpe. A maioria não entende que nada substancialmente mudará com qualquer mudança de governo e que o problema é que o governo brasileiro é, tradicionalmente, capataz do capital financeiro. 

Para mim, o melhor capataz que os banqueiros conseguiram na história recente do Brasil foi o governo petista, mas há controvérsias. E há quem concorde, mas diga que tivemos "avanços"... 

Brasil não é o que mais taxa, é o que taxa da forma mais injusta

Circula pela internet (vi no Facebook) o seguinte quadro, que tenta atestar que os brasileiros pagam menos impostos do que boa parte do resto do mundo. Há controvérsias em relação ao índice apontado no quadro relativo ao Brasil, assim como devem haver em relação a outros países, também. O principal, porém, é saber que o quadro tenta ser convincente principalmente ao omitir que o Brasil é um dos países nos quais os ricos pagam menos impostos e nos quais os serviços públicos são mais sofríveis. 

O quadro se foca no percentual da carga tributária em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), logo não permite perceber o maior problema da taxação no Brasil: os ricos daqui estão entre os menos taxados do mundo, enquanto os assalariados com renda mais baixa estão entre os mais taxados. 

O quadro omite que a taxação no Brasil está entre as mais injustas do mundo e a concentração de renda aparentemente, que já era alarmante antes, ganhou novos impulsos nos últimos anos. Justamente nos doze anos do governo "dos trabalhadores". 

Em suma, o que o quadro não conta é que a maior parte do arrecadado pelo governo em relação ao PIB vem de quem ganha menos. Matéria publicada pela BBC fala sobre o tema. Se quiser ler, aqui está o link (http://www.bbc.co.uk/.../03/140313_impostos_ricos_ms.shtml), mas há muitas outras por aí (assim como há as que nos tentam convencer que a taxação no Brasil é bem levinha). Se você for arguto (ou arguta) já deve ter percebido o desequilíbrio. Basta olhar a tabela do Imposto de Renda. Basta observar a realidade e perceber que o país é um paraíso para os mais ricos. Isso tudo sem falar que vários países que taxam com força retribuem isso para a sociedade, enquanto no Brasil, nada disso acontece.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Lugar de poesia é na calçada

O Poder Público olha para o umbigo quando há alguma demanda do cidadão. Isso quando não manda a polícia resolver o assunto. Eis um caso exemplar, o da prisão, com algemas e empurrões, do poeta que escreveu no muro ao qual a prefeitura de Curitiba nunca prestou atenção, que fica ali no já meio derrubado Bosque da Casa Gomm. 

O tal bosque foi devastado por interesses privados, mais precisamente dos proprietários de um shopping center - um quasímodo no qual a poesia não entra. Parece que os mesmos proprietários dessa monstruosidade querem acabar com o resto do bosque e da histórica casa que o margeia para fazer, ali, uma rua para que mais consumidores possam passar com seus carros rumo ao templo do consumo. 

Em resumo: nada de bosques, de árvores, flores, grama, abelhas, pássaros, história ou qualquer poesia. Tudo se resume ao dinheiro, ao consumo e à estupidez de quem resume tudo ao dinheiro e ao consumo. 

E assim rasteja a humanidade, em Curitiba, nos arredores e no resto do país. 

Poesia é coisa viva, o Poder Público precisa de sepultamento urgente

Poetas: peçam permissão à prefeitura de suas cidades se quiserem escrever poesia. Ah, mas só que quiserem escrevê-la em um muro, que deveria ser público como o poder público, mas é privado como costuma ser o poder público. 

Se não quiser fazer isso, até porque a atenção que lhe vai ser dispensada será provavelmente nula e a poesia vai ter que esperar os trâmites burocráticos e legais, guarde a poesia para si, ou a escreva num pedaço de papel e o feche numa gaveta. 

Mas, agindo assim, você vai provar que não é um poeta, é apenas um "fazedor" de versos covarde e mesquinho. Poderá vir a ser vereador, deputado, prefeito, governador ou senador. Poderá vir a ser até presidente. Mas, poeta, ah, isso você não é, nem jamais será. 

A poesia não espera, não pode nem deve esperar. Poesia é coisa viva e o Poder Público é inerte e imóvel, salvo quando se aproximam as eleições ou há interesses pessoais em jogo. Poesia é vida, o Poder Público está morto, mas ninguém se dignou a sepultá-lo ainda. 

E segue a poesia de Sergio Sampaio, um ícone imortal da música brasileira e referência, enquanto viveu, da resistência à estupidez do poder que se diz público: 

Para ouvir: http://letras.mus.br/sergio-sampaio/526072/
Cada Lugar Na Sua Coisa
Sérgio Sampaio

Um livro de poesia na gaveta não adianta nada
Lugar de poesia na calçada
Lugar de quadro é na exposição
Lugar de música é no rádio

Ator se vê no palco e na televisão
O peixe é no mar
Lugar de samba enredo é no asfalto
Lugar de samba enredo é no asfalto

Aonde vai o pé arrasta o salto,
Lugar de samba enredo é no asfato
Aonde a pé vai se gasta a sola
Lugar de samba enredo é na escola

A lei e a ordem contra a democracia, a cidadania e a poesia


Parece que o poder público só vai no Parque Gomm para amordaçar e algemar poetas.
Há quem diga que é a primeira vez que a prefeitura da cidade vai ao local falar com os
cidadãos que lutam pela criação do parque. Mas, não foi falar, foi calar.
Cidadãos tentam fazer valer a tal conversa de democracia e cidadania, mas esbarram no Estado totalitário e terrorista. 

Desde 2013, parte da sociedade brasileira anda em pé de guerra. Luta-se, fundamentalmente, para que valha a tal conversa de que o Brasil é uma Nação democrática e que cada um deve se sentir cidadão aqui. Na prática, isso não acontece, é apenas conversa, logo muitas pessoas se tocaram disso e, como por encanto, resolveram tirar a limpo essa história. 

Multidões foram para as ruas reclamar da vida que levam e solicitar (ou exigir) aos governos que façam aquilo que devem fazer em vez de ficar fazendo negócios com fins econômicos ou eleitorais. Parece claro a 99,99% dos brasileiros que sai governo, entra governo, a situação pouco muda, pois a cultura política nacional está entregue a lobistas e patrocinada pelo dinheiro, pelo capital financeiro improdutivo. 


O muro da discórdia com a mensagem que irrita filósofos
e defensores da lei, da ordem e do poder econômico. 
“Político é ladrão” é uma frase ouvida a cada cinco minutos no Brasil há pelo menos vinte e cinco anos, certamente mais. Na época da ditadura, se dizia menos, porque era proibido dizer certas coisas. Mas, o fato é que data de muito tempo a sensação de que a coisa não tá nada boa, mas fazer o quê? E ninguém se mexia. 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

"Realismo socialista" ou aceitação acrítica de uma certa "bandidagem política capitalística"?

FHC (à direita) parece ter ensinado a Lula como funciona a tal "ética específica" do político.
Os governos petistas praticaram o ensinamento de FHC e se construíram com essa tal ética,
que muitos identificam como algo muito próximo da aplicação de uma lógica sociopática.
Recentemente, me surpreendi ao tomar ciência de um argumento que busca defender uma certa lógica política atribuída (pelo próprio autor do argumento) ao grupo que ocupa o Palácio do Planalto. Vou tentar expô-lo da forma mais fiel possível e, parece inevitável, criticá-la em alguns tópicos.

Veja que para alguns defensores do governo, a política não é apenas um jogo, mas ainda um jogo caro, tão caro que pode ser comparado à Fórmula 1, uma realmente dispendiosa modalidade “esportiva” na qual as máquinas superam os homens, que são cada vez mais meros auxiliares operacionais do jogo. O ex-presidente Collor, aliás, teria dito, aí pelo ano de 1991 ou 1992, algum tempo antes de ter seu mandato encerrado por pressão política e popular, que a política seria uma “máquina de moer gente”. É uma boa pincelada para complementar a imagem da política “Fórmula 1”.

Diz o argumento, ainda, que ninguém vence por ser bonito ou por ser honesto, por ter bom coração ou boas intenções. Essa lógica tem sentido, é claro, mas um de seus sentidos é muito arriscado: quem a afirma pode estar, na verdade, dizendo que quanto mais feio, desonesto, maldoso ou mal-intencionado for o sujeito, mais sorte vai ter na política. De modo que dizer isso é quase fazer uma confissão e dirigir essas “acusações” àqueles que supostamente estariam sendo defendidos com a argumentação. 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Os vermes financeiros e as nuvens negras sobre o Planalto

Todos os brasileiros presenciaram a transformação cosmética da ex-ministra Dilma
na presidenta Dilma. Há quem diga, porém, que a cosmética não ficou apenas
no "visual" da líder, mas alcançou as contas públicas e os atos do governo.
Na imagem, Dilma, antes da maquiagem presidencial. As aparências mudam
e geralmente enganam, mas não por muito tempo. 
O Financial Times (FT) é um veículo "bem informado" e o que publica pode expressar o que um determinado grupo avalia sobre economia e política. Um grupo forte, perceba-se. Um grupo que lida com o negócio legal mais lucrativo já inventado: o mercado financeiro. Um grupo que comanda aquilo que Armínio Fraga definiu como "o conjunto de todos os consumidores do mundo", ou algo muito próximo disso, quando era presidente do Banco Central de FHC (ele é o possível futuro ministro da Fazenda, caso os tucanos voltem ao poder com Aécio Neves). O problema é que Fraga não disse que esse tal "conjunto de consumidores" é manipulado por uma casta (1)

O grupo que tem expressão no FT parece descontente com a gestão de Dilma Rousseff. Não exatamente pelo governo estar pondo em prática programas sociais assistencialistas, como a Bolsa Família. A despesa com esses programas é, na prática, pequena em relação ao montante operado - as bolsas custam alguns bilhões, aproximadamente 25, ou, com o anunciado reajuste de 10%, R$ 27 bilhões e trocados. Só para comparar, o dinheiro enviado para banqueiros só em 2014 passará de R$ 1 trilhão. Não dá, assim, para comparar: é covardia. 


Uma possível definição para o Mercado Financeiro: organismo que vive em
associação com outro do qual retira os meios para a sua sobrevivência, normalmente
prejudicando o organismo hospedeiro, um processo conhecido por parasitismo.
Se o organismo hospedeiro morre, o parasita morre também. Logo, todo
parasita precisa cuidar para que o organismo parasitado não sucumba. 
O Mercado Financeiro não é mais que um grande verme

Minha hipótese é que o tal Mercado Financeiro opera como um grande parasita e, como todo verme, precisa que o organismo que o alimenta permaneça vivo e, isso é indispensável, "com saúde". Saúde para oferecer a ele, parasita, é claro. A gestão do PT no campo da Economia parece estar se esgotando e, se produziu um bem-estar em muita gente (merece elogios por isso), o fez de modo não sustentável. Uma economia precisa de combustível próprio para queimar e se movimentar. Esse combustível vem principalmente da produção industrial e tecnológica, mais que da produção de matérias primas, parece óbvio. Mas, os governos de FHC, de Lula e de Dilma, numa sequência, se encarregaram de destruir a capacidade produtiva nacional. 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Roteiro para a abertura das Olimpíadas de 2016, por Mateus Araújo

A "intelectual" Waleska Popozuda tem papel
destacado no roteiro de Mateus:
em determinado momento, ela grita
"é tiro porrada e bomba"!!!
Esta seria a melhor e mais autêntica abertura de um grande evento esportivo no Brasil, neste momento histórico. Mateus Araújo está se superando. Jogou tudo no caldeirão e saiu um belo caldo cultural, como o pessoal da Academia (1) gosta de chamar isso. 

Trabalhei com Mateus em Brasília, quando ele editava os programas que o Escritório do Paraná na Capital Federal produzia, como o "Falando Francamente", com o jornalista Carlos Chagas, que entrevistava personalidades políticas de projeção nacional. 

O cara é guitarrista e vocalista de uma banda de rock chamada Optical Faze, que costuma ser muito elogiada pelos que entendem do assunto. Não tive oportunidade de ouvir, ainda.

Ultimamente, Mateus vem escrevendo ótimos textos no Facebook. Este é, provavelmente, o melhor deles. 


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(1) Atenção: o termo "academia" não se refere, neste caso, ao local no qual se faz ginástica olhando no espelho.
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Com a tradicional "cara de mau " dos roqueiros,
eis o grupo de Mateus Araújo, o Optical Faze
Roteiro que eu fiz para a abertura das Olimpíadas de 2016.

Mateus O. Araújo

Tudo escuro. Ouvimos um beatbox com ritmo de funk "tum tcha tcha tum tum tcha, tum tcha tcha tum tum tcha" vários adultos analfabetos funcionais estão posicionados no centro do Estádio e começam a acender cachimbos de crack um a um, no centro vemos que as luzes dos cachimbos formam a figura de um gigante que vai acordando. Nisso, entram 10 caveirões da polícia e jogam água até apagarem todos os cachimbos. No meio da arena se forma uma grande piscina, do meio da piscina vem subindo uma estátua viva da pensadora Valeska Popozuda de quatro, os crackeiros começam a nadar em volta num nado sincronoiado. A estátua para de subir e então Valeska Grita "é tiro porrada e bomba". Entram várias pessoas de preto, são black blocks que começam a quebrar tudo, eles destroem a piscina o que forma uma grande enchente, várias pessoas correm dizendo que perderam tudo. A luzes se apagam. Ouvimos um choro de uma velha morrendo na fila do SUS. As delegações começam a entrar, primeiro a delegação dos sem-terra, marcha das vadias, do movimento passe livre, depois a marcha da família com Deus, depois uma grande parada gay, torcidas organizadas. Elas vão rodeando dando um grande rolezinho pelo estádio ostentando bonés da quicksilver e aparelhos coloridos nos dentes, vão passando por mendigos pedindo esmola, sempre sob o olhar de policiais sem identificação. Eis que surge a voz aveludada de de Luan Santana cantando o hino do Brasil, logo depois entra Vanusa no contratempo e então surge um playboy numa tirolesa e passa jogando gasolina em Luan, vimos que a tinta some e não era Luan, era um índio, o playboy arremessa um zippo e acerta no índio, que pega fogo. Então a populacão entra e começa a linchar pessoas que foram acusadas de crimes mas sem provas. A chacina vai enchendo o Estádio de sangue, que seria utilizado depois para bancos de sangue que não têm freezers para armazenar. Um coro de prostitutas de 12 anos começa a cantar, então entra um padre cavalgando um coroinha sodomizado e anuncia "Que entre o fogueteiro" Entra um moleque negro, magro, sem camisa, correndo com um rojão, ele vai desviando dos corpos, sobe na estátua do índio que pega fogo, acende o rojão e mira na tocha olímpica, o rojão dispara e acende a tocha. As pessoas batem palmas, pegam o moleque e amarram num poste, nessa hora vários helicópteros aparecem e despejam privadas nas pessoas sem distinção. Várias famílias saqueiam os mortos no estádio e todo mundo vai embora antes de começar o último capítulo da novela das 8. Fim

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Barões das finanças podem estar abandonando o barco petista


Apesar de fazerem tudo o que pode para agradar aos barões das finanças,
Dilma e seus companheiros veem, não sem desespero, que os
banqueiros começam a roer a corda. O motivo? Esses sujeitos,
como bons parasitas, precisam que o organismo que os sustenta
seja mantido vivo e em relativas boas condições, por motivos óbvios.
E o governo parece ter falhado na construção de uma economia sustentável.
Eis aqui, bem no fundo do texto, os links para uma matéria do Financial Times que, mais uma vez, alerta para o fato de que o governo brasileiro não é mais tão bem visto pelo pessoal do mercado financeiro. Desta vez, a crítica vai para a medida eleitoreira de Dilma, que reajusta o Bolsa Família de forma oportunista, agora, a meses da eleição, em 10%.  

Há quem diga que o jornal, que funciona como porta-voz das elites financeiras e, assim, termômetro político importante, anda dizendo que as tais elites não estão mais tão satisfeitas com a síndica que apoiaram aqui. 

Isso, se confirmado, não é uma notícia boa para o governo. Já nós, cidadãos comuns, assalariados e pobres (com ou sem bolsa), perdemos de qualquer maneira, ganhe quem ganhar. 

2014, o ano do “foda-se”

Requião, que pretende concorrer ao governo do Paraná neste
ano, pode ser uma exceção às más notícias que rondam 2014.
No plano federal, ele diz que tapa o nariz e vota em Dilma.
Para mim, Requião seria ótima opção como alternativa ao PT.
Mas, infelizmente, o PMDB se transformou em legenda de
aluguel e o próprio Requião parece reconhecer isso.
No Paraná, por exemplo, ele enfrenta alguns vendilhões
de baixa estatura moral, mais conhecidos como "cuecas de seda".
Assisti à entrevista de Requião, senador em terceiro mandato e três vezes governador do Paraná, ontem (04/05/14), num canal desses por aí, não lembro qual. Foi num programa de entrevistas, creio, no qual havia uma mulher muito sem graça, aparentemente uma convicta adepta do pensamento jeca da elite nacional, com a lógica subserviente de sempre, e um professor de alguma coisa, para quem Requião preferia claramente falar (alguém me disse que por encontrar sinais de inteligência no olhar do homem, já que, no olhar da mulher, pouco disso se podia notar, mas não sei se foi por isso). 

Lúcido, como costuma ser quando fala de política, Requião criticou duramente o governo da Dilma. Segundo ele, as privatizações do FHC e as da Dilma “são tão diferentes quanto o casamento e a união civil estável". Perfeito. Criticou a privatização do Banco do Brasil, cuja participação estrangeira cresceu sensivelmente em período recente e outros absurdos do governo petista. Não o ouvi falar da Petrobras, provavelmente porque já peguei a entrevista em andamento. 


Vote na menos fedida

Mas, pelas palavras do Requião, o governo da Dilma é a merda que fede menos... (1). Segundo ele, a existência de programas sociais e os discursos da oposição, do PSDB de Aécio e Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central e provável ministro da Fazenda de Aécio), prometendo a total entrega do país à sanha do capital financeiro, decidem seu voto a favor da menos fedida (mas, ele mesmo lembra que o Lula também não fez nomeações melhores para o Banco Central - muito menos para o Ministério da Fazenda, podemos completar).

Alguém comenta, numa rede social: "Aécio causará mais danos que Dilma, com certeza!". Para mim, esse "com certeza" é que mata, porque não dá para ter essa certeza toda. O grupo petista está se especializando no uso das artimanhas do poder e a guinada negativa que Requião detecta no governo de Dilma não é, para alguns observadores, coisa nova, um "acidente de percurso". Seria, isso sim, especialização.