quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Rio está no papo, comemora o time de esquerda mais à direita do Brasil

Ok, Deus pode até ser brasileiro, mas
certamente não é fluminense, muito
menos carioca. Lançou sobre o Estado
e sua capital uma maldição semelhante
a de Sodoma e Gomorra. Tudo isso
em forma de gente (dizem), com nome
de gente e até aparência de gente. 
E o seu desconto? De quanto será? Esse governador do Rio é muito gente boa mesmo...

E quanto a passagem terá de desconto? Ah, isso é outra história..., dizem os amigos do Cabral. 

Cabral é amigo do Lula, aliado próximo da Dilma. Aliás, ontem esteve com ela, que garantiu que o jogo eleitoreiro continua e vão fazer muitas inaugurações. Dizem, lá no Rio, que estão inaugurando até despacho em encruzilhada. 

Mas, o que não se conta é que o desespero é grande e parece que não vai ter composição em 2014. Lindberg Rocha sai pelo PT e o Pezão (vice do Cabral, mais mal falado do que o titular, me dizem) pelo PMDB(*). 

2 Poemas - Augusto dos Anjos & Miguel Torga


Contrastes

A antítese do novo e do obsoleto,
O Amor e a Paz, o ódio e a Carnificina,
O que o homem ama e o que o homem abomina,
Tudo convém para o homem ser completo!

O ângulo obtuso, pois, e o ângulo reto,
Uma feição humana e outra divina
São como a eximenina e a endimenina
Que servem ambas para o mesmo feto!

Eu sei tudo isto mais do que o Eclesiastes!
Por justaposição destes contrastes,
junta-se um hemisfério a outro hemisfério,

As alegrias juntam-se as tristezas,
E o carpinteiro que fabrica as mesas
Faz também os caixões do cemitério!


Angusto dos Anjos, autor de um único livro, "Eu"





Viagem

É o vento que me leva. 

O vento lusitano. 

É este sopro humano 
Universal 
Que enfuna a inquietação de Portugal. 

É esta fúria de loucura mansa 
Que tudo alcança 
Sem alcançar. 

Que vai de céu em céu, 
De mar em mar, 
Até nunca chegar. 

E esta tentação de me encontrar 
Mais rico de amargura 
Nas pausas da ventura 
De me procurar... 

Miguel Torga, in 'Diário XII'

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Divagando no tempo perdido sobre uma casa de madeira que tombou em Curitiba (Não, não foi tombada: tombou) (1)

Mais uma casa de madeira tomba em Curitiba e o pessoal saudosista lamenta. Ok, é chato mesmo. Eu, que nasci em Copacabana (RJ), vi aquele bairro se transformar no que é hoje e lamento muitas das mudanças ocorridas. No tempo de minha infância, havia até casinhas ali na Duvivier, a rua do Beco das Garrafas, local no qual surgiu a Bossa Nova e que se transformou, na sequência, em beco da sacanagem, salpicado de pequenas boates de strip-tease. 

Chama a atenção, porém, um detalhe: alguém escreve sobre a casa derrubada e argumenta que o proprietário tinha direito de derrubar, que é patrimônio seu, supervalorizado e coisa e tal. É, está certo, a gente compreende. Mas, é curioso que pensemos sempre nesse tal patrimônio, na propriedade privada (dizem que o nome se origina do fato que, ao ter uma propriedade só sua, você “priva” todos os outros humanos – salvo exceções, do uso dessa propriedade). 

Longe de mim dizer que a comunidade ou a sociedade deveria ir lá e impedir o tombamento da propriedade do fulano. Os que disseram isso foram taxados de comunistas em outros tempos e perseguidos. Hoje, no entanto, são governo, faturaram uma boa grana com essa perseguição e ainda mandam perseguir todo aquele que levanta a voz para criticá-los. 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Os números dizem que teria sido melhor não falar sobre números hoje

Não dá. Tem dia que seria melhor ter ficado na cama, com todas as implicações que isso traz. Não, nada de mais, não creio que hoje seja uma data pior que as outras, que irá acontecer algo necessariamente trágico. Mas, tenho medo, é claro. 

Ainda mais que o dia começa lendo notícias para mim e me dizendo que no ano passado mais funcionários federais foram defenestrados, expulsos, pelo Governo Federal. Sou funcionário federal. Está certo que nunca me envolvi em falcatrua, ainda bem (embora tenha sido convidado uma vez ou outra), então só lamento pelos que acharam que havia um atalho e caíram no poço. 

O que chama a atenção em matérias jornalísticas como essa é o modo como são feitas. Nelas, os números parecem imantados de uma magia que talvez só o mago Pitágoras* poderá explicar para nós, simples mortais para os quais números são bonitinhos, mas parecem pequenos diabinhos querendo nos passar a perna. Creio que exatamente por isso, pela magia, os jornalistas põem tantos números, muitas vezes tão impactantes e tão insignificantes, em suas matérias. Ao mesmo tempo em que saciam a fascinação, nos dão pequenos golpes emocionais** associando números que provavelmente não batem em boa parte dos casos ou, se batem, provavelmente representam realidades inexpressivas***. 


Você fica observando os números, que vêm com aquele símbolo de porcentagem (%) e até esquece da vida. É tão obsedante quanto uma droga e proporciona o breve, mas confortável, bem estar de deixar de pensar no que tem que ser feito na realidade. Aconselho que experimente e, principalmente se não for bom em matemática, que faça contas com base nos números fornecidos. Se for bom, não faça isso que quebrará o encanto. 

A curiosidade na matéria que fala dos servidores defenestrados é um breve parágrafo com os tipos e formas de se livrar de servidores públicos e, mais interessante: a dona Rosemary Nóvoa de Noronha, que foi chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, foi exonerada e depois destituída. O problema da matéria, aí, é que não há uma definição precisa das características de cada ato administrativo. O que tem de diferente entre exoneração e destituição, isso não fica claro. Mas, quando se fala da tal moça, nada é mais importante do que a fofoca de que ela era, ou é, muito íntima do ex-presidente Lula. Dizem que a esposa do homem cospe marimbondos quando ouve falar dela. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A vida é uma corrente, às vezes um moinho, disse o profeta e se calou para um rolezinho

Noutro dia, estava andando a esmo pelas ruas quando encontrei um profeta. Ele me saudou como fazem os profetas, com um breve sinal com a mão direita. 

Sem que eu lhe perguntasse nada, começou a falar. 

E eu, humildemente, ouvi o que o profeta tinha a dizer. 

Segue, abaixo, a íntegra da fala do bom homem, que não usava barba, nem bigode, não tinha os cabelos longos ou curtos, mas apresentava sobre a cabeça uma touca como essas que usam os bebês sem cabeça citados por Caetano Veloso em uma antiga música. 

Portanto, não se iluda com a imagem ao lado. É meramente ilustrativa. 

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Carros, automóveis, camionetes, caminhões e motocicletas são muito mais importantes
que gente, ora! E os donos desses veículos diversos valem algo, pois têm algum
tipo de riqueza acumulada, o que os confere o status de passíveis de ser explorados.
O pessoal do rolezinho, para o pessoal do shopping, não é explorável. E não há
praticamente nada que eles possam fazer para ascender ao mundo dos exploráveis.

Assim falou o profeta...
Seria engraçado, se não fosse um tanto trágico

O pessoal do rolezinho não pode entrar nos shoppings, esse pessoal é pobre e, não raramente, vive em habitações ditas pobres, muitas vezes barracos em favelas. 

Aí, acontece uma coisa engraçada. Quer dizer, não é engraçada, muito menos para o pessoal mais pobre, o dos rolezinhos, de modo geral. 

O caso é que o pessoal que proíbe a entrada no shopping pega e manda, quando quer, entrar na favela e tirar o pessoal de lá, assim, na maior, na porrada se for preciso, ou até mesmo aleijando e matando, não importa. E sabe para o quê? Para fazer estacionamentos. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Movimento pelo bosque da Casa Gomm dá, em Curitiba, aula prática sobre o que significa o conceito de cidadania

Movimentos cidadãos se multiplicam e apoiam. Na foto, mensagem do pessoal
de Curitiba em apoio aos que lutam pela criação do Parque Augusta, em São Paulo.
Olhe as imagens. É uma boa ilustração para qualquer verbete enciclopédico acerca do conceito de “Cidadania”. Trata-se de excelente reportagem fotográfica de um acontecimento indispensável como exemplo de compromisso cidadão. Para ver todas as imagens e se informar sobe a iniciativa desse pessoal guerreiro, clique aqui.

Anotações breves sobre o conceito de cidadania

“Cidadania” significa algo como você exercer os seus direitos civis. Direitos civis, nós bem sabemos (embora os possamos definir de diferentes formas em diferentes palavras e contextos), é algo que gira em torno daquilo que define alguém como participante de uma comunidade, seja esta concreta ou real, quando se fala do grupo de pessoas que habita determinado local, ou imaginária, no caso da Nação.
O pessoal que aparece nas fotos tenta garantir um espaço de utilidade pública, peitando o poder do Capital, que quer ali uma nova rua com grande movimentação de veículos dirigidos, em boa parte, por obsessivos e vorazes compradores de junk food e outros venenos para o corpo e para a alma.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Noções preliminares sobre o que significa a tal “Ascenção social” (partes 1, 2, 3, 4, 5, n)

Adquira, ainda hoje, a sua stairway to heaven.
Trago aqui, na promoção, apenas R$ 1,99!
Grátis, saquinho de balas de hortelã. 
O termo “ascensão social” é usado genericamente nas sociologias como designador de uma elevação de um indivíduo ou grupo dentro de uma determinada sociedade. É como se essa tal sociedade fosse assim como um edifício. O indivíduo ou grupo (geralmente esse grupo é familiar) começa morando no térreo, mas, um dia, se ganha uma graninha extra, se consegue um emprego, se passa num concurso público e alguns andares vão sendo galgados. O sujeito ou sujeitos, assim, bem se diz, “melhoram de vida” ou, como outros preferem, “elevam sua qualidade de vida”, ou, como ainda outros adoram, “refinam o seu padrão de consumo”. Nos andares mais altos do prédio estão as coisas mais refinadas e as pessoas mais “elevadas”. 

Sim, ascender socialmente equivale, numa linguagem hierática, a se purificar, se elevar, a se tornar melhor. Há quem já tenha me dito que o modelo da purificação atribuído a Alain Kardec é explicitamente o modelo da purificação social por meio da ascensão espiritual ou vice-versa trocando os termos. Quando você chega lá no topo, está purificado, se integra a Deus e pronto, vida eterna feliz e plenamente satisfatória. Quem sabe até haja as tais virgens das quais os muçulmanos tanto falam, mas não convém misturar as coisas. 

O negócio é que a propaganda produzida e veiculada para que acreditemos que a vida lá em cima é convincente, engenhosa e muito intensa e, assim, fatalmente acreditamos nisso. Há pesquisas sempre sendo realizadas, é bom saber. Tanto o nível de convencimento, quanto a credibilidade das mensagens que realmente interessam para manter tudo como está estão em alta. Eles, os publicitários e aqueles que os pagam, estão no caminho certo, os que acreditam neles é que estão no caminho errado. 


“Ascender” significa, em português claro, nada menos que ascender (se não houver o “s” depois do “a” e antes do “c”, não se iluda, trata-se de outra coisa) 

Na prática, ascender socialmente significa diversas coisas, principalmente porque é um termo um tanto vago e que não informa exatamente o que significa ascender nem a que social se refere. Pelo mundo, há muitas realidades, uma enorme diversidade de diversidades, isso se a cultura de massa não interferir demais. 

Os chamados “novos ricos” costumam ser acusados de gastanças absurdas e irreais. Segundo seus venenosos detratores, gastos irresponsáveis e inúteis. Ora, como assim?

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Uma outra leitura do "não vai ter Copa" e a disputa histórica das Jornadas de Junho, por Renato Rovai

Esta foi a resposta dos governos, sem exceção,
do Federal aos municipais, às manifestações democráticas.
O que surpreende é um governo petista promovendo repressão. 
Escrevi texto em outubro de 2013 fazendo uma reflexão sobre as manifestações populares e essencialmente democráticas ocorridas no segundo semestre, que não ocorreram apenas em junho, mas se estenderam, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas ganharam o nome de “Jornadas de Junho”, pois foi naquele mês que os maiores atos públicos ocorreram em todo o país, mesmo nas menores cidades. 

O título do meu texto é "Lição das 'Jornadas de Junho': ou democracia se faz nas ruas ou não se faz" (clique para ter acesso). 

A mensagem era clara:  

As manifestações foram e ainda são uma rara manifestação coletiva de espírito democrático, por isso foram e são reprimidas com extrema violência e crueldade pelo Estado brasileiro, que sempre foi terrorista, mas prioritariamente com os mais pobres (com a exceção das pontuais perseguições políticas do DIP de Vargas e dos militantes dos anos 1960/1970, que, aliás, hoje ocupam o poder e mostram ser muito parecidos com os que os perseguiram e agrediram). Em 2013, o terrorismo de Estado mostrou que se fortaleceu e é, hoje, a marca da governabilidade no Rio de Janeiro, por exemplo, com o apoio do time do Governo Federal, o pessoal do PT.



Por outro lado, a condução de programas essencialmente eleitoreiros, como o "Mais Médicos" do ministro da Saúde, candidato a governar São Paulo, mostrou que os petistas praticam no poder uma espécie de maquiavelismo fascista, estetizando o debate político, bem no sentido oposto ao que Walter Benjamin propunha para os comunistas. 

Ao final daquele texto, eu dizia o seguinte:

Se estamos numa democracia, como se diz, que tal levar isso a sério? 
E, assim sendo, não posso concluir sem deixar claro que, sob esse ponto de vista, os governos, tantos os estaduais como também o federal, estão mostrando que odeiam essa tal democracia. 
Querem-nos calados. Por isso, me parece importante ratificar que o que está em jogo, no fim das contas é a proposta positiva de democracia, a que convida o cidadão para a ágora, não a democracia dos políticos profissionais e do comércio varejista de consciências, a democracia negativa liberal, dessa não precisamos e temos que romper urgentemente com ela. É isso ou o recrudescimento da barbárie.
O texto abaixo, de Renato Rovai, parece ir numa linha próxima e tem o mérito de chamar a atenção para o caráter democrático das manifestações. E mais, alerta para o seguinte:  
Quem tem que ter medo das ruas é a elite. E não os que se dizem de esquerda. Ou algo está muito, mas muito errado.
E teve "companheiro" que eu conheço, e muito bem, dizendo que as manifestações eram de "coxinhas e fascistas, todos mascarados porque não têm coragem de mostrar a cara. Esses "companheiros" deveriam fazer autocrítica não em relação a essas palavras, mas em relação às suas práxis durante toda a vida de militância política.  

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

VERGONHA: Favela do metrô: um dia de fúria - por Francisco Chaves

Armas contra a população desarmada? É para defender os
aristocratas da FIFA e os amigos de Paes, Cabral, Lula e Dilma. 
Enquanto estamos aqui, eu e você, infelizes mas tranquilos na frente da tela, o governo terrorista do Rio, com o apoio do Governo Federal "de esquerda" (para inglês ver), pode estar massacrando mais pessoas predominantemente pobres e negras em algum lugar, simplesmente para fazer estacionamentos para a merda da Copa do Mundo, que não nos trará praticamente nada de bom (para nós não, mas para meia dúzia de amigos do Eduardo Paes, Sergio Cabral, Lula e Dilma... ah, já está sendo uma festa - e com o nosso dinheiro). 

É uma vergonha, mais uma, mas o governo "de esquerda" vem se gabando de reduzir a miséria e conseguir empregos. Tolo é o que crê apenas no que os seus olhos mostram. O problema é que a economia afunda e, em breve, ou seja, passadas as eleições, o bicho vai pegar, inevitavelmente. Se não há produção, não há prosperidade. Mas, a presidente, com toda sua maquiagem no rosto e nas contas, nega isso. O que ela quer é manter a boquinha, a sua e de seus comparsas, parece claro, incluindo Paes e Cabral.

De todo modo, o pior é que as opções do outro lado também não animam nem um pouco...


Cabral, Lula, Dilma & Paes: juntos na promoção dos massacre dos mais pobres.
São daquele tipo: por detrás do perfume de belas palavras, o fedor das más intenções.
Massacres têm apoio da "esquerda" arrivista

Os massacres das populações pobres no Rio é, hoje, apoiada pelo governo "de esquerda" que ocupa o poder no plano federal. Parece mentira, mas é real. 

Leia, abaixo, relato de Francisco Chaves, abaixo, sobre mais esse ataque covarde do poder público terrorista à população, com o uso de sua tropa de dominação colonial, a PM. Hoje, basicamente a PM vai se tornando uma tropa de defesa de riquezas e mandatos políticos. Não tem, para nós, população sem mandatos e que somos amigos de Cabral, Dilma, Lula ou Paes, qualquer sentido de existência. 
Um policial armado de fuzil dito não mortal replicava em alto brado "Prende aquela piranha, vai lá prende porra! Saí daqui seus porras, vou meter tiro de borracha nas crianças, joga gás e bomba neles, olhe o gordo segura ele, traz pro camburão os dois, traz a garota grávida, foi ela que jogou pedra na gente" 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Parasitismo: 92% das cidades brasileiras gastam o excedente da riqueza que apenas 8% produzem

Esplanada dos Ministérios, Brasilia/DF
A Capital Federal parece ser a recordista no parasitismo das cidades produtoras brasileiras.
Seus gastos são astronômicos, mas é das cidades que menos gera riquezas. 
Alguém acorda domingo de manhã e lê no jornal que “8% das cidades do país financiam todas as outras”. O que pensa? Não sei, mas provavelmente se interessará em saber se vive numa das 8% que sustentam ou se tem a felicidade de viver nas 92% que são sustentadas. Em outros termos, se é “produtor” ou “gastador”. 

Não fui eu que acordei cedo domingo para ler jornal, mas imagino que não é um bom modo de começar um domingo. Eu, por exemplo, moro em uma cidade do seleto grupo dos 8%, ou seja, das cidades que arrecadam mais do que gastam e, assim, financiam todas as outras, que não arrecadam o suficiente para pagar suas contas. Moro numa delas e nasci em outra. Moro em Curitiba e nasci no Rio de Janeiro, logo sempre contribuí para o sossego nas contas de quase cinco mil municípios deficitários. Bom saber. 

No total das 5292 municípios abarcados por um levantamento do jornal O Estado de São Paulo, o popular Estadão, somente 417 arrecadam o suficiente para cobrir suas despesas e o dinheiro que sobra nestes municípios cobre o que falta nos demais 4875. As informações dadas pelo jornal estão fundamentadas em pesquisa do Produto Interno Bruto (PIB) dos Municípios de 2011, divulgado pelo IBGE em dezembro último. 

Não sei bem se isso é comum, se é natural ou normal, ou se acontece em boa parte dos países. Mas que é, no mínimo, curioso, ah isso é. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Os bárbaros vândalos baderneiros estão entre nós e ameaçam nossos templos!

Precisamos nos unir para defender nossos templos sagrados,
ameaçados por vândalos baderneiros bárbaros feios e pobres
Anda acontecendo por aí um fenômeno que tem sido quase ignorado pela mídia. Também pudera, trata-se de acontecimento que mobiliza alta carga emocional e sentimentos de profundo terror. Aliás, se você tem estômago fraco e frequenta shopping centers não deve ler isto aqui. Para sua segurança, pare de ler, desvie o olhar e procure outra página, por favor. Mas, de todo modo, não precisa sorrir porque você não está sendo filmado... ao menos não por mim. 

Esse fenômeno tem, durante a história, recebido diversos nomes. Os antigos gregos, por exemplo, chamavam coisas assim de “barbárie”, os romanos preferiam o termo "vandalismo" e os capachos da ditadura militar brasileira costumavam se referir a uma tal "baderna". Em nossos dias, em Terras Brasilis, esses nomes também são usados, mas o termo que se tornou mais popular para designar essa barbárie vândala e baderneira é “rolezinho”. Acho que o termo foi inventado pelos bárbaros vândalos baderneiros, mas já se tornou posse dos civilizados.

Em todos os casos, é útil saber que na perspectiva histórica, quando falamos de “civilizados”, falamos de povos que se achavam e/ou acham a última batata do pacote e que interpretavam e/ou interpretam os estrangeiros como perigosos, sujos e feios. 

Nesses casos não se aplica o adágio do "se olhar no espelho" para relativizar as maledicências, pois parece que o problema é justamente que esses civilizados viviam e vivem fazendo isso. Com toda certeza, como Narciso na mitologia e na música de Caetano Veloso, achavam e/ou acham feio o que não é espelho. 

E, ora, o tal rolezinho acontece onde? Nos shoppings centers, lugar onde o que há mais são espelhos e, com certeza, espelhos mágicos, pois que sempre devem refletir pessoas belas e bem vestidas. 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A justiça é igual para todos... Todos quem, cara pálida?



"A Justiça é igual para todos: 
aí já começa a injustiça" 

Millôr Fernandes

Futurologia aplicada: 2014 nas previsões de Isaac Asimov

Isaac Asimov, por Rowena Morrill
Previsão de passagem de ano é comum, todo mundo faz. Astrólogos, tarólogos, jogadores de búzios e outros adivinhadores se esmeram, ano a ano, mas também os cientistas e escritores arriscam suas previsões.

Leia, abaixo, uma compilação das previsões de Isaac Asimov para 2014, feitas há 50 anos. Com certeza, ele pegou o tal "espírito da coisa" na maior parte dos itens. 

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Como Isaac Asimov previu que seria 2014, 50 anos atrás

01 Jan 2014, por Roberto Amado

Em 1964, durante a Feira Mundial de Nova York, o New York Times convidou o escritor de ficção científica e professor de bioquímica Isaac Asimov a fazer previsões de como seria o mundo 50 anos depois, ou seja, este ano. Asimov escreveu mais de 500 trabalhos, entre romances, contos, teses e artigos e sempre se caracterizou por fazer projeções acuradas sobre o futuro. As previsões do escritor, que morreu em 1991, são surpreendentes.


Facebook é apenas mais um recurso de controle subjetivo

Subjetividade tem sido patrocinada e
política comercial de identidade de
marca é estratégia fulcral no processo
Leio texto intitulado “10 razones para abandonar Facebook en 2014”. Se também quiser ler, clique aqui

Na verdade, não é um texto, mas, como dito no título, um arrazoado em 10 tópicos tratando dos motivos pelos quais o Facebook seria uma grande roubada. 

As razões seriam principalmente a exposição desmedida à qual os clientes do Facebook estão submetidos e ao conhecimento acumulado do sítio acerca da vida de seus clientes. Ou seja, falamos de ameaças sérias à intimidade e à privacidade. 

Mas, o quê? Olhe em torno e observe como se forma a identidade no mundo contemporâneo. O Facebook não é muito mais pernicioso do que um bar ou um salão de beleza. Na prática, o indivíduo contemporâneo forma sua identidade pela identificação, isto é, pela adesão a padrões de comportamento que são propostos para além das individualidades ou grupalidades e vêm de outro plano que se poderia dizer localizado acima de nossos esforços para obter uma identidade. São ideias prontas e papeis predeterminados que só vêm confirmar a já antiga tese de Felix Guattari de que a individualidade é sempre “de massa”. 

Encontros para perder a si próprio

No mundo da multidão, os indivíduos precisam se encontrar muito para poder ter acesso a discursos que lhes dizem quem são e reforçar, assim, esse discurso para dentro (formando a identidade identificada) e para fora (confirmando a lógica discursiva estruturante da identidade identificada). Quem conhece a lógica especular da teoria lacaniana sobre a formação da identidade pode entender bem do que se fala.