quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Quem não tem padrinho é preso até por carregar Pinho Sol

"Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo."

Bertold Brecht

Em outro dia, falei do morador de rua que foi preso por conta de portar água sanitária e Pinho Sol, além de uma vassoura. Pois bem, encontro repercutido no Feicebuqui texto de Chico Alencar, historiador e político carioca, hoje no PSOL. Segue:

Fechando o Dia Internacional dos Direitos Humanos: este aí da foto, acorrentado pelos pés, é Rafael Braga Vieira, a primeira pessoa condenada a prisão após ser detida durante as manifestações de junho.
Rafael está em um presídio do município de Japeri, no Rio. Foi sentenciado a cinco anos em regime fechado. O crime de Rafael? Levar duas garrafas de plástico com material de limpeza.
Não é mentira não! Um laudo do próprio esquadrão antibomba da Polícia Civil atestou que Vieira carregava uma garrafa com Pinho Sol e outra com água sanitária. Segundo o laudo, o material tem "ínfima possibilidade de funcionar como coquetel molotov".
Pouco se sabe sobre Rafael (...). Mas, algumas coisas se sabem: Rafael é negro, é jovem, é pobre e é morador de rua. Como muitos de seus colegas de cela.


É a velha história: é pobre, negro, morador de rua. Quem vai estar do seu lado? Para quem não tinha entendido a máxima “quem não tem padrinho, morre pagão”, está aí um bom exemplo. 

É que o poder discricionário, o mesmo que se diz democrático e jura agir em nome do bem comum, está muito preocupado em calar a tal Democracia. As pessoas vão para as ruas, que são a ágora contemporânea, sem mediações, porque acreditam que é possível existir Democracia, mas o poder instituído as quer claramente calar: da presidente ao juiz de comarca. É claro que há exceções, sempre há, mas o conjunto da obra indica que nossa democracia está composta de galhardos democratas cujas práticas são essencialmente antidemocráticas. 

Rafael parece ser um bode expiatório, ou pior, um objeto encontrado jogado na rua que não pode ser descartado por conta de ser uma pessoa (descartar pessoas é crime, traz problemas a quem toma essa iniciativa) e apenas por isso ninguém se arrisca a jogar definitivamente no lixo de uma cova rasa. Jogam-no num depósito onde há outros "objetos" do mesmo tipo, a cadeia.  


Como na Guerra do Peloponeso, as forças militares se opõem à Democracia.
Que ninguém se iluda: do mesmo modo que as bestas-feras espartanas,
a Polícia Militar defende com afinco o governo dos aristocratas. 
O que se diz é que Rafael "serve" para ser usado como exemplo para ameaçar os que acreditam na conversa democrática e resolvem exercer a sua cidadania. Se tivesse alguma força, fosse econômica, política, qualquer uma, não teria sequer sido preso, ou, se tivesse sido, teria se livrado. Teria padrinho, mas não tem, tem apenas a mãe (ou a lembrança dela) que, segundo matéria publicada no Yahoo!, foi a única pessoa com a qual ele disse estar preocupado. 

Cá para nós, pobre Rafael. Acorrentado ao ser preso (ver foto no início deste texto), é a prova de que, ao menos em certos lugares, certas instituições e em certas mentalidades, a idade da pedra é hoje, conforme dito no texto publicado neste blog (A idade da pedra é agora), já referido no primeiro parágrafo. 


O vizinho de cela de Rafael?
Espero que Alencar possa ajudá-lo, pois é deputado pelo Rio de Janeiro. Pelo menos denunciar, fazer barulho, como foi feito em relação ao desaparecimento do Amarildo. Rafael não merece isso. É, aparentemente, vítima de um ato de extrema covardia, engendrado não exatamente por pessoas, mas por agentes de um Estado que parece querer se sustentar pela promoção do terror.

Ou não é um ato de extrema covardia pegar um desvalido para Cristo? 

Aliás, como bem já se disse, se o próprio Cristo descesse a este mundo hoje, possivelmente seria tratado como um tipo assim. Quem sabe não desceu e vai até ser vizinho de cela de Rafael. 

PS: e o juiz que o condenou? O que tem a dizer? 

2 comentários:

  1. Seu pau-no-cu.
    Vai trabalhar, vagabundo.
    Você não conhece os antecedentes de Rafael e porque o defende?

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  2. no-teu? E quais os antecedentes? E os teus? Ah, e "porque" não se usa para perguntar. Hora de melhorar a ortografia

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