quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Pequenas imprudências textuais, grandes problemas na informação

Ele tem razão: chega do bullying semântico causado por erros gramaticais primários.
Vamos lutar pela plena alfabetização do pessoal da imprensa!
Aquele que foi o que não foi, sendo

Leio texto de jornal de Curitiba no qual há a referência ao político paranaense Roberto Requião como sendo “ex-governador por três mandatos”.

Você já viu um ex-governador por três mandatos? Eu não. A hipótese de existir um sequer desses espécimes porá em risco todo o edifício lógico que a sociedade humana tenta construir há milênios.

O "por" remete à vivência de um período de tempo, três mandatos, doze anos, em um cargo. Durante esse tempo, ou o sujeito é governador ou não é.  

Talvez o jornalista tenha desejado dizer que Requião foi, nos últimos 23 anos, realmente um ex-governador por... quase três mandatos. Foi governador três vezes e não foi três vezes.

Não. Certamente o jornalista não pensou nisso. Eu é que o faço para tentar entender como pode existir um “ex-governador por três mandatos”.

Talvez tudo se solucione se a gente perguntar ao Requião, que foi governador por três mandatos e parte para mais uma eleição, quando se deu a sua ex-governadoria por três mandatos. 


Só não jogue o troféu aonde quiser, Carlos Alberto!

Cuidado, ele vai jogar!

No mesmo jornal, também fico sabendo que um jogador de futebol chamado Carlos Alberto (se criou no tricolor, o único, jogou na Europa andou pelo Vasco) que estava afastado por doping teve sua pena revogada e pode voltar a jogar “aonde” quiser, segundo palavras de sua advogada transcritas para as páginas do diário.

Bem, jogar “aonde” pode provavelmente significar que o jogador pode jogar algo em algum lugar como e quando quiser, bastando, para isso, que tome iniciativa. O “aonde” só pode e, consequentemente, só deve ser usado quando se quer dizer que algo foi, por livre e espontânea vontade ou mesmo lançado, a algum lugar.

A reportagem não informou, porém, o que o jogador tinha na mão (ou aos pés, pois se fala de um boleiro), nem aonde pretendia ir para jogar o objeto, muito menos dizia aonde o objeto chegaria depois de lançado. 



Cuidado com o uso de drogas. Se não lhe levar a prisão,
como no caso do jornal, pode lhe levar à prisão,
o que é bem mais grave e ruim.
Falta de crase também leva a prisão? 

Há algum tempo, recebi um folheto na rua, era de uma igreja ou templo evangélico, sei lá como definir. 

Num título, leio: "ENVOLVIMENTO COM DROGAS ME LEVARAM A PRISÃO"

Fico consternado. O coitado tinha uma prisão, se envolveu com drogas e a perdeu. Sabe-se lá, deve ter ficado endividado e teve que vender a prisão, talvez. 

Triste destino. Tinha sua própria prisão e agora não tem mais... o que as drogas e a falta de uma crase não fazem...



Segura que Cuba lançou

Quem vai Cuba lançar? 

Outro exemplo de pequena imprudência textual estava em matéria jornalística de outubro deste ano de 2013, que continha a seguinte expressão: "Daqui duas semanas, a volta em Porto Alegre", se referindo a uma disputa pela Copa do Brasil entre um time gaúcho e outro paranaense. 

"Daqui duas semanas" eu achava que só semianalfabetos escreviam, mas tenho visto recorrentemente a supressão da preposição "a" em inúmeras ocasiões semelhantes. 

Cheguei a ler, em outra ocasião, "O governador vai Maringá na próxima semana". Fiquei pensando o que seria Maringá na frase. 

A situação ficaria pior se imaginarmos que o tal governador fosse até aquele país do Oriente Médio, o Catar. Ficaria: "O governador vai Catar na próxima semana". Caberia perguntar: Catar o quê? 

Agora, quer ver ficar bem ruim? Imagine que a presidenta vai até Cuba para o lançamento de um plano de cooperação econômica ou qualquer outra coisa. Pela mesma lógica, ficaria: "A presidenta vai Cuba lançar...". 

Atenção, minha gente jornalística. Não suprima a preposição que o resultado é feio, bem feio.

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