quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Nas eleições de 2014 os dilemas são: fogo ou frigideira, ruim ou pior, morrer queimado ou afogado?

Leio no Facebook declaração oportuna de um camarada. Ele anuncia que seu objetivo para as eleições de 2014 é tirar do poder o grupo que agora ocupa o Governo Federal. Logo, seu voto é “antipetista”.

Tenho dito isso há tempo. Estou apostando no "Fora PT que o depois a gente vê". Os “companheiros” estão muito fortes e não estão do nosso lado, isto é, meu, seu, de qualquer assalariado. A Receita Federal e todos os órgãos arrecadadores de impostos dão provas disso. A FIFA e sua Copa do Mundo bilionária às nossas custas indicam isso. Os sistemas de saúde e educação também nos fazem pensar nisso enquanto a governança pró-banqueiros e a proteção a um pequeno grupo de empresários nos dá a certeza disso, junto aos atos oficiais criminosos cometidos contra a população em geral (em especial cabe lembrar das pessoas expulsas de suas casas no Rio de Janeiro para limpar a área para a Copa e dos manifestantes vítimas da brutalidade estúpida das tropas de “segurança pública”, mas não apenas).

Mas, deixo claro, não quero convencer ninguém a aderir ao "projeto Fora PT que o depois a gente vê". Isto aqui não é campanha de convencimento. 



Qual o prejuízo?

Mas, cabe ponderar que, se acaso o PSDB vencer a eleição, não vejo o tamanho do prejuízo anunciado pelo pessoal que diz votar na Dilma, no PT, porque temem ou deploram a volta dos tucanos. Na prática isso não é importante, pois tudo indica que estamos falando apenas dos capatazes. Os senhores não mudam, logo a lógica que manda e comanda continuará a mesma. Ou você acha que quem manda é quem ocupa o cargo?

Não dá, assim, para crer que o PSDB de Aécio é uma espécie de agremiação demoníaca. Pode até ser, mas o endereço dela deve ser na rua ao lado de onde fica a sede do PT, tão mal afamada quanto. A diferença entre tucanos e companheiros pode ser apenas percebida em detalhes ou leves tons de cinza e medida em milímetros.



Boato do fim do Bolsa Família pode ter sido "ensaio"
para mostrar a força do grupo do governo
Ganhos e perdas

Então, qual o prejuízo? Cabe avaliar bem, que a virada não é tão radical assim e a gente pode ganhar de presente um raio x do que foi feito nestes 12 anos. Acho que a todo mundo interessa isso. Talvez isso fosse bom para a ética na política... Sabe-se lá? 

Como previsão de perda, teremos uma instabilidade política que, em boa parte, poderá ser promovida pelos que deixam o poder, como já foi ensaiado no boato do fim do Bolsa Família. Ali você teve noção do tamanho do problema. 

Mas, quanto às “bolsas”, qualquer governo que assuma terá que considerar manter o benefício de alguma forma. Esse tipo de benefício, na prática, é provavelmente (embora tenha que ser denunciado quando usado de forma populista) a melhor coisa do governo petista, assim como o aumento da oferta de empregos de baixa qualificação também deva ser citado como benéfico. 

O problema disso tudo é que, como disse Teresa Urban (uma ativista política paranaense), perdeu-se a oportunidade de incluir as pessoas pela cidadania e se optou pela via do consumo. A lógica é: bote mais pessoas no mercado de trabalho e terá mais consumo, mais endividamento, mais juros sendo pagos aos banqueiros. Não se quer promover qualidade de vida ou uma vivência cidadã: o que se quer é se consuma e que as instituições financeiras façam mais dinheiro, parasitando os assalariados. 

Até os colunistas da Veja, revista maldita para
os "companheiros", apoiam atos do governo,
denunciando que não passam de continuísmo
do que aconteceu no governo FHC
Trairagem em decúbito ventral

Cabe lembrar em 2014 que os "companheiros" nos traíram e acabaram em decúbito ventral diante do poder financeiro. Nos rebentam com impostos, servem migalhas ao andar de baixo e com o grosso do que pagamos compram o caviar do andar de cima, no qual estão sempre partilhando da mesa, ora na cabeceira da mesa, ora embolsando os restos. 

E traidor, você sabe, é que nem cagoete (X-9), ou pior, já que o cagoete é fundamentalmente um traidor.

Em resumo...

O dilema parece ser: fogo ou frigideira, ruim ou pior, morrer queimado ou afogado? 

De minha parte, sem querer lhe convencer, acho que o grupo atual está há muito tempo no poder. Mais quatro anos e estarão mais perigosos do que poderiam ser. A regra é se dar bem e a malandragem aprende rápido. 

E não falo de "mensalão" ou coisa parecida (aparentemente, mais um golpe antigovernista bem dado do que algo elogiável por sua lisura no campo do direito e das execuções penais). É a subserviência do grupo do governo ao grande capital, o uso populista de programas sociais, a falta de fibra para assumir posições firmes a favor do país e o incentivo a verdadeiros gangsteres da política e do empresariado que me brocham definitivamente em relação ao PT.

Tudo isso me parece traição e, embora reconheça que o traidor demonstra invejável noção de liberdade e um salutar amor ao próprio rabo, continuo avaliando a traição como abominável e o traidor como desprezível.

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