sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Esse Barbosa é um perigo!

"Política é para homens de bem e não para homens de bens".

Cezar Britto, 
advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)


Finalmente entendi por que o pessoal governista ataca tanto o presidente do Superior Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Juro que não tinha compreendido ainda, mas uma matéria publicada no endereço posto no final deste texto, me acendeu finalmente a luz da consciência. 

Sim, sou meio burro, com certeza. Burro, não, quase um completo estúpido, o que é pior, pois o burro animal não é tão estúpido quanto se pode pensar. Demoro a entender certas coisas, mas, confesso, também não me esforço tanto assim para estar "antenado" em relação às artimanhas dos políticos profissionais. É mais chato e previsível que novela da Globo.  

Eu achava que o pessoal governista estava revoltado por conta de supostas (quase palpáveis, dizem muitos) irregularidades no julgamento do pessoal envolvido no escândalo de compra de votos chamado “Mensalão”... 

Que nada! Irregularidades há em todo lado e mesmo no caso do Mensalão, o pagamento a deputados de dinheiro “por baixo do pano” para garantir apoio parece ter efetivamente ocorrido, isso sem contestação. A polêmica, na prática, é se o dinheiro saiu do Banco do Brasil ou se era de um tal “caixa 2” petista. Ora, isso, para os governistas, faz uma diferença enorme. Para nós, o que importa? 

É o caso de dizer que irregularidades dos outros são indecentes, mas as que nos favorecem, tudo bem, ninguém está vendo, mesmo. E se vir, pô, a gente argumenta: “Mas todo mundo faz isso!”. 


Vaccarezza deve saber de
coisas que desconhecemos
sobre essa candidatura
do Joaquim Barbosa
Esse Barbosa é um perigo!

Bem, o fato é que não são as tais irregularidades ou injustiças que incomodam o pessoal. O que tira o sono dos petistas é o seguinte: o Barbosa faturou e ainda está faturando popularidade com tudo isso. E essa popularidade pode levá-lo, segundo o pessoal da estrelinha vermelha, a ser candidato a presidente da República, ameaçando a reeleição da maquiada presidenta atual (que não se sabe bem se está tendo mais trabalho para maquiar o próprio rosto ou as contas públicas, a economia brasileira, que corre o risco de embicar para o fundo do poço mais cedo do que se esperaria). 

Veja que o deputado petista Cândido Vaccarezza (SP), relator da proposta de reforma política em tramitação na Câmara, parece apavorado com o andar do julgamento da votação da proibição do financiamento eleitoral privado, atualmente em curso no STF. Segundo ele, o voto de Barbosa foi justamente para beneficiar a sua própria candidatura. 

No texto publicado no link indicado há um detalhamento do brilhante pensamento do nobre deputado: 


No cenário atual, três candidatos têm capacidade de arrecadar doações privadas: a presidente Dilma Rousseff, pelo PT; Aécio Neves, pelo PSDB; e Eduardo Campos, pelo PSB. Joaquim Barbosa tem alto grau de conhecimento, mas não tem fontes de financiamento para fazer campanha. Portanto, essa proibição favoreceria diretamente uma candidatura dele.

Brilhante. Você (principalmente você que votou no Vaccarezza) descobre agora que o deputado não está preocupado prioritariamente com a moralidade ou a ética na condução de assuntos fundamentais como o financiamento de campanhas políticas. Não. Isso é para os fracos, ele deve pensar. 


Há muita gente boa por aqui, gente que tem sofrido muito,
principalmente por conta de suas qualidades, por mais incrível
que isso possa parecer. Mas, os maus exemplos que vêm de
cima são tantos que a gente quase até esquece disso
Tudo indica que ele está preocupadíssimo é com a candidatura de Barbosa, o que nos leva a crer ou imaginar que o PT deve ter informações preocupantes sobre a potencialidade de uma candidatura como essa. A gente até deduz que o Barbosa pode efetivamente crescer o suficiente para derrubar a “genta presidenta”, segundo essas supostas informações. Se não, para que tanta preocupação? 

Você, os outros eleitores, a moral, a ética, os bons costumes, o compromisso do parlamentar com a população e não com os empresários financiadores, tudo isso é secundário para Vaccarezza, ou parece ser. 

Que não se ofenda o deputado ou os seus eleitores. Essa é a regra mesquinha do “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou da lógica do “só quero é me dar bem”. É, portanto, natural agir assim. 

A decepção maior é perceber o quanto os petistas, os velhos companheiros de antigas lutas, abraçaram essa ideia. E isso é um tiro de canhão no casco da credibilidade da esquerda brasileira. A gente fica pensando: se uns são assim, por que não todos? E perde a confiança. 

Barbosa, quem sabe, talvez não ameace exatamente essa lógica. Possivelmente até a reforce e até mesmo saiba se virar bem com ela. E é por isso que oportunistas como o deputado citado o odeiam. Jogam todos o mesmo jogo, sabem das regras e, mais que tudo, sabem identificar quem sabe jogar com elas e quem não sabe. Pelo visto, o Barbosa sabe. 

Não sei exatamente como funcionam essas coisas em outros lugares, em outros países. Mas, no Brasil, a coisa é desse jeito. Alguém precisa pôr avisos em todos os aeroportos nacionais com o alerta que Dante Alighieri pôs na entrada do Inferno, na sua “Divina Comédia”: "Ó, vós que entrais, abandonai toda a esperança...". 

PS: Você sabe que há exagero na proposta de pôr o alerta de Dante nos aeroportos, pois há muita gente boa por aqui, gente que tem sofrido muito, principalmente por conta de suas qualidades, por mais incrível que isso possa parecer. Mas, os maus exemplos que vêm de cima são tantos que a gente quase até esquece disso. 

Em terra com tantos oportunistas e malandros bem trajados, as qualidades não têm vez. Quem determina se você tem sucesso ou não são, ao contrário, os seus piores defeitos. 

E tome maquiagem... Afinal, a aparência é fundamental, dizem os espertos. 

http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2013/12/12/eleicao-sem-verba-privada-favorece-o-barbosa/

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