quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

É assim que funciona no Brasil

Acidente na construção do estádio "Itaquerão".
Um dos mortos é retirado do local. 
Fico sabendo em matéria publicada no Outras Palavras (http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/acidente-no-itaquerao-o-que-a-midia-omite/) que a Odebrecht parece ter algum borogodó que a faz ter muito sucesso entre os políticos em geral e, em especial, entre os governistas. 

Diz o texto “Acidente no ‘Itaquerão’: o que a mídia omite”, publicado no link acima no dia 5 de dezembro e assinado por João Marcos Previattelli e Paulo Motoryn, da Revista Vaidapé:


A empresa é uma das grandes financiadoras de campanhas eleitorais – sem qualquer critério ideológico –, o que faz não soar tão estranho o fato de a Odebrecht ser também uma das grandes vencedoras de licitações públicas na área da construção civil. As doações feitas pelas diferentes empresas do grupo nas eleições de 2012 passam os R$ 19 milhões.
Às claras, a construtora baiana saiu ilesa em uma operação bem orquestrada pelas grandes empresas de assessoria de imprensa, tendo em vista a promíscua relação existente entre elas e a redação dos grandes veículos. A dramática e pouco enfática cobertura da morte de Fábio e Ronaldo escondeu uma estatística pouco explorada na mídia: em 2012, segundo a Previdência, mais de um trabalhador da construção morreu por dia no país.

Tudo leva a crer, segundo a informação recebida, que a empresa tem contribuído bastante com esses altos índices de mortalidade no setor mas, apesar, disso, namora firme com o BNDES e o governo petista, muito sensível com os mais pobres e muito atencioso com os mais ricos. 


A charge sugere as reais causas do acidente
Acidentes demais

A matéria lista alguns acidentes em obras tocadas pela empresa que vitimaram trabalhadores: 


Em 18 de dezembro de 2010, na construção da Ferrovia Transnordestina, em Paulistana, no Piauí, uma pilastra desabou quando operários trabalhavam a 40 metros do chão. Além dos 11 feridos, o acidente matou duas pessoas. Em nota, a empresa lamentou.
Em 4 de novembro de 2011, no Terminal Marítimo da Vale do Rio Doce, em Ponta Madeira, no Maranhão, o acidente aconteceu durante a concretagem de uma viga. Três funcionários da empresa ficaram feridos e duas pessoas morreram. Em nota, a empresa lamentou. 
Em 19 de janeiro de 2007, na Linha 4 do Metrô, em São Paulo, o acidente no buraco de acesso às obras foi o maior na história do transporte paulista. O buraco dobrou de tamanho em apenas dois minutos após um desabamento. Sete pessoas morreram e 230 ficaram desabrigadas pelo risco de mais desmoronamento. Em nota, a empresa lamentou.
(...)  
Como se não bastasse, a empresa foi expulsa do Equador em 2008. A decisão foi tomada pelo presidente Rafael Correa após a empresa construir a Hidrelétrica de San Francisco. A obra foi classificada como um “desleixo”. 
Em 23 de novembro de 2011, no Peru, a Odebrecht foi obrigada a paralisar as obras na hidrelétrica Tambo 40 após uma interferência na reserva indígena de Ashaninka.


A impressão que dá é que o governo "dos trabalhadores"
comandado por Dilma serve demais aos patrões
Apesar do curriculum não muito recomendável, Previattelli e Motoryn afirmam que o amor entre a construtora e os políticos não dá sinais de arrefecer: 


No site da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional é possível verificar que a milionária Odebrecht deve mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos. Mesmo com essa dívida, continua a ter acesso ao financiamento público, através do BNDES – além de recorrentemente ser a “número 1” das licitações para obras públicas.  
A empresa também consta na lista de devedores de IPTU em São Paulo. Há pelo menos 10 imóveis pendentes na lista da empreiteira, mas os valores não são divulgados.  
A Odebrecht também é investigada e questionada pelo Ministério Público Federal em outros casos, como na quantia gasta na reforma do estádio Fonte Nova, na Bahia, onde foram investidos R$1,6 bilhões. 
O superfaturamento envolvendo a empresa é investigado em outra obra na Bahia. A construção do metrô de Salvador segue desde 1997. São incríveis 16 anos e as previsões não são otimistas: o metrô nem sequer ficará pronto para a Copa do Mundo. 
Mais uma investigação que também corre em sigilo envolve a maior estatal do país. O Ministério Público investiga um contrato milionário de prestação de serviços pela Odebrecht à Petrobrás: há denuncias de superfaturamento. 
Os exemplos não param por aí: envolvem obras públicas, parcerias públicas-pivadas (PPP), investimentos privados, especulação no mercado imobiliário. Os casos são, na medida do negociável, divulgados na mídia tradicional. Mas são e na atual lógica sempre serão invisíveis aos órgãos competentes.


Nas manifestações democráticas, a população mandou
Dilma e sua trupe de capachos da FIFA enfiarem a Copa
aonde bem entendessem: "Copa, não! Saúde e Educação".
Mas, o governo mandou a polícia descer a porrada,
ou se calou em apoio a aliados que assim procederam,
como no caso do Rio de Janeiro. 
Regra pernóstica

Cabe realmente pensar sobre o que afinal essas grandes empreiteiras têm que nós, conjunto da população, não temos, apesar de sermos nós que as sustentamos, a elas e aos seus amigos e amantes no governo. E se cito a Odebrecht, não é por ser a única ou privilegiada, pior ou melhor. É, ou parece ser, apenas mais uma entidade entre outras que parece ser tratada de forma diferenciada por políticos, governistas e, é claro, pela mídia, como os autores da matéria sugerem.

Alguém me sopra que sabe o segredo: “Altas somas disponíveis para fazer crescer o moral de seus concubinos e concubinas políticas”. 

Respondo que isso significa que, então, os governos e nossos representantes no parlamento andam nos traindo descaradamente e recebo de volta um sorriso que diz: “Mas, e daí, quem não trai?”  

O fato, me diz um conhecido experiente no ramo da política, é que os grandes empresários e grupos empresariais são dotados de uma inegável capacidade de incentivar a carreira dos amigos e uma generosidade milionária para com quem os ajuda. “Esse é o segredo”, diz ele, “e isso, na verdade, não é segredo para ninguém”, completa. 

Deve ser, deve ser, respondo. Deve ser, deve ser. Mas, e a nobreza? Não há, no Brasil, nobres nos círculos do poder? E quando falo em nobreza me refiro à dignidade que deve, ou deveria, estar presente nos atos dos que ocupam cargos públicos. Falo da elevação moral que parece, pela lógica, ser necessária para a gestão de bens comuns, ou seja, bens que pertencem à coletividade, não a alguns privilegiados. 


Se uma coisa ficou clara em 2013 foi que a Polícia Militar não sabe lidar com pessoas, cidadãos.
É uma tropa de dominação e repressão colonial, pronta para oprimir todo aquele que pretenda
exercer seus direitos e deveres políticos.  Prisões arbitrárias, agressões bárbaras e assassinatos
foram apontados como a marca da instituição que, pelas voz das ruas, deveria acabar.
Na imagem, um PM agride covardemente um cinegrafista com spray de pimenta.
O troféu "Vergonha de 2013" vai, sem dúvida, para as polícias militares brasileiras.
E o descuido, o descaso com a vida humana? Empresas e entidades governamentais parecem fechar os olhos ou mesmo incentivar as condições de trabalho e de vida que levam pessoas a se deixar escravizar, como única alternativa para a sobrevivência e, muitas vezes, para satisfazer a sanha consumista que virou sinônimo de felicidade, embora não seja nada disso, muito pelo contrário. 

Embora compreenda o “todo mundo faz, vou fazer também e me dar bem”, não posso acreditar que seja, no fim das contas, a regra. 

“Mas, é a regra, mas só para os vencedores”, me diz alguém. “Só para os vencedores”.

Não sei como é no resto do mundo, mas é assim que funciona no Brasil. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário