sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Transportar 500 kg de pó não é coisa que se faça por conta própria, assim, sem ninguém saber

E assim foge a humanidade
A novidade é que o piloto do helicóptero que carregava 500 kg de cocaína ia faturar algo em torno de R$ 50 milhões com a carga. Coitado, ia virar patrão, mas a polícia estragou tudo. Dizem que ia, inclusive, deixar uma gorjeta para os Perrella, que andam em dificuldades financeiras, mas, é claro, não se envolveriam em negócios escusos. E há quem jure que o novo milionário também ia conseguir financiar uns reforços para o time dos patrões, o atual campeão brasileiro Cruzeiro Esporte Clube, que também anda precisando de uma força. 

Outra nova é que o piloto quase milionário resolveu dizer que não tem nada a ver com esse negócio de pó. A culpa agora é do copiloto, que, por sua vez, afirma que podia jurar que transportava “muamba”, não cocaína. Pelo menos ele admite que algo não muito legal estava sendo transportado.  

Falta, porém, uma informação importante, que bem poderia ser divulgada. Parece que o helicóptero estava em terras de alguém quando foi apreendido. De quem? Será possível responder sem melindres? Se quebraram o sigilo telefônico dos patrões e do piloto, se é que isso aconteceu, dá para saber se eles se falaram ou exatamente com quem falaram antes da polícia dar o bote? 


O pessoal fica todo assanhado, achando a maior graça da história de que o piloto é o culpado por tudo. Todo mundo duvida. Ué, até pode ser, não é? 

Pode, é claro. O problema é que é improvável. 

Sem provas, ficamos diante do espelho
A mensagem da cultura das mídias:
só é verdade o que é verdadeiramente falso. 

Leio que um policial de peso se adianta para afirmar que não há provas de envolvimento dos Perrella com tráfico de drogas. Ótimo. O problema é que, seguindo o mesmo raciocínio, também parece não haver provas conclusivas de que o piloto agia por conta própria. Parece mesmo, à primeira vista, difícil crer que agia. 

Transportar 500 kg de pó não é coisa que se faça por conta própria, assim, sem ninguém saber e o caso expõe uma terrível situação especular à qual estamos submetidos o tempo todo pela cultura das mídias e cuja formulação pode ser feita da seguinte forma: 

Quando a imprensa nos diz que algo “é”, é possível que isso só seja do jeito que a imprensa diz por conta de que alguém quer que você pense que assim seja. Se olhar bem de perto, você poderá ver que nada do que se disse ser, na verdade é do jeito que se disse. E o que supostamente é dito como verdadeiro só existe mesmo para nos desviar a atenção do que é verdadeiro, mas não é dito. 

Em outros termos, para sobreviver é preciso que você aprenda a se orientar em uma sala de espelhos. Boa sorte.

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