quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sobre a práxis contraditória

Sob um vértice, a contradição na práxis pode ser pensada pela dialética no modelo usado por Walter Benjamin no “A obra de arte no tempo de sua reprodutibilidade técnica”: a estetização da política X politização da arte. O primeiro movimento, que é também o de praticamente todas as iniciativas fascistas (como Benjamin parece sugerir), ou seja o de tornar algo (no caso do texto a “obra de arte”) imóvel, petrificado, claramente morto para o pensamento. Já o segundo movimento propõe o oposto como alternativa revolucionária: é preciso fazer das coisas algo vivo, dinâmico, em permanente (ou quase) conflito e luta. 

A estrutura dessa fórmula está explicitada em Lefebvre, no livro “Lógica formal/Lógica dialética”, como a essência da dialética (se é que isso existe). A proposta do fascista é nos fazer crer na aparência como circuito fechado, como imagem pronta. O projeto do comunista, para ambos, seria a de ler as aparências. Para o fascista, uma imagem tem que valer mais que mil palavras e é preciso te convencer disso. A resposta de Benjamin e Lefebvre é a que propõe entender que sem uma palavra, mil imagens são absolutamente inúteis. 

E, que fique claro: fascistas não são exatamente apenas aqueles sujeitos de bigodes e fardas militares, conforme a mídia do século XX estereotipou. O fascismo é uma práxis. Não há roupas ou aparências adequadas para definir um fascista, até porque, sendo uma práxis, pode ser remetida a uma lógica subjetiva (fundante de uma pessoa, um sujeito, de uma sujeição a uma ideologia) que, não raro, assume diferentes formas, muitas vezes objetivamente contraditórias e até mesmo embrulhadas por uma suposta e simpática amistosidade e cheias de boas intenções. 

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