quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Fora com os arrivistas

Leio que a presidente da República acredita que o seu poder, o Executivo, está acima de todos os outros e dispensa a Geap Autogestão em Saúde (uma fundação de direito privado), de concorrer com outras operadoras de planos de saúde na oferta de planos de saúde para servidores públicos. Segundo matéria do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, fala-se de 3 milhões de usuários (tudo isso?) e de R$ 10 bilhões anuais. É muita gente e muito dinheiro e, segundo o jornal, 


“A Geap teve como dirigentes quadros do PT e está sob a influência do partido - os ministérios patrocinadores indicavam seus dirigentes”. 

Vou resumir o filme: quando fomos às urnas para eleger Lula em 2002, se é que você fez isso, não elegemos um estadista, muito menos um grupo político. Elegemos um arrivista* e, como disse Florestan Fernandes, “um grupo de sindicalistas querendo melhorar de vida”. 

Os sindicalistas melhoraram de vida e se tornaram pessoas distintas, que agora são chamadas até de “doutô”. Aí, grudaram na carne e dela pretendem viver como um tipo de verme. A sua carne, a minha carne. Nós é que estamos pagando os regabofes desse pessoal, as migalhas que eles jogam para um lado e o caviar que servem a seus patrões, o grupo de grandes banqueiros, ou, talvez mais precisamente, os financistas. 

Em 2014, será, só de pagamento da dívida que Lula disse paga, um trilhão de reais. Já imaginou esse dinheiro no nosso bolso, para melhores serviços públicos? Isso, fora a farra da Copa... O estádio de Curitiba, o do Atlético Paranaense, quem você acha que está pagando e quem vai pagar, no final? 

Não creio que haja grande diferença entre esses arrivistas e outros que pretendem também chegar ao poder máximo da Nação (sim, Nação, embora esse tal Brasil, hoje, aparente ser um simples balcão de negócios, pode e deve, ao menos por respeito, ser tratado como Nação), mas penso que doze anos com essa trupe já foram suficientes para saber aonde vamos desse jeito. 

Por isso, tenho proposto o voto “Fora PTraidores”. Se no segundo turno a opção for entre esse grupo e qualquer outro, até mesmo o diabo, com ou sem rabo e chifres, só tenho uma certeza: no PT eu não voto. 

Não me parece haver, neste exato momento, uma opção política para o poder hegemônico que se apresente substancialmente melhor do que o atual grupo. Só que este já está no poder há onze anos e completará doze ano que vem. Isso significa três mandatos e significa que esse grupo já está expert, já vai criando raízes no Poder Executivo Federal. Mais: não investe no Estado, mas pretende transformar o Governo em Estado, pois tem quase 100 mil comissionados em ação intestina e, segundo uma série de denúncias, vem fazendo em todos os níveis o que pretende fazer com a Geap: aparelhar serviços, sistemas e programas diversos. O que significa isso? Que para ter acesso a eles, tanto para neles trabalhar como para obter serviços, o cidadão deve considerar filiação ou algum tipo de adesão ao partido. 

No caso da filiação, como é o partido que está ajudando o sujeito a obter emprego e salário, este deve destinar uma parte de seus ganhos ao partido, segundo consta de conversas que venho tendo com o pessoal de saúde. Logo, forma-se um partido forte para se manter no poder, não para servir à sociedade que o viu nascer, nele investiu e nele confiou. 

Não foi para isso que elegemos Lula e Dilma. Não foi para entregar o petróleo e para vê-los apoiar políticos desqualificáveis como Sergio Cabral e Paes, no Rio, Sarney e tantos outros. Não foi para nos endividar, não foi para usar força repressiva contra cidadãos. 

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PS: Por que no Brasil a “urna eletrônica” parece ser inquestionável? Você confia nela? 

* Uma boa definição do que é um arrivista pode ser encontrada em (http://www.dicionarioinformal.com.br/arrivista/): 

“Indivíduo ambicioso que deseja subir socialmente usando quaisquer recursos, inclusive aqueles que a própria sociedade condena. Geralmente o arrivista não é muito bem visto, mas não deixa de comer os restos das festas. Vem do francês arriviste, do verbo arriver – subir” (Na verdade, "arriver" não é exatamente subir, mas "subir na vida", "obter êxito").

4 comentários:

  1. O governador Cabral usou mt bem do poder que foi dado a ele, Lula ainda é um grande aliado que sabe a importância que ele tem e todo seu potêncial político que se traduziu em um novo Rio.

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    1. Caro Anônimo, nesse caso, sábias são as palavras do Olavão de Carvalho: “O cinismo é a afirmação ostensiva do vício como virtude.” Parabéns pelo cinismo. É lamentável, mas é um caminho. Até porque sempre há quem o veja como perspicácia na percepção da realidade.

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  2. Cinismo parte aqueles que não sabem reconhecer as mudanças do tempo em que vivemos, não há como negar que há grandes exemplos que podem ser inumerados.

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  3. Ok, aguardo a lista dos grandes exemplos. Quem sabe eu, então, saiba reconhecer as mudanças, porque até agora não as vejo. Mas... sempre há tempo de rever conceitos.

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