terça-feira, 10 de setembro de 2013

Tira o olho do umbigo, Tezza!

Fico pensando o que o articulista da Gazeta do Povo (PR) tanto vê no próprio umbigo...
esses depressivos são mesmo um tanto esquisitos
Leio o texto “Juventude e fascismo”, de um sujeito chamado Cristóvão Tezza, publicado neste link

Como de outras vezes, o autor parece estar deprimido e olhando para o próprio umbigo... 

Como prefiro não olhar tanto para esta cavidade em meio à minha barriga e gosto de debater e esclarecer as coisas, me proponho a pensar e criticar o texto depressivo e um tanto provinciano de Tezza.

Ponto número 1: a oposição da “revolução dos anos 1960” foi mais retórica do que real e autores como Luís Britto Garcia já denunciaram isso de forma clara. Parece ter havido mais uma reforma “comercial”, promovida pelo Capital do que uma efetiva mudança de acordo com os interesses das pessoas e uma ilusão é dizer que a pílula veio depois da “revolução sexual”, quando tudo indica que o que ocorreu foi o oposto. 

Negri e Hardt, com as obras Império e Multidão revelam uma ideia lúcida: a multidão pressionou por mudanças na rigidez da modernidade (Bauman a chama de modernidade sólida, em oposição à modernidade líquida, a pós-moderna), mas gerou o Império, muito mais autoritário e ditatorial do que o que havia antes. 

Em resumo, se houve revolução, foi contra quem se julga tê-la feito. 


Os jovens roqueiros sempre foram meio conformados, na verdade. Hoje, observo que boa parte deles, já não tão jovens, ficam indignados com os black blocs. Para mim, isso é inveja, pois estes estão enfrentando o poder que os oprime, enquanto aqueles sempre foram aliados do poder que os oprime. 

Em boa parte, como parece indicado no livro “A Criação da Juventude”, de Jon Savage, a juventude rebelde dos anos 50/60 foi uma criação perfeita para a tal “revolução” que nunca existiu. Thomas Doherty mostra como a “juventude rebelde” parece ter sido um projeto que rendeu bastante dinheiro aos tycoons hollywoodianos e foi claramente bem estudada. 

Quando Tezza fala da “velha repressão puritana” ele passa com um rolo compressor sobre a realidade e não percebe que havia ali muito mais do que isso: havia uma clara hipocrisia, que era detectada claramente pelos filhos, ou pelo menos por boa parte deles. Se você conhece a sociedade curitibana, então, pode perceber porque a “contracultura” roqueira se desenvolveu com tanta força nela. Vida dupla. O puritano característico é essencialmente um obsceno, basta virar a moeda. E o puritano (alguns usam o termo "falso puritano") imagina que a liberdade é nociva, pois a imagina como devassidão e loucura. Observe os jovens curitibanos de vinte ou trinta anos atrás e verá que boa parte deles realizou exatamente o que os pais “puritanos” (falsos) imaginavam ser a liberdade, ou seja, os meninos e meninas manifestaram o lado oculto do puritanismo abraçando as drogas, o sexo e o rock'n'roll. Isso aconteceu em Curitiba nos anos 1980/90, mais ou menos, mas tinha acontecido em outros lugares bem antes. Dos lugares que investiguei, Curitiba parece ter sido onde isso ocorreu de forma mais clara e mais estereotipada. 

Cabe pensar que a tal “revolução dos costumes” foi de certo modo fruto da prosperidade da sociedade capitalista a partir do keynesianismo. Todo o movimento posterior, com a virada liberal, parece demonstrar que os grandes capitalistas (quem sabe se poderia definir melhor esses tipos) engordaram o bolo para depois dividi-lo a seu favor. Inseriram jovens e mulheres no mundo da taxação, criaram novos nichos de consumo e seguiram felizes, "cabelo ao vento, gente jovem reunida".

Ponto número 2: Sobram perguntas a ser respondidas. Por que Tezza diz que o Black Bloc é “classicamente fascista”? Qual a definição de fascismo que utiliza? Poderá a designação fascista resumir os tais black blocs? E o Estado que manda a polícia bater indiscriminadamente, jogar gás, balas de borracha e de chumbo? Quando a menina diz que “eles começaram”, referindo-se à polícia, está sendo cínica por quê, se efetivamente foi a polícia que começou o vandalismo durante todas as manifestações, principalmente a primeira que ganhou visibilidade, em São Paulo? 

Desconhece o autor que um P2 foi acusado de jogar molotov contra os colegas na Rua Pinheiro Machado, no Rio, perto do Palácio Guanabara, e que, após essa denúncia, não houve mais molotovs em manifestações? Há imagens que, se não são definitivas, pois foram feitas com equipamentos de baixa resolução, dão indícios muitos fortes de que isso realmente aconteceu. 

Mas, Tezza, na placidez de sua consciência aparentemente passiva, parece ignorar isso. Continua falando em molotovs e imagina rosnados e inteligências caladas... Depressão tem cura, meu caro. 

No texto, Tezza praticamente se confessa um esmerado observador do umbigo, comprando pão e observando uma guardinha multar um carro, mas se sente cosmopolita o suficiente para falar sobre o que não conhece, não viu e não presenciou, baseando-se apenas no que certamente assistiu pela TV. 

Ora, ora... 

É preciso dizer a ele que há muito mais coisas entre ele e o mundo, além de seu próprio umbigo. 

PS: Ah, alguém também precisa mandar o moço ir protestar de cara limpa. Vá sem máscara, levará porrada da polícia e será identificado e preso com mais facilidade. Vá com máscara, levará porrada da polícia e poderá criar mais dificuldades para ser identificado e preso. Nas primeiras manifestações, não havia máscaras, ou, se havia, era uma ou outra. A polícia bateu do mesmo jeito. Foi ela que começou, sim, depressivo Tezza. Pára de olhar o umbigo. Tem gente viva no mundo, pode ter certeza. 

Aí, converso com um amigo sobre o assunto e ele me diz algo como "quem tem razão não usa máscara". Bem, quase lhe disse que ele não tem tanta razão assim, pois claramente usa uma máscara todo o tempo, a de palhaço. 

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