quinta-feira, 26 de setembro de 2013

The Economist diz que chapa está quente para governo brasileiro

Há quase doze anos o governo brasileiro joga para uma plateia específica, a que escreve e lê a The Economist – os liberais e neoliberais, que se tenha claro isso. Bem, essa revista disse, com todas as letras, que Lula continuou e acelerou o processo iniciado por Fernando Henrique Cardoso. Logo, não sou eu que digo, é a própria The Economist: 
"The economy, having stabilised under Fernando Henrique Cardoso in the mid-1990s, accelerated under Luiz Inácio Lula da Silva in the early 2000s". 
O entusiasmo da publicação liberalíssima foi tanto que, em 2009, publicou uma capa na qual o Cristo Redentor, monumento carioca que é símbolo do Brasil no resto do mundo, decolava igual a um foguete do alto do Morro do Corcovado. 

Já neste mês de setembro, a capa mudou e a história também. A revista expressa todo o descontentamento do tal “mercado” com o governo brasileiro. O teor da matéria da revista bate com informação publicada neste blog há alguns meses em texto do jornalista Jorge Serrão (http://luizgeremias.blogspot.com.br/2013/06/jorge-serrao-oligarquia-globalitaria-ja.html), no qual está escrito: 
"O desgoverno do Brasil tem cada vez menos o controle do leme. Por isso, a Oligarquia Financeira Transnacional já prepara a substituição da petralhada no poder. Claro, será a velha troca de 13 por doze mais um. O controlador globalitário continua o mesmo. O modelo econômico neocolonial e entreguista também não se altera. Muda apenas o marionete."
O sinal vermelho está aceso, mas não de hoje. Em junho, a mesma The Economist já dava o primeiro alerta, provavelmente o que inspirou o texto de Serrão. 


A matéria de setembro é o segundo sinal. O terceiro, quem sabe, será dado ano que vem. Aí, será tarde para o grupo que ocupa o poder. Se parece ter perdido o apoio da “elite globalitária”, precisaria tentar, com urgência, ganhar apoio popular, embora isso não garanta a vitória nas urnas. No entanto, o governo parece cada vez mais distante das ruas e apostando desesperadamente nos bolsistas. Serão eles suficientes para a vitória? 

Há quem diga, por outro lado, que a matéria é um aviso. A insatisfação dos liberais leva em conta que o governo Dilma está gastando demais e que não tem metas fiscais definidas, além de um suposto protecionismo no petróleo. A insatisfação parece ser, pontualmente, com a presidente. Quem sabe não é um aviso para que Lula se recupere da doença que o aflige e se candidate para mais um mandato? 

Parece claro que o governo Lula foi bem mais atraente para os liberais, vide a Reforma da Previdência e a renegociação da Dívida Externa, transformando-a em interna e, como tal, triplicando-a ou mesmo quadruplicando-a por conta dos juros. 

Para nós, brasileiros, a perspectiva é triste. Como disse Serrão, a elite financeira quer simplesmente trocar seis por meia dúzia, pois Aécio, que seria o suposto escolhido para o próximo mandato, também parece ter o rabo preso, bem preso, com eles. 

Fica o lamento de Teresa Urban, falecida este ano e que criticava Lula por ter, segundo ela, perdido a oportunidade de incluir os brasileiros pela cidadania. O que o ex-presidente fez, claramente, foi "abaixar as calças" ao grande capital e incentivar a população a consumir, consumir e consumir. E por quê? Ora, consumo gera dívidas, dívidas pagam juros e juros vão para quem? 

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