terça-feira, 24 de setembro de 2013

Dizer "Não é comigo" não é comigo

O maior covarde é o que assiste à covardia e se cala
Ontem conversei com um bravo companheiro, comunista histórico. Mas, de certo modo, me decepcionei com sua percepção da conjuntura. A impressão que tive foi de quase total acomodação. Para ele, aparentemente, as lutas estão esvaziadas, as ruas estão esvaziadas, e isso ocorre porque a população está satisfeita com o governo. Não, companheiro, não mesmo. A luta continua e não pára! 

É que ele vive em Curitiba e parece que em Curitiba as coisas tendem a parecer assim... tristes e monótonas. Pelo menos para mim, que não sou de Curitiba, isso é flagrante. Não que só aja acomodados aqui, não é isso. Conheço pessoas de luta aqui. Pessoas de muito valor mesmo! Mas, a cultura parece aquela do "não é comigo". E, para mim, essa cultura é tão flagrante que fez com que a cidade elegesse Lerner prefeito três vezes e governador duas vezes, assim como o Richa filho duas vezes, uma delas com quase 80% de votos, o que, para mim, é sintoma de doença política, alienação, ou, mais claramente, dessa síndrome do "não é comigo", que faz com que uma pessoa caia na rua em sua frente e você passe olímpico(a), como se o que estivesse no chão fosse um pedaço de papel, não alguém tão igual a você. 

É a mesma lógica que leva algumas pessoas a condenar os manifestantes do Rio de Janeiro, notadamente os que utilizam a tática Black Bloc, sem sequer saber do que se trata, com base unicamente na desinformação da mídia e nas fantasias terroríficas dos que repetem "não é comigo", para os quais tudo o que foge de perto do umbigo é monstruoso. 

No Rio de Janeiro, a luta está acesa e, por mais que tenhamos críticas aos manifestantes, aos Black Blocs ou a qualquer outro, há que se reconhecer que aquela gente é de luta e que são pessoas que não costumam dizer "não é comigo" com tanta facilidade. 

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