terça-feira, 24 de setembro de 2013

Brizola, os “filhotes da ditadura” e a opção entre fogo e frigideira em 2014

PT & PSDB unidos para
lustrar as botas dos banqueiros
Brizola tinha muitos defeitos. Acima de tudo, não parecia suportar ninguém que o ameaçasse próximo a si. Isso fez com que gerasse quasímodos como Cesar Maia, Marcelo Alencar, Garotinho e outros menos famosos, políticos basicamente "fisiológicos", medíocres, sem ideologia que não a do próprio proveito. Mas, deixemos a insignificância de lado, já que o tempo desse pessoal parece já ter passado, embora alguns tenham contaminado a política carioca e fluminense com seus rebentos. De todo modo, também são gente e merecem lá o seu espaço, embora creio que estaríamos melhor sem eles. 

Também cabe citar o político paranaense Jaime Lerner, uma espécie de parasita político que conseguiu ser prefeito da capital do Paraná por três mandatos e governador do estado por dois. Na capital, há ainda quem o admire, principalmente por suas obras “fanfarrônicas” e inúteis, como a Ópera de Arame. Os que os admiram são os que veneram a maquiagem urbana, os que acreditam que, como dizia Lerner, “precisamos criar cenários de otimismo”. Essa mentalidade também era a do publicitário dos tucanos na época de FHC, cujo nome não lembro nem acho que valha lembrar. Aliás, Lerner era político de poucas frases, provavelmente por não saber o que dizer. Quem o conhecia contava que o homem só sabia falar de ônibus, era um obcecado. 

Brizola alimentou Lerner o quanto pôde e Lerner jamais fez nada por Brizola. Nas campanhas presidenciais de 1989 e 2004, o paranaense apoiou todos menos Brizola. Na época, tentei, inclusive, entregar a Brizola um vídeo contendo a campanha de Lerner para mostrar como o maquiador urbano de Curitiba fazia campanha para FHC, mas fui barrado pelos áulicos. Como já disse, o gaúcho não escolhia bem as companhias. 

Mas, se não sabia escolher quem estava do seu lado, Brizola era um político de sensibilidade e virulento nas suas críticas. Chamou Maluf de “Filhote da Ditadura” e Lula de “Sapo Barbudo”, mas bem poderia ter unido, na primeira designação, também o político petista.  


Do fogo para a frigideira

Um diz, um ex-policial, que conheci numa lanchonete árabe, me disse, poucos dias após a eleição de Lula, que havia trabalhado no DOI-CODI, órgão da repressão na Ditadura Militar, e que sabia muito bem que o petista havia sido criado por Golbery do Couto e Silva, o Maquiavel da ditadura. E, para o quê? Para dividir a oposição e manter um político confiável ao sistema como referência oposicionista. Não creio que isso incluísse um acordo tácito de Golbery ou de qualquer outro com Lula, mas sim que o ex-metalúrgico é simplesmente um político confiável para a direita, simplesmente porque se alia a ela na primeira oportunidade, como parece claramente demonstrado no seu governo, de franca submissão ao capital financeiro. A Reforma da Previdência e a dívida externa e interna que o digam. Agora, recentemente, a entrega do Pré-Sal também o confirma, embora Lula não esteja mais como titular do Executivo, mas uma de suas seguidoras, a maquiada Dilma. 
Quando a coisa aperta, Lula não hesita em
apertar a mão de um filhote da ditadura.
Isso não surpreende,
pois também é um desses filhotes.

Para mim, está claro: votei em Lula uma vez porque o governo dos tucanos foi um “desastre desastroso”. Duas vezes, porque ainda acreditei que, apesar dos fortes indícios de adesão incondicional ao capital financeiro, ainda havia tempo e espaço para uma reformulação de caminhos. Acompanhei atentamente a eleição de 2002 e sabia o quão difícil seria um governante romper com o sistema financeiro e que o Brasil havia sido quase destruído pelos tucanos. 

Na terceira eleição, a de Dilma, havia a ameaça da volta dos tucanos, na figura triste de Serra, que ficou velho e parece que não aprendeu sequer a sorrir. No entanto, nesta próxima eleição, não repito o procedimento. Se o fizer, vou assinar em baixo do quarto mandato petista, selando 16 anos, e não creio que, computados erros e acertos, os governos de Lula e Dilma tenham sido tão melhores do que os dos tucanos. Em muitos aspectos, até pelo contrário. 

Para 2014, voto para interromper o ciclo petista. Não é plausível que um partido acumule 16 anos no poder. Isso é sintoma de que a sociedade brasileira está politicamente doente, pois é sadio que haja alternância. Muito sadio, aliás. Além do mais, observo que o governo petista está operando um “golpe branco”, substituindo o Estado pelo governo. São quase 90 mil comissionados do governo privilegiados, enquanto os servidores do Estado são postos de lado. 

É preciso mudar, mas vou lamentar muito se as opções se resumirem ao PT e ao PSDB. Será como pular do fogo para a frigideira mais uma vez. Cabe a nós pelo menos tentar uma opção diferente, embora nada garanta que daqui para a frente tudo vai ser diferente. Na prática, provavelmente não será, mas é importante tentar interromper o ciclo para insuflar mudanças e transformações. Pelo menos tentar...

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