quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Você acredita que o governo está contra a elite? E em Papai Noel?

Cuidado, os números exibidos neste
texto podem causar pânico
Cabe pensar no seguinte: quantos ministérios tem o Governo do Federal, hoje? Quase perdi a conta, mas tenho certeza que algo em torno de 39, computando as secretarias ligadas à Presidência da República, que são 14. 

E os comissionados, quantos são? ATENÇÃO: essa informação requer que você esteja sentado(a): algo em torno de 90 mil, sendo aproximadamente 22.500 DASs, boa parte com salários gordos, bem gordos, que têm ainda a previsão de reajuste de até 25% em três anos. 

Ah, e o número total de servidores públicos vai a quase 985 mil, boa parte com salários bem mais magros, que ganharam apenas a promessa de reajuste de 15% nos mesmos três anos. Quanto se consome sustentando essa máquina? Continue sentado(a): mais ou menos R$ 60 bilhões, que vão, proporcionalmente, muito mais para os 90 mil do que para os 985 mil, é claro. 

E tem as “bolsas”. O programa Bolsa Família custa, aproximadamente, R$ 25 bilhões anuais. 

Pior ainda: a arrecadação do Governo Federal está em R$ 1 trilhão. Aí você diz, “Pô, mas sobra bastante dinheiro, aí...”. Tolinho, ou tolinha: lembre-se que, desse trilhão, algo em torno de R$ 500 bilhões anuais, que só aumentam, pois há os juros altíssimos, vão para o famigerado pagamento da dívida e amortização dos juros. Bote, aí, os R$ 60 bilhões básicos com as despesas da máquina, os 25 do Bolsa Família e as demais despesas. Não dá, não sobra nada, pelo contrário. Matéria do jornal Zero Hora, datada de 15/07/2013, dá conta de que, somente no primeiro semestre, as despesas do governo passaram de R$ 1 trilhão. 


O dinheiro que não sobra é o que não vai para os serviços e programas sociais. O mesmo Zero Hora fala de corte de R$ 15 bilhões. Em quê? Quem respondeu investimentos e programas sociais acertou. As despesas crescem e os investimentos minguam. As bolsas se mantém, pois são as migalhas com as quais o governo tenta comprar o "povão".
Calma: Papai Noel existe, só não é o que você esperava que fosse

Você acredita no pagamento da dívida? E na Fada dos dentes? 

Aí, vem a parte mais trágica da história. Aí pelo fim de 2007, início de 2008, Lula e sua turma vieram a público anunciar que, ATENÇÃO, a dívida externa brasileira havia sido quitada. Ninguém pode dizer que a “velha mídia golpista”, o famigerado PIG (o chamado Partido da Imprensa Golpista, o conjunto de empresas que controlam a imprensa brasileira), não tenha divulgado isso com fogos de artifício e bandeirolas. O Estadão, por exemplo, chegou a falar em “virada histórica”, em exultar o fim do triste status de devedores para o início de uma nova era em que seríamos credores. O carioca O Globo também comemorava a nova era, além de tantos outros veículos. Se o PIG é como diz a tropa de choque petista, naquele momento o golpe não era contra o PT, parecia dado com a iniciativa deste. 

Bem, todas as fontes consultadas, inclusive as oficiais, me levam a crer que o pagamento da dívida externa ocorreu, sim, claramente... Mas... (esse “mas” é que é dolorido) 

Observe: se considerarmos a dívida interna, esta cresceu e chegou a 1,4 trilhão, o que é mais do que o governo arrecada anualmente e representa aproximadamente 1/3 do Produto Interno Bruto (o PIB). E cabe lembrar que essa mesma dívida interna era de algo em torno de R$ 600 bilhões quando Lula assumiu. A externa era de pouco mais de R$ 200 bilhões. Some tudo e chegará a R$ 800 bilhões que, com os quebrados omitidos pelo “aproximadamente”, poderiam ir a R$ 850 bilhões. Isso, naquele tempo, em 2003. 

Como isso ocorreu? Simples: efetivamente, o governo brasileiro pagou a dívida que tinha com o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas fez isso com a ajuda dos banqueiros. Estes compraram os tais títulos da dívida pública e, no fim das contas, passaram a ser os credores do Brasil. Resultado: os juros do pagamento ao FMI iam a 4% ou 5%; já os juros pagos aos banqueiros foram a algo em torno de 20%. Logo, trata-se de um péssimo negócio para mim e para você, mas excelente para os banqueiros e para Lula e suas estrelinhas vermelhas. 

Mas, a coisa não parece ficar por aí. Como paga muito aos banqueiros, muito mesmo, quase 50% do que arrecada (desse trilhão, aproximadamente R$ 500 bilhões, como já dito, que tendem a crescer até não se sabe quanto), o governo precisa pegar mais dinheiro emprestado para sustentar seus programas, como ocorreu com o PAC, que em boa parte patrocinou e sustentou a eleição de Dilma. Logo, voltou a recorrer ao FMI e o endividamento chega a quase o triplo dos R$ 850 bilhões de 2003. 

O triplo, eu disse. 

E aí, trouxa? Vai continuar acreditando que o governo petista está contra a “elite”? Pois, para mim, estão casados e com comunhão de bens. 

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