terça-feira, 6 de agosto de 2013

Palavras são palavras, nada mais que palavras... (Valfrido Canavieira, Beltrame, Lula, Dilma, Padilha etc.)

Chico Anísio e seu Valfrido Canavieira
Leio no sítio do jornal “Extra”, a versão popular do carioca “O Globo”, que o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, que se chama José Mariano Beltrame (e ao qual muitos atribuem a responsabilidade pela onda de repressão torpe contra manifestações populares e, pior, pelas costumeiras torturas e incessantes assassinatos cometidos pela polícia carioca nos últimos anos), chutou do cargo o comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), que se chama Erir da Costa Filho. Por quê? A matéria não diz. 

Se não explica o fundamental, a matéria destaca que o secretário falou muito bem do demitido, inclusive que ele seria pessoa íntegra que “ama” (isso mesmo, ama) a corporação. No máximo, a matéria informa que o secretário acredita que se trata de uma mudança natural, que faz parte do processo de gestão e bla-bla-blá. 
O programa Mais Médicos tem um único objetivo: promover Padilha, o ministro, e lhe dar uma ajudinha no percurso até o governo de São Paulo. Não se iluda, o governo não está nem um pouco preocupado se há médicos no interior ou com a saúde de ninguém
Vindas de um político, toda e qualquer frase é vazia, pois, como dizia o personagem Valfrido Canavieira, prefeito virtual da virtual cidade Chico City*: “Palavras, são palavras, nada mais que palavras”. Ou seja, na boca de um político profissional, não querem dizer coisa nenhuma. Palavras, nesses casos, servem apenas para iludir e ludibriar. 

Briga com médicos é para desviar a atenção:
Padilha, ministro que pouco ou nada fez
de bom, precisa de ajuda para consolidar
candidatura a governador de São Paulo
 

Lula, em 2003, pouco tempo depois de eleito, usou palavras semelhantes para justificar a iniciativa golpista de seu governo de pôr em prática uma reforma previdenciária que só beneficiou os banqueiros e prejudicou sobremaneira os servidores públicos. Não havia nem nunca houve qualquer crise previdenciária, mas, nas palavras de Lula, a situação era caótica. Ali, naquele momento, o ex-líder sindical mostrou que havia completado o processo de transformação em político profissional, fato que tem sido ratificado até hoje. 

Mentiras são mentiras, nada mais que mentiras

Lula não é o único, mas fez escola. Sua sucessora, uma mulher chamada Dilma Rousseff, que quer ser chamada de “presidenta”, mostra, durante sua gestão, que aprendeu bem a lição do mestre. Seu governo usa as mesmas palavras vazias e não faz nada (ou quase nada) daquilo que diz fazer. Um bom exemplo foi a reação às demandas postas pelos manifestantes nas ruas em junho: ao invés de encarar de frente o problema, ao invés de usar as palavras para discutir seriamente o que a multidão queria, a presidente olhou enviesado e usou palavras para iludir, para enganar, propondo um tal plebiscito que teria como objetivo a realização de uma “reforma política” para valer já nas próximas eleições, em 2014. Em palavras claras, tentou dar um golpe, preparando o terreno para salvar o seu mandato e o de seus “companheiros”, pois é claro que se sentiu ameaçada com a revolta popular (não à toa). 

Outro exemplo é o programa que tenta levar médicos para o interior do país. De uma hora para outra, a presidente e sua equipe descobriram que faltam médicos no interior, mas não mexeram uma palha sequer para melhorar o Sistema Único de Saúde, preferindo, em vez disso, criar e promover uma campanha contra os médicos brasileiros, acusados de elitistas por não quererem ir para locais de difícil acesso esquecidos pelos governos e nos quais a existência de condições de trabalho são extremamente duvidosas. Em outros termos, o governo não quer ver a realidade, quer apenas fazer fumaça. 

Cabe lembrar que o ministro da Saúde é carta na manga do partido para ganhar o governo de São Paulo, embora seja uma incógnita que nem os funcionários do ministério sabem desvendar (segundo a maioria, é político profissional, pura e simplesmente). O programa Mais Médicos tem um único objetivo: promover Padilha, o ministro, e lhe dar uma ajudinha no percurso até o governo de São Paulo. Não se iluda, o governo não está nem um pouco preocupado se há médicos no interior ou com a saúde de ninguém.

Palavras são palavras... 

* Cidade criada, ainda na década de 1970, como cenário de um programa televisivo pelo falecido humorista Chico Anísio, que representava dezenas de personagens. 

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