quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Não se iluda: as meninas boas vão para o céu, já as más vão para aonde o capital as manda ir

Bad, bad, bad, bad girl... sei
Leio frase já conhecida nos meios facebuquianos e adjacentes:


“Meninas boas vão para o céu... e as más vão aonde querem”.

Confesso que não gosto do dito. Tem espírito "feminista" e o feminismo se estruturou sobre a rebeldia. Rebeldia me parece sempre amasiamento com o poder criticado pelo rebelde... Como dizia Erich Fromm, o rebelde é contra o poder instituído, criticado veemente por ele, até a quinta página. O ódio acaba quando o poder reconhece o rebelde e sua rebeldia e/ou o rebelde consegue poder igual. Assim, o rebelde se revela como uma fera que quer atenção e que, quando a recebe, se torna uma ovelhinha.

Afinal, meninas boas, más, qual a diferença? São boas ou más de acordo com um ponto de vista, o ponto de vista do poder, nesse caso, o poder hegemônico, nos termos de Gramsci. E o poder hegemônico nem sempre é estúpido, aliás, raramente o é. Nem sempre o que parece bom é bom e o que parece mau é mau. Geralmente, exatamente por não ser estúpido, o poder cultural hegemônico usa de expedientes para torcer essa relação, de modo que o que parece bom ou mau é, na verdade, o oposto.

Meninas boas ou más atestam o ponto de vista hegemônico, tanto faz. E, como lembra Terry Eagleton, o sistema capitalista sempre flertou amorosamente com a transgressão. O capitalismo ama as meninas más e por isso lhes dá o máximo apoio. Para o capitalista, ser mau é que importa e meninas más não vão exatamente aonde querem, mas aonde o capital as manda ir. 

Alguém precisa explicar a essas meninas, boas e/ou más, que melhor é fazer como Nietzsche e estar para além do bem e do mal.

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