sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A esquerda que estetiza a política em vez de politizar a arte

É assim que o governo parece querer
que imaginemos um médico cubano
Os médicos cubanos devem ser mágicos, vão chegar, aprender língua, cultura, se engajar nos programas do SUS em quinze dias, uau, e tudo sem validação ou revalidação de diploma, sem adaptação - climas, culturas, doenças diferentes, tudo diferente é só um detalhe, claro. Se isso acontecer, o governo do PT ganha meu voto e o de um monte de gente, pois terá mostrado que estava mais certo do que todos imaginávamos e que, acima de tudo, adquiriu propriedades mágicas durante estes últimos onze anos.

Só vai haver um problema, aliás, dois, um problema certo, outro possível:

1) como dizem alguns cartazes, não faltam exatamente médicos, faltam principalmente condições e para descobrir isso basta conversar com alguns jovens médicos e ouvir suas experiências no interior;

2) há informações de que as condições estão bastante debilitadas por conta de, em alguns lugares, os programas ACS e PSF terem se transformado em meros "aparelhos" de militância e votos. Não sei a proporção disso nacionalmente, mas ouvi relatos de situações como essa em alguns municípios.

Melhor seria, se o caso fosse resolver efetivamente as coisas, aceitar a proposta de investir um percentual de 10% básico no SUS, ou seja, investir no SUS. A proposta do SUS é excelente e poderíamos ter uma saúde pública cubana aqui, ou, como outras que também funcionam aparentemente bem, como a inglesa ou a francesa.


Claro que isso seria bom, mas criar um programa de fantasia parece ser bem melhor, tudo indica.
Já disse e vou dizer novamente: assim, o governo mostra que não quer resolver o problema, quer estetizá-lo, resolvê-lo no campo da fantasia, no qual não há pessoas, apenas estatísticas e belas palavras entremeadas com os cadáveres que nos sorriem nas propagandas. O método é fascista e o “Mais Médicos” é um programa que poderia ser encampado pelo Duce, por Hitler, Salazar, Franco ou Garrastazu. Tem a “aura” que encantaria qualquer um desses lamentáveis personagens da história recente.


Sei não, mas se tiver conhecimento de como esse nosso governo “de esquerda” tem procedido, Walter Benjamin, esteja onde esteja, deve estar pensando que, no fim das contas, a esquerda, ao menos no Brasil, acabou se especializando em estetizar a política ao invés de politizar a arte. 

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