quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Números do Governo Federal, sem maquiagem

Não, não são as torcidas do Flamengo e do Corinthians
reunidas, são os ministros da Dilma
Ministérios: 39

Cargos Comissionados: em tono de 90 mil, sendo 22,5 mil "DAS"

Servidores Públicos: 985 mil

Reajuste salarial para os comissionados: 25% em 3 anos

Reajuste salarial para os servidores: 15% em 3 anos

Custo de manutenção da "máquina": aproximadamente R$ 60 bilhões

Custo do Bolsa Família: algo em torno de 25 bilhões

Arrecadação: aproximadamente R$ 1 trilhão anual

Dívida interna e externa somadas, hoje: calcula-se que possa estar, em breve, chegando aos R$ 3 trilhões, graças aos juros escorchantes

Dívida interna e externa somadas, há onze anos: R$ 850 bilhões

Você acredita que o governo está contra a elite? E em Papai Noel?

Cuidado, os números exibidos neste
texto podem causar pânico
Cabe pensar no seguinte: quantos ministérios tem o Governo do Federal, hoje? Quase perdi a conta, mas tenho certeza que algo em torno de 39, computando as secretarias ligadas à Presidência da República, que são 14. 

E os comissionados, quantos são? ATENÇÃO: essa informação requer que você esteja sentado(a): algo em torno de 90 mil, sendo aproximadamente 22.500 DASs, boa parte com salários gordos, bem gordos, que têm ainda a previsão de reajuste de até 25% em três anos. 

Ah, e o número total de servidores públicos vai a quase 985 mil, boa parte com salários bem mais magros, que ganharam apenas a promessa de reajuste de 15% nos mesmos três anos. Quanto se consome sustentando essa máquina? Continue sentado(a): mais ou menos R$ 60 bilhões, que vão, proporcionalmente, muito mais para os 90 mil do que para os 985 mil, é claro. 

E tem as “bolsas”. O programa Bolsa Família custa, aproximadamente, R$ 25 bilhões anuais. 

Pior ainda: a arrecadação do Governo Federal está em R$ 1 trilhão. Aí você diz, “Pô, mas sobra bastante dinheiro, aí...”. Tolinho, ou tolinha: lembre-se que, desse trilhão, algo em torno de R$ 500 bilhões anuais, que só aumentam, pois há os juros altíssimos, vão para o famigerado pagamento da dívida e amortização dos juros. Bote, aí, os R$ 60 bilhões básicos com as despesas da máquina, os 25 do Bolsa Família e as demais despesas. Não dá, não sobra nada, pelo contrário. Matéria do jornal Zero Hora, datada de 15/07/2013, dá conta de que, somente no primeiro semestre, as despesas do governo passaram de R$ 1 trilhão. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Jornalismo de fancaria

O texto da imagem bem poderia estar publicado na revista Veja, assim como essa mesma revista já publicou certos elogios a médicos cubanos, quando no governo FHC. Digo, porque se trata de certo jornalismo de fancaria, como diria o Requião, ou seja, jornalismo de ideias grosseiras, que não incentiva o pensamento, não sustenta elementos para uma análise, não ajuda a refletir.

Pelo contrário, com imagens sensacionalistas, infantilizadoras, esse tipo de jornalismo aposta na burrice, estetizando um tema político que deveria ser tratado politicamente, com mais capacidade de reflexão.

Lamentável e o engraçado é que as imagens utilizadas no texto são dignas daqueles que alguns chamam de "coxinhas", (para quem não sabe o que é, trata-se de algo como clones de Luciano Huck, direitistas, entendo, defensores do status quo). Mas, como os opostos têm o péssimo hábito de se atrair, os que os chamam de coxinhas se não o são também, talvez possam ser chamados de risolinhos ou pasteizinhos, quem sabe... tão iguais são aos difamados "coxinhas". 

Mas, de todo modo, é apenas um trecho de um texto e o jornalista pode ter elevado o nível em outro, nunca se sabe...


No entanto, pelo que tenho visto, a tendência é se manter na discussão rasa mesmo, com imagens de folhetim, assim como fazem outros daqueles que defino como da "tropa de choque" do governo. Tudo bem, quem compra essa percepção da realidade que assuma a responsabilidade pelo que está fazendo e propondo.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Tereza Gonçalves: A pouca profundidade geral da discussão sobre médicos

Governo criou programa que não resolve nada e
transforma o debate politico em briga de torcida
24/08/2013- por Tereza Gonçalves

Tentando pensar com "um pouco mais de hora nessa calma".. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar.. A questão em "discussão" é Saúde Pública, direito Constitucional, mexe com a coisa mais sagrada de todos nós, merecia debate sério e não o Fla x Flu que se tornou.

Juro que é a última vez que tento e farei aqui pelo nível de debate (aparentemente) possível. E se a opção por aqui também for apenas esculacho do GF ou dos médicos (a depender da ideologia pessoal). Paciência.
Minha opinião, que não é otimista: não acredito se a coisa ficar nisso... E não acredito que não vá ficar só nisso. É o que me entristece. Perde-se a grande oportunidade de discutir saúde globalmente por uma questão eleitoreira de um lado e corporativista de outro. E quem sofre nós sabemos, são sempre os que menos tem voz 
O governo "identificou" bastante tardiamente um problema que de fato existe, faltam profissionais de saúde (não apenas médicos) nas periferias de grandes cidades e em locais distantes do Centro Sul. Digo tardiamente porque o problema vem de MUITOS anos e o partido que está no GF está no poder há 11... Antes tarde do que nunca? Ok, mas não dá prá não desconfiar que a um ano das eleições majoritárias e depois das pesquisas de popularidade pós manifestações, a proposta tenha sido colocada a toque de caixa principalmente por questões eleitoreiras. E nem vale argumentar que tem tantos problemas a serem resolvidos que não dava para ter dado atenção antes, saúde e educação nunca saem das pautas de campanha, mas saem rapidamente das realizações e ficamos com as promessas..

João Paulo Gonzaga de Faria: Mais Fatos e Menos Propaganda – A verdade sobre os Médicos no Brasil

A prestidigitação parece ser uma das habilidades
melhor desenvolvidas pelo atual Governo Federal
(Zan Zig performing with rabbit and roses,
magician poster, 1899-2)
Publico texto de João Paulo Gonzaga de Faria que fala de forma precisa e lúcida sobre o afamado "Mais Médicos". Lendo o texto, você compreenderá o motivo pelo qual, independentemente de preconceitos estúpidos alimentados pelo próprio governo e por setores um tanto turrões da sociedade brasileira, os médicos brasileiros têm dificuldade em aceitar o bla-bla-blá do governo sobre o programa "Mais Médicos". Esse programa não serve para resolver qualquer problema da Saúde Pública e parece ter o objetivo fundamental de criar um fato midiático para a campanha do ministro da Saúde, o Padilha, ao governo de São Paulo. 

Como já dito em outro texto, publicado aqui mesmo neste blog (http://luizgeremias.blogspot.com.br/2013/08/a-esquerda-que-estetiza-politica-em-vez.html), o governo de “esquerda” do PT tenta simplesmente estetizar a política, descumprindo o sugerido por Walter Benjamin como estratégia para desbaratar o modo fascista de fazer política. Fala-se fundamentalmente em politizar a arte (ou a estética) em confronto à iniciativa fascista de estetizar a política e esta proposta está contida no texto mais famoso de Benjamin, aquele sobre a obra de arte nos tempos de sua reprodução técnica. 

Ao contrário do que se poderia esperar, parece que a “esquerda” no Brasil, se considerarmos o PT como um partido passível de ser enquadrado nessa definição, segue o caminho oposto ao que deveria seguir e se iguala aos fascistas que diz combater, ou, até mesmo, mostra ser mais eficiente do que aqueles no que diz respeito à “manipulação das massas”. Tira da cartola um programa de saúde que não toca na realidade da Saúde Pública e consegue mobilizar em alguns setores da direita um preconceito estúpido. 

Médico não trabalha sozinho, os vetos do ato médico estão aí pra provar. Não fazemos partos ou cirurgias sem enfermeiras, não sabemos fazer fisioterapia, não sabemos estimular crianças com dificuldades ou necessidades especiais, dietas para tratar diabéticos ou obesos. E obviamente, a única coisa que sabemos sobre higiene bucal é escovar os dentes (trecho do texto)
O fato é que, ao invés de se discutir a situação da saúde brasileira, pensando soluções e propostas de melhoria, governo e oposição caem num debate estéril sobre médicos cubanos, se são a salvação da lavoura ou guerrilheiros disfarçados. 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Sakamoto: Rio perdeu o pudor de adotar o terrorismo de Estado como política pública

Leonardo Sakamoto 26/06/2013

O governo do Estado do Rio de Janeiro enlouqueceu. Não há outra forma de descrever o comportamento de suas forças de segurança nas últimas semanas. E olha que quem escreve é um morador de São Paulo, que possui uma das polícias mais meigas do país. Não estou surpreso com a violência desmesurada ou com o pouco respeito à vida e à dignidade, mas pelo fato do governo ter perdido o pudor e não se preocupar mais em esconder as besteiras que faz.

Primeiro, a selvageria contra manifestantes que marchavam em paz no Centro da capital carioca sem nenhum constrangimento, ignorando que o comportamento de um grupo de idiotas não pode justificar o tratamento ignóbil dispensado à imensa maioria pacífica. Os policiais não atuavam entre os que causavam danos ao patrimônio público, mas intimidavam ostensivamente qualquer um que não estivesse em casa vendo a novela. Isso sem contar as bombas de gás, balas de borracha e spray de pimenta lançados contra quem protestava pacificamente próximo ao estádio do Maracanã.

Somado a isso, o pânico provocado no Complexo da Maré com a operação que deixou, pelo menos, dez mortos – inclusive um policial. Supostamente, em busca de supostos responsáveis por um arrastão e, depois em clara vingança pela morte de um sargento, a força pública esculachou moradores, invadiu casas, abusou da autoridade, enfim. Centenas se reuniram para protestar contra a presença do Bope na favela e a própria polícia – pasmem – reconheceu que inocentes foram mortos.

No Rio, o terrorismo contra a pobreza, por Júlia Gaspar

Isso se chama terrorismo de Estado, cuja maior 
covardia é escolher como alvo a população pobre
O texto "No Rio, o terrorismo contra a pobreza" é de 2006 e lembra o quanto o Estado Terrorista já está instalado no Rio há tempo, muito tempo. O caveirão não é a primeira iniciativa terrorista, é a apenas um aprimoramento do terrorismo estatal contra sua própria população. Notadamente nos últimos anos, porém, a situação piorou, as práticas terroristas se acirraram e o governo do Rio, unido à prefeitura carioca, se mostra cada vez mais truculento. 

As imagens das últimas manifestações de rua só vêm corroborar isso. 

A PMERJ, totalmente fora de controle ou controlada por um ditador, bateu, simulou ataques a si própria, atirou em manifestantes com balas de borracha, balas de chumbo, jogou bombas de gás dentro de lares, bares e até mesmo dentro de uma clínica. Mostrou, acima de tudo, que não pode existir do modo como existe hoje. Tem quer ser extinta, urgentemente. Mas, é bom ter cuidado, pois todo aquele que levanta a voz contra ela corre sério risco de vida. A nada elogiável definição dessa instituição, principalmente do BOPE, como composta de assassinos frios não está distante da realidade. Certamente, não pode ser generalizada, mas os fatos mostram que deve ser levada em consideração. 

A esquerda que estetiza a política em vez de politizar a arte

É assim que o governo parece querer
que imaginemos um médico cubano
Os médicos cubanos devem ser mágicos, vão chegar, aprender língua, cultura, se engajar nos programas do SUS em quinze dias, uau, e tudo sem validação ou revalidação de diploma, sem adaptação - climas, culturas, doenças diferentes, tudo diferente é só um detalhe, claro. Se isso acontecer, o governo do PT ganha meu voto e o de um monte de gente, pois terá mostrado que estava mais certo do que todos imaginávamos e que, acima de tudo, adquiriu propriedades mágicas durante estes últimos onze anos.

Só vai haver um problema, aliás, dois, um problema certo, outro possível:

1) como dizem alguns cartazes, não faltam exatamente médicos, faltam principalmente condições e para descobrir isso basta conversar com alguns jovens médicos e ouvir suas experiências no interior;

2) há informações de que as condições estão bastante debilitadas por conta de, em alguns lugares, os programas ACS e PSF terem se transformado em meros "aparelhos" de militância e votos. Não sei a proporção disso nacionalmente, mas ouvi relatos de situações como essa em alguns municípios.

Melhor seria, se o caso fosse resolver efetivamente as coisas, aceitar a proposta de investir um percentual de 10% básico no SUS, ou seja, investir no SUS. A proposta do SUS é excelente e poderíamos ter uma saúde pública cubana aqui, ou, como outras que também funcionam aparentemente bem, como a inglesa ou a francesa.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

"Mais Médicos" para eleger Padilha

Padilha é a esperança da família para tomar o governo de
São Paulo, por isso o governo aposta no "Mais Médicos"
E se mantém a polêmica acerca de importar médicos para melhorar a saúde no interior do país. Aplausos, aplausos, louvável, senhor ministro, como é mesmo o nome... Ah, Padilha. Aplausos irônicos, senhor ministro, irônicos. 

O importante no Ministério da Saúde, hoje, é a campanha “Mais Médicos” e pronto. O SUS? Como sempre, em crise, enquanto os planos de saúde privados cada vez mais desrespeitam os clientes. Saúde no Brasil? Bem, quem sabe os médicos cubanos tragam alguma boa contribuição, pois parece que lá, na ilha, a coisa funciona. Dizem que funciona e é provável que seja verdade. A dúvida é como vão fazer ao chegar aqui e encarar um sistema que não funciona. 

Black Bloc: matéria de Ricardo Galhardo, do iG

Eles encaram a polícia e depredam agências bancárias.
São os Black Blocs
Após protestos, Black Blocs chegam à segunda geração no Brasil

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo | 18/08/2013

Manifestações criaram oportunidade para eles porem em prática o método 'ação direta', que é a depredação de símbolos do poder e do capitalismo como bancos

São Paulo, junho de 1917. Milhares de operários, na maioria formada por imigrantes espanhóis e italianos, saem às ruas da cidade na maior greve vista até então no Brasil para protestar contra as más condições de trabalho. Depois da morte de um sapateiro espanhol pela polícia, a agitação se espalha, as forças públicas são obrigadas a recuar e a sede do governo é transferida para o interior por falta de garantias de segurança na capital. Em poucos dias os patrões são levados à capitulação, aceitam reduzir a carga horária, aumentar salários e não mais explorar mão de obra infantil. Meses depois, operários do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul replicam a estratégia com sucesso. Nascia o movimento sindical brasileiro.

Corta para São Paulo, junho de 2013. Dezenas de jovens com os rostos cobertos por máscaras de lã e camisetas tentam invadir a prefeitura, incendeiam um carro da TV Record, destroem agências bancárias e concessionárias de veículos em um protesto contra o aumento da tarifa nos transportes públicos. Dias depois o prefeito e o governador capitulam e anunciam a revogação do aumento.

Em menos de um mês a estratégia era replicada em dezenas de cidades brasileiras. Em São Paulo, no dia 11 de julho, um grupo de 30 pessoas se reuniria para organizar as próximas ações, entre eles jovens que viram os protestos pela internet e decidiram aderir. Eles fazem parte da segunda geração de manifestantes que usam o método de ativismo político conhecido como Black Bloc.

Só defende o “Mais Médicos” quem detesta essa tal "Saúde Pública"

Parece que não adianta pôr em cartaz, tem que
desenhar para a presidente e seu ministro da Saúde
candidato a governador de São Paulo entenderem
(se quiserem entender, é claro)
"Eleitoreiro, irresponsável e desrespeitoso". Eis como o Conselho Federal de Medicina (CFM) classifica o programa “Mais Médicos” do Ministério da Saúde (MS), que anuncia a “importação” de milhares de médicos cubanos para já. 

Primeiro ponto de discordância entre CFM e MS: expõe a saúde da população a situações de risco, pois não está prevista qualquer verificação de competência técnica, revalidação de diploma, conhecimento de língua portuguesa. 

Está certo o CFM? Difícil negar. Está certo, certíssimo. 

Cada local, uma especificidade ignorada pelo "Mais Médicos"

O profissional que chega estudou em uma realidade específica e ninguém pode garantir, a não ser formalmente, o que não significa quase nada na prática, sua qualidade técnica. É como jogar dados tentando acertar uma soma: um risco. E, no caso, não é exatamente o governo, seu ministro da Saúde ou sua presidente que correrão os maiores riscos. Este vai ser debitado na conta da população assistida, na maior parte formada de pessoas que não têm acesso à mídia e, via de regra, financeiramente pobres, muito pobres. Tão pobres que pouca gente vai notar se houver algum problema de saúde com elas e isso é o mais cruel.

O CFM também está certo quando lembra da importância da revalidação do diploma e do conhecimento da língua. Ora, não é possível que o senhor ministro da Saúde não saiba que uma formação feita no sul do Brasil, terá que passar por inevitável reciclagem se o profissional que a cursou for trabalhar no norte. A doença que dá no sul não é exatamente a mesma que dá no norte, assim como a vegetação e a fauna. Cada localidade tem especificidades próprias e o profissional, para não chegar no local e começar a fazer besteiras, tem que se reciclar. 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Não se iluda: as meninas boas vão para o céu, já as más vão para aonde o capital as manda ir

Bad, bad, bad, bad girl... sei
Leio frase já conhecida nos meios facebuquianos e adjacentes:


“Meninas boas vão para o céu... e as más vão aonde querem”.

Confesso que não gosto do dito. Tem espírito "feminista" e o feminismo se estruturou sobre a rebeldia. Rebeldia me parece sempre amasiamento com o poder criticado pelo rebelde... Como dizia Erich Fromm, o rebelde é contra o poder instituído, criticado veemente por ele, até a quinta página. O ódio acaba quando o poder reconhece o rebelde e sua rebeldia e/ou o rebelde consegue poder igual. Assim, o rebelde se revela como uma fera que quer atenção e que, quando a recebe, se torna uma ovelhinha.

Afinal, meninas boas, más, qual a diferença? São boas ou más de acordo com um ponto de vista, o ponto de vista do poder, nesse caso, o poder hegemônico, nos termos de Gramsci. E o poder hegemônico nem sempre é estúpido, aliás, raramente o é. Nem sempre o que parece bom é bom e o que parece mau é mau. Geralmente, exatamente por não ser estúpido, o poder cultural hegemônico usa de expedientes para torcer essa relação, de modo que o que parece bom ou mau é, na verdade, o oposto.

Meninas boas ou más atestam o ponto de vista hegemônico, tanto faz. E, como lembra Terry Eagleton, o sistema capitalista sempre flertou amorosamente com a transgressão. O capitalismo ama as meninas más e por isso lhes dá o máximo apoio. Para o capitalista, ser mau é que importa e meninas más não vão exatamente aonde querem, mas aonde o capital as manda ir. 

Alguém precisa explicar a essas meninas, boas e/ou más, que melhor é fazer como Nietzsche e estar para além do bem e do mal.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Amigos, amigos, meu dinheiro à parte

Um provável amigo do governador fazendo o que sabe fazer melhor
Um sujeito chamado Beto Richa é governador do Paraná. Não sei que nome foi reduzido para dar origem ao “Beto”, nem me interessa. Já o sobrenome “Richa” é conhecido de todos e o pai do moço, José Richa, foi governador do Paraná na primeira eleição para esse cargo depois de quase duas décadas, durante a famigerada ditadura militar, que começou em 1964 para só terminar em 1985. Richa era opositor do regime militar. 

Bem, mas o que interessa neste momento presente é que o Richa, ou o Richinha, para diferenciá-lo do pai, tem bons amigos e cuida para que esses amigos sejam bem tratados, tenham boa vida etc. Legal, muito gente boa o senhor governador, um exemplo de companheirismo. 

E o que ele faz? Nomeia os amigos em algum cargo no governo do Paraná, ora! Uh, fantástico, aplausos! E, mais: esse cargo tem que ser bem remunerado, não é? De preferência, uma secretaria, de qualquer coisa, não importa. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

E viva a kakistocracia

O governo do PT não consegue esconder mais suas falcatruas e parece claro que usa de recursos do velho populismo para se sustentar no poder. Por outro lado, a oposição tucana patina em escândalos, principalmente os relacionados a um suposto jogo de propinas e vantagens no metrô paulistano e Marina Silva precisa explicar quem financia sua campanha. Parece que o despertar da campanha de 2014 anuncia que faltarão ventiladores para espalhar tanta merda. Parece uma espécie de saco de gatos no qual todos brigam e ninguém tem razão. Ou, mais precisamente, todos se acusam, mas ninguém tem a ficha limpa. 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Sobre a (in)existência do "fato em si"

Alegoria da caverna: liberação das formas
impuras rumo às ideias/fatos puras/puros?
Para cada fato há, no mínimo, um olhar, uma interpretação. Na verdade, se tomarmos em conta as referências da psicanálise, sempre há pelo menos dois olhares, dois discursos, duas interpretações, que muitas vezes se sustentam e se referem, como no processo especular. 

A questão da isenção no jornalismo deve levar em conta que um fato tem, efetivamente, pelo menos duas versões, dois olhares que fundamentam essas versões etc. Assim, é claro que para se dizer isento, o jornalista precisa fornecer versões do fato, ou levá-las em conta ao apresentar o fato. Por isso, é importante o "outro lado", levado tão pouco em conta, principalmente nos jornalões. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Polícia não é para servir a governantes ou apenas a ricos

Assim como provavelmente "apagou" o Amarildo e
tantos outros, pode apagar você, também, cuidado
Que me perdoem as excelentes pessoas que já conheci e que pertenciam ou pertenceram à instituição policial. Que me perdoe, em especial, o Anselmo, um policial militar paranaense que já não está entre nós, mas me mostrou, com seu exemplo de vida, com sua sensibilidade e caráter, que há pessoas do mais alto valor humano na corporação da Polícia Militar. Que me desculpem todos os que cultuam e, muitas vezes veneram a instituição policial militar. Mas, me sinto na obrigação de expor uma reflexão sobre o assunto “polícia”, ainda mais levando em consideração o que aconteceu e acontece no Rio de Janeiro, hoje, onde a Polícia Militar é apontada como a pior do mundo, a que mais mata, a que mais comete execuções (os famigerados “autos de resistência”, execuções sumárias ou homicídios mascarados pelo termo) e é usada, agora, apenas para defender o mandato de um governador indesejado. 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

E assim é treinada a humanidade

Pois é... Assim como em tempos de antanho o sinal de intervalo, entrada, saída etc. era já uma preparação para o apito da fábrica e a própria existência de horário já era preparação para a mecanização do corpo. Mas, hoje, ainda hoje, a escola acaba preparando os escravos do mercado de amanhã, pautados pelas provas (provar o que a quem?) e pela lógica da competição. Escolas que se transformarão em cursos para aprovação em concursos para conseguir empregos, não trabalho, que servirão para ganhar bons salários que serão gastos com álcool no fim do expediente, além de outras drogas, no início, além das contas, é claro. Posteriormente, pagarão a casa na praia ou na serra, encontros com amantes e despesas de casa, com a educação dos filhos que serão postos na escola, que os preparará para serem os escravos do mercado de amanhã, pautados pelas provas (provar o que a quem?) e pela lógica da competição e que serão cada vez mais cursos para aprovação em concursos para conseguir empregos, não trabalho, que servirão para ganhar bons salários que serão gastos com álcool no fim do expediente, além de outras drogas, no início, além das contas, é claro e que, posteriormente, pagarão a casa na praia ou na serra, encontros com amantes e despesas de casa, com a educação dos filhos que serão postos na escola, que os preparará... 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Elas querem papais (às vezes mamães), eles querem mamães (às vezes papais) e, por isso, abortam a si próprios

Mamães

Leio que amamentar aproxima a mãe do seu filho. É lógico e até mesmo natural pensar assim. Mas, como existem outras formas de entender a realidade que não a lógica ou a natureza, muitas mulheres não entendem isso. Muitas vezes, nem pensam nisso. Ou nem querem saber do assunto. 

Há mulheres que não nasceram para ser mães, todos sabemos. Seja um direito, uma escolha ou uma condição, é fundamental ter consciência disso. Não querem amamentar, simplesmente porque nunca quiseram ser mães. 

Você discorda? Problema seu. E não vale muito a pena incomodar essas criaturas com as ideias pré-moldadas que você cultua como cristalinas e verdadeiras. Nisso, você não está certo, pode ter certeza. Até porque elas também podem estar defendendo ideias pré-moldadas. 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O que é isso, companheiros? Só os ratos ficam no PT?

Por honestidade e identidade,
Dutra deixa chorando o PT
Neste início de agosto, mais um sujeito com vergonha na cara deixa o PT. 

Desta vez foi Domingos Dutra, deputado federal pelo partido no Maranhão. Chorando, Dutra disse que não pode ficar no partido que apoia Sarney, “por honestidade e identidade”. 

Ele militou com outro sujeito de fibra, Manoel da Conceição, que também rompeu com o PT e enviou carta a Lula, clamando pela dignidade do petista mor no exato momento em que este se aliava a Sarney, que foi responsável pela amputação da perna de Conceição. Dignidade? Parece que Lula não sabe, ou esqueceu o que é isso. 

Que papelão, companheiros...

Palavras são palavras, nada mais que palavras... (Valfrido Canavieira, Beltrame, Lula, Dilma, Padilha etc.)

Chico Anísio e seu Valfrido Canavieira
Leio no sítio do jornal “Extra”, a versão popular do carioca “O Globo”, que o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, que se chama José Mariano Beltrame (e ao qual muitos atribuem a responsabilidade pela onda de repressão torpe contra manifestações populares e, pior, pelas costumeiras torturas e incessantes assassinatos cometidos pela polícia carioca nos últimos anos), chutou do cargo o comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), que se chama Erir da Costa Filho. Por quê? A matéria não diz. 

Se não explica o fundamental, a matéria destaca que o secretário falou muito bem do demitido, inclusive que ele seria pessoa íntegra que “ama” (isso mesmo, ama) a corporação. No máximo, a matéria informa que o secretário acredita que se trata de uma mudança natural, que faz parte do processo de gestão e bla-bla-blá. 
O programa Mais Médicos tem um único objetivo: promover Padilha, o ministro, e lhe dar uma ajudinha no percurso até o governo de São Paulo. Não se iluda, o governo não está nem um pouco preocupado se há médicos no interior ou com a saúde de ninguém
Vindas de um político, toda e qualquer frase é vazia, pois, como dizia o personagem Valfrido Canavieira, prefeito virtual da virtual cidade Chico City*: “Palavras, são palavras, nada mais que palavras”. Ou seja, na boca de um político profissional, não querem dizer coisa nenhuma. Palavras, nesses casos, servem apenas para iludir e ludibriar. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Governo tem muita roupa suja para lavar

Sokol quer rompimento do casal
Marcus Sokol, da direção nacional do PT, está fulo com o vice-presidente Michel Temer, que é do PMDB. Segundo o dirigente, Temer teria sabotado a proposta do plebiscito da presidente Dilma Rousseff, que serviria para ratificar a realização de uma reforma política. Serviria, é bom que se diga, pois parece claro que seria, na prática, mais um golpe: o governo estaria dando uma “resposta às ruas” e, como é bem articulado no Congresso Nacional, caso o plebiscito ratificasse a reforma, teria força para manipular deputados e senadores e sair fortalecido para as próximas eleições. 

Na prática, Temer não se mexeu para agilizar o plebiscito, até porque era obviamente um golpe e tanto ele como a presidente, assim como todo mundo, sabiam disso, inclusive, provavelmente, Sokol. Só que na ética daqueles que ocupam o poder, o que beneficia o opositor costuma ser tratado como golpe, mas o que traz benefícios a si próprio ou a seu grupo é tido como “avanço”. 

De certo modo, porém, iniciativas como a Sokol devem ser bem vindas. O PT se sustenta no poder com alianças nada elogiáveis, como bem se pôde comprovar no episódio conhecido como “Mensalão”. Já é mais que hora das bases do partido se revoltarem com a enxovalhada que o governo petista está dando no nome do partido. No entanto, o que se vê é que quanto mais o grupo que tomou o Estado caga o pau, mais os militantes e simpatizantes têm que se desdobrar para defender o indefensável. Alianças como a que pôs Temer na vice não podem agradar aos militantes autênticos. 

Trabalhe 8 anos e ganhe uma boa grana de aposentadoria, mas antes se eleja senador

Só que, para se eleger senador,
tem que ter verba para a campanha, lembre-se
Logo pela manhã, descubro que 3 ministros do governo recebem aposentadoria do Senado. Ou seja, levam para casa, oficialmente, uma bufunfa considerável todos os meses, pois acumulam esses vencimentos com os de ministro. A matéria é do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, e informa que os ministros são Ideli Salvatti, César Borges e Valmir Campelo. Ela é ex-senadora pelo estado de Santa Catarina, Borges é baiano e Campelo, que é ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), cumpriu mandato por Brasília. 

Salvatti recebe R$ 5 mil líquidos, atenção, e ficou apenas 8 anos, isto é, um mandato. Um mandato, 8 anos, atente. E somente isso lhe rendeu, repito, R$ 5 mil mensais. Você bem poderia trabalhar 8 anos para receber essa grana, não podia? Campelo leva para casa R$ 7,7 mil líquidos do Senado, mais R$ 18 mil líquidos do TCU. Some e compare com o seu salário. 
E você trabalha quase metade de cada ano só para pagar impostos
Borges ganha mais: nada menos que R$ 11,4 mil e ainda fatura R$ 6 mil por ter sido deputado estadual lá na Bahia (valores líquidos). Junte isso com o salário que você lhe para ser ministro dos Transportes (R$ 18 mil líquidos).