sexta-feira, 12 de julho de 2013

Importação de médicos tem cheiro de maquiagem

A presidentA antes
Há coisas muito curiosas, mesmo muito loucas em torno de nós. 

Se você puder pensar, no mínimo suspeitará que vive algo semelhante ao exposto naquele filme chamado “Matrix”. Explico: no filme, o mundo era um terror dominado por máquinas, no qual as ditas “pessoas” viviam sonhando e, com seus sonhos, alimentavam não apenas o mundo dos sonhos no qual viviam, mas também no qual eram escravas e fonte de energia do terror maquínico. 

Olhe em volta. Olhe e ouça não apenas a mídia, o circuito ficcional transmitido por aparelhos. Olhe e ouça as pessoas que te cercam, com as quais você fala, com as quais convive real ou virtualmente. Elas próprias são mídias e, com seus pensamentos e sonhos (poder-se-ia dizer com os seus desejos, ou com “o” desejo, dando crédito a Deleuze e Guattari), reproduzem mensagens e alimentam um mundo de terror maquínico e sonhos que têm a característica do hiper-real descrito por Jean Baudrillard. 

Vamos usar um tema atual como exemplo? Observe a proposta governamental de importar médicos. 


Ando descobrindo que os argumentos contra essa importação são válidos, exatamente porque denunciam o caráter farsesco da proposta. E eles dizem o quê? Que não adianta colocar médicos no interior, ou em qualquer outro lugar, sem condições de trabalho. 
Em suma, não está errado aquele que postula que a importação de médicos é, teoricamente uma solução, mas uma solução de maquiagem. Aliás, o governo da Sra. Dilma parece ser uma maquiagem só, feito de plástico, fake, como ela própria, a presidentA. Basta olhar as fotos de cinco anos atrás e as de hoje. Há muito mais do que diferenças ideológicas entre a Dilma de antigamente e a Dilma de hoje
Bem, a não ser que você esteja falando de algo como um Deus ou Deusa da medicina, provavelmente pouco o sujeito fará. Na prática, poderá fazer um bom pé de meia, com certeza, pois a oferta salarial não é das piores para o interior.
A presidentA depois, ou seja, hoje

Não é exatamente o médico, ele próprio, que promove saúde. Com certeza, não é. Qualquer estudante de qualquer área no vasto mundo da Saúde pode atestar o que digo.

Trata-se daquilo que muitos chamam por aí de engabelação. Aí os defensores do governo, desesperados, ficam acusando os médicos brasileiros de elitismo, os chamam de golpistas, até. Coitados. Tenho lido alguns ali, naquela boutique virtual que é o Facebook. Estão em maus lençóis, até porque para defender ideias soltas no, irreais, falsas mesmo, é preciso ter muita cara de pau ou, pior, surtar na mesma frequência, o que pode ser danoso para a saúde mental. 

O governo da Sra. Dilma não está, tudo indica, investindo no SUS, muito pelo contrário, embora haja por aí números dizendo o contrário. A verdade é que o governo anda maquiando demais as contas e a realidade. A proposta de importação de médicos, embora até tenha atrativos inegáveis, pois é fato que estrangeiros podem ser muito úteis não apenas naquilo que se dispõem a fazer, como no plano do desenvolvimento humano e cultural de uma região ou mesmo país. 

Não podemos esquecer que se temos, hoje, as ricas bases de nossa cultura no mundo grego, notadamente na cidade de Mileto, na antiga Jônia, e na cidade de Atenas, devemos isso muito mais aos estrangeiros que por lá passavam e que lá habitavam do que aos nativos. Foi a troca de experiências, o contato revigorante com o estranho, que impulsionou nosso mundo e, é claro, é a única experiência que impulsiona a vida. 

Nesse ponto, ok. Vamos lá ver os estrangeiros como se sairão e o que mais poderão acrescentar à vida das regiões interioranas. Ao menos filosoficamente, em termos de desenvolvimento cultural a longo prazo, ok, vamos ver no que dá. 

Só que, aí há mais um problema que denuncia a falsidade da proposta: os estrangeiros, via de regra, falam não apenas idiomas diversos do nosso, como costumam até mesmo pensar de forma diferente. É claro que isso se resolve, mas não em duas semanas, ou poucos meses. Há aí um irretorquível problema. Algo que não pode ser simplesmente maquiado, principalmente porque para o que se destinaria o médico no caso, ou seja, ações de promoção de saúde ou curativas, é recomendável certa intimidade no trato com a expressão de sintomas, sensações e lógicas culturais relativas ao que significa ser saudável ou não. 

O que essa proposta mascara, em primeiro lugar, é a compreensão da Medicina como algo acima da expressão pessoal e íntima de um estado particular. Para quem propõe isso, o ser humano é uma máquina para a qual a Medicina tem uma única e universal compreensão. Em outros termos, com outras palavras e em outros contextos, essa sempre foi a lógica dos caudilhos. 

Em suma, não está errado aquele que postula que a importação de médicos é, teoricamente uma solução, mas uma solução de maquiagem. Aliás, o governo da Sra. Dilma parece ser uma maquiagem só, feito de plástico, fake, como ela própria, a presidentA. Basta olhar as fotos de cinco anos atrás e as de hoje. Há muito mais do que diferenças ideológicas entre a Dilma de antigamente e a Dilma de hoje. 

Votando ao início, pense, antes de defender o que lhe parece tão óbvio. Até porque o óbvio é um tesouro que não anda exposto e oferecido por aí. É o caso no qual o que parece ser geralmente não é. Ou seja, a coisa é uma coisa, a representação da coisa é, sempre, outra coisa. 

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