quarta-feira, 12 de junho de 2013

Segundo o povo paulistano, policial não usa toga, mas acusa, julga e pune sem medo de ser feliz

Confronto? Gente que se manifesta com voz contra a policia que se
manifesta com porrada não parece confronto: cheira a covardia.
Converso com amigo paulistano e ele me diz que em São Paulo, nos protestos contra as escorchantes tarifas do transporte público, os policiais são policiais, promotores públicos e juízes. Agridem, violentam, acusam, julgam e prendem, não necessariamente nesta ordem. Só não são advogados de defesa de ninguém, a não ser dos próprios interesses, meu amigo supõe. Ele é jornalista e ficou indignado (ah, mal dos cidadãos) com a polícia militar, sempre ela. 

Aliás, os jornalistas puderam sentir o poder dos PMs nesses momentos. O sítio Comunique-se (http://portal.comunique-se.com.br) publica informações sobre jornalistas que apanharam e foram presos durante as agressões policiais. Um repórter da Folha de São Paulo relata que foi preso porque acompanhava (como deve fazer o jornalista) a prisão e provável agressão física e moral de um manifestante. 

Bem, os policiais gostam de arrepiar sem testemunhas e, diante disso, resolveram levar o jornalista para a delegacia. Provavelmente, porque deixaram de dar umas porradas no manifestante por conta da incômoda presença jornalística. 

Devem ter ficado frustrados, tadinhos e disseram ao repórter que ele estava detido "por atrapalhar a ação da polícia". Só pode ser brincadeira, mas não é. "Chegou um policial com cassetete e disse 'se você não sair vou te bater'. Eu mostrei meu crachá, mas ele disse que isso não significava nada para ele", contou Machado no sítio do Comunique-se. Imagina se um crachazinho vai pôr termo à sanha de justiça da PM... 

Mais patética talvez tenha sido a prisão de um jornalista do UOL. Os policiais pediram seus documentos e lhe disseram: “Teje preso!”. O rapaz já tinha sido ameaçado de prisão antes de entregar os documentos, simplesmente porque perguntou sobre o motivo de ter que entregar seu documento. Sem toga, os policiais julgam e condenam. Teve sorte o jornalista. Em casos extremos, quando não há ninguém vendo, seu corpo poderia ser achado em algum riacho da cidade, como cantava e denunciava o rapper Thaíde nos idos de 1990 (no rap "Os homens da lei"). 

Ah, e teve também o repórter do R7 que provou a borracha do cassetete dos justiceiros. Mesmo mostrando o crachá da profissão para quem quisesse ver, apanhou, não tanto quanto um manifestante, cujo crime foi se manifestar, sem cassetete nem bombas: 
Como disse algum filósofo de botequim, o cassetete do PM é a melhor
regulação que a imprensa pode ter durante uma manifestação popular

Empurraram o manifestante contra a parede e começaram a bater nele. A Daia [fotógrafa] foi fazer as fotos e eu fiquei próximo. Um grupo de policiais veio dispersar quem estava vendo e eu me identifiquei, mostrei o crachá. Porém, fui puxado pelo braço por um deles, que me bateu com o cassetete, nas costas", contou ao site em que trabalha. Segundo os relatos de Mellis, ao mostrar novamente a identificação, o policial agressor foi afastado por um colega “com olhar visivelmente assustado, após perceber que era um jornalista”. Depois, bombas de gás lacrimogêneo foram jogadas para dispersar quem estava no local. Durante a manifestação, 20 pessoas foram detidas.

Ou seja, o jornalista não pode assistir o manifestante desarmado apanhar de alguns policiais, que dificilmente poderão ser chamados de outra coisa senão covardes (dizem por aí que quando dão de cara com bandidos de verdade se borram, mas eu não sei de nada, não vi nada nem ouvi nada). Como disse, policial militar gosta de bater forte, mas não suporta testemunhas. 

O outro lado

Na França o governador de São Paulo passa bem. Acabou de almoçar e, feliz, emitiu pequeno arroto após deixar a mesa. O governador não pega ônibus, mas seu interesse no setor, dizem, está no fato de receber financiamentos de campanha de alguns empresários, motivo pelo qual, dizem também, precisa manter a tarifa nos atuais R$ 3,20, um tanto cara, mas adequada, dizem mais, para garantir bons lucros a seus financiadores. Esse pessoal diz muita coisa...

Por outro lado, o governo afirma que tem planilhas sérias e que o cálculo da passagem é fundamentado nessas planilhas. Para os homens do governador, conhecidos como áulicos em alguns círculos, a passagem está baratíssima e quem está protestando tem interesse em desestabilizar o patrão, que é muito honesto e boa gente. Segundo esses mesmos homens, a lógica é a seguinte: mexeu com o patrão, mexeu com meu bolso e isso não pode, não. 

A polícia? A polícia nunca se defende das besteiras que faz, do sangue que faz rolar, via de regra sem necessidade. Segundo um policial que conheço, este mundo é o inferno e o policial tem a função de lembrar disso a todos nós, sempre, enquanto puder e enquanto viver. 

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