quinta-feira, 20 de junho de 2013

Quebraram a ALERJ? É preciso cobrar daquele que acha que polícia é para proteger seu próprio rabo

Polícia contra o povo para defender alguns? Isso também é corrupção
Transcrevo texto retirado do Facebook, sem a identificação, embora você já o possa ter sido "curtido" ou compartilhado inúmeras vezes. O que interessa, aliás, não é a autoria precisamente, mas o que ela descreve. Saber do que ela passou é importante para se ter uma noção do poder que a polícia ganhou nas últimas décadas e, principalmente naquilo em que se transformou: tropa de defesa de políticos e privilegiados em geral, não da sociedade. 

Quem já foi acusado de algo, quem já esteve numa delegacia, sabe que ali não existem nem mesmo os direitos humanos liberais (aqueles formais, da inviolabilidade disso, do direito daquilo), quanto mais a noção de que do lado do réu está um humano. O acusado, mesmo que injustamente, é um acusado e deve ser intimidado e, não raro, espancado, como vi acontecer. 

O Direito preconiza a inocência prévia de alguém, até que outro alguém prove que há culpa ou dolo. Mas, depois de detido ou preso, o cidadão não precisa mais que se prove sua culpa: é culpado desde que nasceu pelo que o doutor delegado quiser. 

No caso dos que foram presos simplesmente por estar na rua se manifestando contra uma conjuntura claramente injusta (recheada de corrupção em todos os níveis, de descaso e absoluto desprezo pela maioria das pessoas em favor de poucos) a situação ainda é mais ultrajante, daquelas que revoltam o estômago dos mais fortes. 

Há ainda os que não fizeram efetivamente nada, simplesmente passavam por uma multidão, coisa que todos os dias efetivamente fazem, mas foram detidos pela insânia das forças policiais militares. Ora, muitos cidadãos sensatos já entenderam que a Polícia Militar não pode existir com a filosofia de defender políticos e seus privilegiados. 

Cargo público não pode ser ganhar de presente uma tropa só para si, sua família e amigos, como tem sido. Uma polícia militarizada, se é que tem sentido para existir, é para invasões coloniais e, está bem, aceitemos, para a defesa do patrimônio público em caso de grave desordem. Mas, e na ALERJ, na segunda-feira, o que aconteceu? Era o prédio, os móveis e cortinas que a polícia (a que não apareceu, não os coitados que lá foram postos para apanhar da turba) defendia? Não. Claramente, não há dúvida, era o "rabo" do governador. 

Repito: se eleger governador não é ganhar de presente soldadinhos de carne, ossos, escudos e armamento para defender a si próprio. Só o que aconteceu na ALERJ já justificaria um cartão amarelo para o governador Sergio Cabral, do Rio de Janeiro, quem sabe um processo disciplinar que poderia resultar numa advertência pública oficial (porque a advertência pública extra-oficial a multidão já está lhe dando) ou, quem sabe, no decorrer das investigações, até mesmo um convite para se retirar ao vestiário mais cedo. 

E é bom não esquecer, o prejuízo deve ser cobrado do verdadeiro responsável. Se isso for feito, com certeza o princípio da justiça estará não apenas sendo preservado, como incentivado a toda a sociedade. 

Segue, abaixo, o texto da moça que foi presa pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, cujos membros precisam lembrar que não são pagos para defender políticos.

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Escrevo primeiro para agradecer o apoio e carinho de familiares e amigos.

Segunda-feira participei da manifestação que juntou 100.000 pessoas, estava parada na calçada, em frente a ALERJ olhando, quando um policial me perguntou se eu era jornalista. Ele pediu meu crachá, e quando eu afirmei que não era jornalista me enfiou dentro de um ônibus da Polícia. Lá já estava uma menina, Liv, muito transtornada, depois fui ver a foto que rodou o mundo, em que covardemente jogavam spray de pimenta em uma mulher sozinha e desarmada, era ela (http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/06/pm-admite-excesso-de-policial-que-atacou-mulher-com-spray-de-pimenta.html).  Foram colocando uma pessoa de cada vez, algumas algemadas, na maioria estudantes e homens, mas também havia um morador de rua. 

Enquanto isso, no ônibus parado, entravam, se alternando, o policial bom, dizendo pra ficarmos tranquilos, e o mau, que nos ameaçava de algemar no chão e jogar gás lacrimogêneo, não nos conhecíamos, não sabíamos o que estávamos fazendo lá, e pior, não sabíamos aonde seriamos levados. 
Isso me preocupa, se na 5a DP, em um momento em que a imprensa internacional está presente, situações como esta acontecem, o que estará acontecendo no Subúrbio e nas favelas?
Ás 11:37, do meu celular, liguei para minha mãe avisando que estava sendo presa, que olhasse o meu filho. Tinha saído de casa para ir à acupuntura e nem sabia da manifestação. Também pedi que avisasse o meu irmão, quando tiraram o meu celular. Tiraram também o do Pedro Assis Rodrigues. Algumas mochilas foram retidas, mochilas que depois apareceram, na Delegacia com pedras e outras coisas que foram colocadas lá como provas.

Felizmente fomos levados à Quinta DP, na Gomes Freire, onde encontrei o Renato Cinco e os Advogados dos Direitos Humanos da OAB. Minha família também apareceu. Sou filha de Exilados Políticos chilenos, eu mesma exilada na Suécia aos 2 anos. Meu padrasto, foi torturado e exilado. Nada me surpreendia, eu só não conseguia entender qual era a acusação. Me sentia no processo de Kafka. Eu e Liv estávamos na sala, com dois policias civis, que escreviam o processo, e dois dos vários policiais que nós prenderam. Lá também estava Juliana Isméria Campos Vianna, estudante de História da UFF que fora acusada junto com Caio Brasil Rocha e Vagner Ferreira da Silva estudantes de Engenharia Metalúrgica da Universidade Federal do Rio de Janeiro da UFRJ de Receptação de Mercadorias (http://extra.globo.com/noticias/rio/secretaria-de-administracao-penitenciaria-divulga-fotos-de-estudantes-presos-em-manifestacao-com-uniformes-da-cadeia-8741313.html). Fico muito emocionada em ver esta foto, porque um dos policiais, disse pra Juliana, que sendo presa, a primeira coisa que fariam seria cortar o seu cabelo. Os Rapazes todos estava em uma cela 3X3. Quando chegamos a Juliana estava na outra cela, só que depois a tiraram para colocar o Bhlyann, um estudante de 16 anos de Enfermagem, que ficou em carcel, algemado e foi o último a conseguir fazer a sua ligação. 

Simplesmente o esqueceram lá.

Juliana estava muito nervosa, porque teria que ligar para São Paulo, para pedir ao seu pai que pagasse uma indenização de 2.000 reais, com uma acusação de receptação de mercadoria. Depois o soldado mudou a sua versão, dizendo que os tinha visto roubando uma loja de malas, o que é mentira porque os prendeu na Cinelândia e a loja de malas fica em outro lugar. Em todo caso isso impediu que saíssem sob fiança.

Juliana nos contou que o Delegado, um ser truculento e autoritário, nem levou em conta o depoimento deles. Percebi que os esforços dos Advogados estava limitado a nós tirar dali o mais rápido possível. Não importa se você é culpado ou não. A 5a DP é um lugar onde não existe Justiça.

Se um policial, diz que você fez algo, é a palavra dele que vale.

Isso me preocupa, se na 5a DP, em um momento em que Imprensa Internacional esta presente, situações como esta acontecem, o que estará acontecendo no Subúrbio e nas favelas?

Termino afirmando que Juliana, Caio e Vagner, assim como nós foram buchas. Fomos todos presos, para mostrar serviço de uma polícia, inapta. Certamente seguindo ordens de um Governador mais inapto ainda.

Do Facebook

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