quinta-feira, 13 de junho de 2013

Guerra santa à vista?

Você é daqueles ou daquelas que olha de soslaio para os presbiterianos? Não é católico ou católica, mas faz o sinal da cruz por via das dúvidas? Frequenta centro e recebe santo? Ou não acredita em nada e cospe para cima? Pois se ligue de qualquer maneira. Ontem, dia 12 de junho, dia brasileiro dos namorados, a Comissão de Assuntos Sociais (conhecida como CAS) do Senado Federal aprovou uma tal Lei Geral das Religiões, veja só. 

Mas, o que pode ser isso, você pergunta. Uma lei para regular religiões? E você mesmo responde, conforme o seu caso: se carola, acha um absurdo aqueles africanos com tanta liberdade para acender velas em encruzilhadas e bate palmas. Se é um ou uma dos amaldiçoados pelos beatos e beatas, vai dizer: “Mas, o quê? Vão querer fechar o centro de vovó Catarina de novo!”. Pois é. Cá para nós, uma lei “Geral” de religiões não é uma boa ideia. Há séculos e séculos se guerreia por isso. Você acha que é fácil assim dizer “pronto religião tem que ser deste jeito e ter isso e aquilo, registro em cartório e assinatura do Papa?” Pois não é.  

A matéria vai aprovada pela comissão para o plenário do Senado. Se tudo correr bem, haverá uma guerra ali e, quem sabe, em torno dali. Estão mexendo com fogo e num momento em que há muita gasolina espalhada por aí. 

Detalhes

De modo geral, parece que o projeto surgiu depois de um acordo entre o Estado brasileiro e a Santa Sé, o Estado católico. Já passou pelos deputados federais e, se os senadores quiserem, vira lei. Aí, tem que ser cumprido. 

Tramita desde 2008. Você sabia? Nem eu. Se quisesse saber tinha que olhar na página do Senado, mas você não olha, nem eu. 

Personagens

Só para você saber: o relator foi o senador Suplicy, ao qual Paulo Francis chamava de “Mogadon”, segundo o blog português Portucália (http://portucalia.blogs.sapo.pt/15439.html), “por causa de uma droga que faria uso para manter a normalidade”. E, se lembra desse fato inconveniente de sua vida, em seguida o absolve: “Este é um dos senadores do brasil, mas parece que não é corrupto como outros.  Isto, do meu ponto de vista, o salva”. Amém. 

Outro personagem importante, certamente levando o Óscar de coadjuvante, foi o senador brasiliense Rodrigo Rollemberg, do Partido Socialista Brasileiro (pelo menos é isso que julgo significar PSB no release do Senado). O projeto que veio do Congresso tinha um problema, ao que entendi, e é nessa deixa que Rollemberg entra, triunfante, para salvar o dia: uma de suas emendas garante que não é preciso haver registro oficial e formal para que associações religiosas vão até hospitais e presídios. Segundo Suplicy, isso atende aos interesses das “religiões de matriz afro-brasileiras, uma vez que, em sua maioria, as casas de culto ou comunidade de terreiros são de estrutura familiar”. 

Aplausos de uns, vaias de outros. Conheço pelo menos uma dúzia de evangélicos que gostariam que Rollemberg tivesse retirado a sua emenda e ficado quieto no seu canto. Outros tantos católicos também pensam assim. Os budistas não estão nem aí e o pessoal dos centros diz que tudo bem, mas aponta trinta inesperados problemas no projeto de lei. Você sabe, em termos de crença, uma vírgula a mais ou faltando pode desencadear o processo de apocalipse. 

O outro lado

Em assuntos como este só há outros lados. 

Resumindo

Em suma, é esperar para ver o que acontece. Se ficou interessado no assunto, pode consultar a página do Senado (http://www.senado.gov.br/) e até fazer uma “assinatura” para receber a newsletter da assessoria de comunicação. Se não, esqueça. No fim das contas, tudo se transforma rapidamente em espetáculo, tudo mesmo, e até as guerras santas não escapam disso. Só cuide para não virar mártir sem querer. Se isso acontecer, cuide de permanecer vivo, pois senão alguém vai faturar com a tua imagem. 

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