quinta-feira, 2 de maio de 2013

Subjetividade Facebook


A mentalidade “Facebook” predomina: Fale o que quiser, denuncie, se revolte, urre de indignação, elogie, enalteça, exulte. Nada disso importa. O importante é que você está falando, denunciando, se revoltando, urrando, elogiando, enaltecendo, exultando. Não importa contra ou a favor de quê. Mais uma conversa para você curtir, compartilhar, comentar. 

Assim como o capitalismo, que aproveita o que temos de pior em nós, nossa animalidade aética e amoral, assim como o setting psicanalítico, que se constrói sobre a perversão que quer desvendar, o Facebook estimula a fala, chama você de cidadão para promover a pobreza conceitual e entorpecer a sensibilidade. Na prática, o que a estrutura subjetiva Facebook não diz é que por detrás da pele de cidadão há apenas um animal consumidor de tudo quanto possa lhe dificultar o acesso a si próprio.

E lembre-se: animal não pensa, age por instinto. Mas, se você é gente, um humano, vive em sociedade, não tem mais quase que nenhum instinto. Ok, mas para substituir a instintividade se estabeleceu um conhecimento, a Tradição. Porém, nas sociedades contemporâneas o ataque e o desprezo à tradição são constantes e eficazes, não há a comunicação oral determinando o que fazer: qualquer coisa pode ser feita, tudo é possível e relativo numa balança de valores, demandas e ofertas. E quem te mostra isso não é papai nem mamãe, são as mídias. E as mídias não falam por si e não te incentivam a fazer isso (nem nada, nem ninguém, pode dar o que não tem). Logo, não há tradição, há o Mercado, mecanismo sem passado e sem futuro, sem presente, atemporal como Deus. 

Então, responda rápido: O que ou quem orienta as suas ações?

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