quarta-feira, 15 de maio de 2013

Novas esperanças na caça aos malfeitores milionários


Esses granfinos viajam e ficam em luxuosos hotéis.
Deveriam, no entanto, estar perenemente em um destes aqui
Se a informação que reproduzo no texto traduzido está correta e, mais, se for confiável que os arquivos serão efetivamente analisados e usados em nome da sociedade pelas autoridades, estamos falando do rastro de pólvora que nos fará conhecer melhor como funciona, ou funcionava, o esquema que alguns perigosos bandidos ricos usam para nos roubar, ou seja, fazer com que paguemos não apenas pelo seu bom nível de vida, mas ainda que financiemos todas suas frescuras e luxos ridículos – o que é bem mais dolorido. 

Claramente há um vazamento de informações importantes sobre la crème de la crème do mundo financeiro, denunciando uma provável escória que, até agora, tem se escondido e ocultado sua riqueza em empresas clandestinas, fundos privados e toda a série de maracutaias oferecidas pelos paraísos fiscais. O texto que traduzi e indico fala sobre isso.

Fica claro que é por essas vias e seus dutos bancários que circula o dinheiro das armas, das drogas e de outros negócios ilícitos. Os maiores bancos do mundo operam volumes monumentais de dinheiro pertencente a essa malta de vagabundos ultrarricos. Veja, aqui neste link (http://luizgeremias.blogspot.com.br/2013/05/ex-vice-presidente-da-secao-manhatann.html), tradução de parte de matéria sobre a provável participação do JPMorgan em apenas um caso, vazado graças à indignação de uma vice-presidente do grupo que foi defenestrada graças ao seu bom caráter, que a levou a denunciar um cliente mais que suspeito. O banco, ou alguns de seus executivos, não gostou de saber que a vice-presidente da seção Manhattan andava questionando de onde vem o dinheiro depositado no banco. Isso é claramente cumplicidade com ações criminosas e a moça está processando o banco. Vamos ver no que dá. 

O fato me faz lembrar da piada na qual uma bancária entra, chorando, na sala do gerente para se queixar que foi destratada por um cliente. “Fui chamada de vaca, de vagabunda”, diz, entre soluços. O gerente, ultrajado, vai até o cliente tirar satisfações, é claro. O cliente lhe diz: “Eu preciso depositar vinte milhões aqui, agora, nesta agência, neste banco. Se não sou bem vindo, procuro outro banco ou outra agência!”. O gerente se vira para a funcionária chorosa e diz: “Ô sua puta, faça o favor de atender bem este nosso amigo!”. 

Na prática, é preciso entender que, nas atuais regras e condições, o sistema capitalista incentiva a psicopatia (também conhecida como sociopatia) e a formação de perigosíssimas quadrilhas, às quais se costuma chamar solenemente por outros nomes, num bom exemplo de uma “novilíngua” Orwelliana. Morris West, por exemplo, pôs na boca de uma personagem do romance Arlequim, uma pérola que traduz um termo muito usado em nossos dias pelos liberais e neo: ela fala da “quadrilha chamada pomposamente de mercado”. E, claramente, sem novilínguas, o grupo que controla esse tal mercado só pode ser chamado mesmo por esse nome. 

Segue, abaixo, a tradução livre de uma parte do texto publicado em http://www.icij.org/offshore/tax-authorities-move-leaked-offshore-documents, que reporta haver um volume consideravelmente grande de documentos virtuais (em cache) que bem podem configurar provas contra membros dessa seleta quadrilha de endinheirados. 

Boa leitura e não perca de vista essa investigação.

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Alô, polícia! Que tal esquecer um pouco os
ladrões de galinha e ir atrás dos verdadeiros bandidos?
Como funciona, hoje, a polícia está, infelizmente,
acobertando a bandidagem grossa, que pode estar
por trás das movimentações nos paraísos fiscais.

Autoridades fiscais trabalham com documentos que vazaram de paraíso fiscal
Por Gerard Ryle e Marina Walker Guevara, publicado em 09 de maio de 2013

As autoridades estadunidenses, britânicas e australianas estão trabalhando com um gigantesco cache de dados vazados que pode ser o início de uma das maiores investigações fiscais da história.

Acredita-se que os registros secretos incluem aqueles obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (International Consortium of Investigative Journalists – ICIJ), que desvenda quem estava por trás de empresas clandestinas e fundos privados nas Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Cook, Cingapura e outros refúgios “offshore” (paraísos fiscais).

O volume de documentos obtidos pelo ICIJ representa o maior estoque de informações privilegiadas sobre o sistema offshore jamais reunido por uma organização de mídia. 

Mas a autoridade fiscal britânico afirma que tem ainda mais dados.

O tamanho total dos arquivos ICIJ, medidos em gigabytes, é mais de 160 vezes maior do que o dos arquivos que o Wikileaks divulgou em 2010. 

Uma declaração do departamento fiscal britânico avalia em 400 gigabytes o tamanho do arquivo obtido pelas autoridades fiscais dos três países, mais que os 260 gigabytes recolhidos pelo ICIJ. 

“Os 400 gigabytes de dados ainda estão sendo analisados, mas os primeiros resultados mostram o uso de empresas e fundos em uma série de territórios ao redor do mundo, incluindo Cingapura, as Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Cayman e as Ilhas Cook," disse o comunicado da autoridade fiscal britânica. 

(…) 

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