terça-feira, 14 de maio de 2013

Fala Cid Benjamin!

Em entrevista ao jornal O Dia, do Rio de Janeiro, Cid Benjamin, da geração que encarou, de peito aberto e com armas na mão, a ditadura militar (ainda que isso tenha sido uma besteira, como ele próprio admite) avalia a conjuntura brasileira depois de 11 anos de governo petista e diz o que aprendeu durante sua vida de militante político. 

Sobre o governo do PT:

Se o PT tivesse revolucionado a educação fundamental nestes 11 anos, já teria sido um legado enorme. Mas nunca fizeram isso. Aliás, não há quem cite neste governo uma única medida que tenha contrariado o interesse das classes dominantes, dos bancos, dos empreiteiros, das multinacionais e do agronegócio.

Pergunta de O Dia: Você é daqueles que consideram que o grande legado do PT, além do Bolsa Família, será a despolitização da sociedade após os escândalos de corrupção?

É um exagero afirmar isso. Contribuiu bastante para a desilusão. Despolitização? Penso que sim. Mas o Bolsa Família melhorou a situação de milhões de pessoas. Só que representa apenas 1/5 do lucro dos bancos. E se você quer pensar em transformação social, é preciso pensar em emprego digno e estável. A assistência social tem que ser feita muitas vezes porque há miséria, mas é preciso ter a porta de saída para não ficar vivendo eternamente da caridade do Estado.

Sobre o governo de Dilma: 

Eu acho um governo frustrante porque não é de transformação social. Se você me perguntar se não é melhor que os do Lula, Fernando Henrique e Collor, certamente direi que é, mas não me satisfaz. Não mexe com os interesses dos ricos, não faz as reformas necessárias e constrói a governabilidade montando uma geleia de partidos que o imobiliza. São tantas concessões que não permitem as transformações, apenas permitem que o o governo não seja incomodado.

Sobre os fracassos de sua vida: 

E o Darcy (Ribeiro) também tinha uma ótima. Ele dizia: “Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras e não consegui; tentei salvar os índios, não consegui; tentei fazer uma universidade séria e fracassei; tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Detestaria estar no lugar de quem me venceu”. Penso exatamente assim.

Sobre o seu principal aprendizado:

Não foi político, mas de vida. Várias vezes, me vi sem nada. Levei uma vida muito espartana na clandestinidade. Fiquei preso sem roupa nenhuma. Perdi tudo várias vezes. Quando estava exilado no Chile, tive de sair do país com a roupa do corpo às vésperas do golpe contra o presidente Salvador Allende com minha mulher e minha filha recém-nascida. Tudo isso me fez aprender que, se você tem saúde e disposição, todo o restante é perfeitamente possível de ser feito.

http://odia.ig.com.br/portal/rio/ex-guerrilheiro-dos-anos-60-lutamos-por-uma-sociedade-melhor-1.574305

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