sexta-feira, 31 de maio de 2013

Lauryn Hill é ordenada pelo Tribunal a passar por "Aconselhamento" devido a suas "Teorias da Conspiração"

Lauryn Hill resolveu tomar a pílula vermelha...
precisa ser reeducada para voltar a ser imbecil
18 de maio de 2013

O nome do álbum de Lauryn Hill é "The Miseducation of Lauryn Hill" (A Deseducação de Lauryn Hill), mas agora parece que os poderesos gostariam que ela gravasse um novo álbum chamado "The Re-Education of Lauryn Hill" (A Re-educação de Lauryn Hill). Depois de aparecer em tribunal por evasão fiscal, Hill foi condenada a três meses de prisão. Além disso, ela tem que comparecer a sessões de "aconselhamento" devido às suas "teorias da conspiração".

De acordo com o IBTimes, Hill disse ao tribunal: "Eu sou filha de ex-escravos que tinham um sistema que foi imposto sobre eles. Eu tinha um sistema econômico imposto em mim". Além disso, Hill também acredita que os artistas estão sendo oprimidos por (o que o artigo chama) "uma trama envolvendo os militares e a mídia". Devido a estas declarações, Hill foi condenada a sofrer "aconselhamento", que é uma maneira de dizer que ela está mentalmente doente e que precisa de algum tipo de sessão de re-programação para recuperar sua "sanidade". 

Em 2012, Lauryn Hill publicou uma carta pensativa descrevendo a corrupção, a opressão e o controle da indústria da música e seu desejo de escapar. Em uma parte da carta, Lauryn declara:

"Foi dessa cisma e a hipocrisia, violência e canibalismo social que acabou surgindo, que eu queria e precisava ser libertada, não da arte ou da música, mas da supressão/repressão e redução daquela arte e música para a linha de fundo, sem levar em conta qualquer outra coisa. O excesso de comercialização e suas restrições e limitações resultantes podem ser muito prejudiciais à natureza intrínseca do indivíduo. Eu amo fazer arte, Eu amo fazer música, isso é tão natural e necessário para mim quanto respirar ou falar. Para ser negado o direito de seguir isso de acordo com a minha capacidade, bem como ser devidamente reconhecida e recompensada por isso, em uma tentativa de controlar, é a manipulação dirigida a meus direitos mais básicos! Essas formas de expressão, juntamente com outras, efetivamente compreendem a minha liberdade de expressão! Defender, preservar e proteger esses direitos são extremamente importantes, especialmente em um paradigma onde o racismo velado, sexismo, preconceito de idade, nepotismo e controle econômico deliberado ainda são realidades gritantes! "

Apesar do que a mídia relata, Hill não está murmurando "teorias da conspiração" incoerentes, mas está falando a verdade. Suas afirmações são resultado de sua experiência de primeira mão com a indústria e seu desejo de não ser parte de sua loucura. As "teorias" de Hill são simplesmente a análise clara de uma pessoa inteligente sobre essa situação. 

No entanto, como a sociedade americana se transformou em uma versão da vida real da novela 1984, falar a verdade está cada vez mais sendo considerado uma doença mental - uma que tem de ser tratada e curada. Será que a liberdade de expressão ainda existe se o dizer as palavras erradas leva a uma visita obrigatória para um "psicólogo"?

http://danizudo.blogspot.com.br/2013/05/lauryn-hill-e-ordenada-pelo-tribunal.html

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Resposta de Lauryn Hill à Indústria da Música
Terça-feira, 12 de junho de 2012

Vários jornais têm relatado que Lauryn Hill estava com problemas com o governo por sua não apresentação de impostos entre 2005-2007. Enquanto eu não sei (e nem me importa saber) sobre sua situação financeira e seus hábitos de pagar impostos, eu achei a resposta que Lauryn Hill deu às acusações bastante contundente. Em uma primeira declaração pública em anos, Hill descreve o controle, manipulação e exploração da indústria da música e seus esforços para ficar longe de tudo. A carta foi publicada na sua nova conta Tumblr. Abaixo, colocamos a tradução de alguns trechos dessa carta impressionante.

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Foi noticiado ontem que a Sra. Lauryn Hill foi acusada de três crimes de contravenção por não apresentar declarações de impostos. Essas acusações foram efetuadas para os anos de 2005-2007, durante um tempo em que a Sra. Hill havia removido sua família e a si mesma da sociedade, a fim de mantê-los seguros, saudáveis e livres de perigo. Em resposta a essas acusações, Sra. Hill fez a seguinte declaração:

"Nos últimos anos, mantive-me no que os outros considerariam subterrâneo. Eu fiz isso para construir uma comunidade de pessoas, com mente parecida, em seu desejo de liberdade e direito de correr atrás de seus objetivos e vidas sem serem manipulados e controlados por uma mídia protegida por um complexo militar industrial com uma agenda completamente diferente. Tendo posto as vidas e as necessidades de outras pessoas antes da minha por vários anos, e tendo feito centenas de milhões de dólares para algumas instituições, sob circunstâncias complexas e por vezes graves, comecei a exigir crescimento e um tratamento mais equitativo, mas fui recebida com resistência. Entrei em meu ofício cheia de otimismo (que eu ainda possuo), mas logo vi a força supressora com que o sistema tenta manter seu controle sobre um determinado paradigma. Eu vi pessoas promoverem o vício, usarem sabotagem, lista negra, bullying de mídia e qualquer técnica de coerção que poderiam, para evitar artistas de saber o seu verdadeiro valor, ou que exerçam o seu poder. Esses dispositivos de controle, não importa quão bem intencionados (ou não), podem ter um resultado devastador sobre as vidas das pessoas, especialmente a dos mais criativos, que devem crescer e existir dentro de um determinado ambiente e de acordo com um ritmo certo, a fim de viver e criar de forma otimizada.

Eu mantive minha vida relativamente simples, mesmo depois de grandes sucessos, mas tornou-se cada vez mais óbvio que algumas indulgências e privilégios eram esperados vir ao preço de minha alma livre, mente livre e, portanto, da minha saúde e integridade. Então eu deixei uma vida mais mainstream e pública, a fim de afastar a mim e minha família, longe de um estilo de vida que requer distorção e compromisso como um meio para mantê-la. Durante esse tempo crítico, havia algumas poucas pessoas acessíveis a mim que ainda não tinham sido seduzidas ou afetadas por essa máquina, e, portanto, que se podia confiar que não tentariam influenciar ou coagir-me de volta em uma dinâmica de compromisso.

Durante esse período de crise, muito se disse sobre mim, imprecisamente, por aqueles que se tornaram dependentes da minha força criativa, ainda que sem vontade para reconhecer plenamente a importância da minha contribuição, nem de me compensar de forma equitativa por isso. Isso foi feito em um esforço para manchar a minha imagem pública, a fim de afetar diretamente a minha capacidade para ganhar, independentemente do presente sistema. Demorou muito tempo para localizar e fomentar uma comunidade de pessoas fortes o suficiente para resistir a maré extremamente insalubre, e mais importante "enxergar através dela". Se eu não tivesse sido capaz de fazer contato, e estabelecer essa comunidade, a minha vida, segurança e liberdade, teria sido diretamente afetada, assim como as vidas, a segurança e a liberdade da minha família. Falhar em não criar um ambiente não tóxico, não exploradoro, não foi uma opção.

Quando os artistas experimentam perigo e crise sob os efeitos desse tipo de manipulação insidiosa, todos facilmente aceitam que havia algo ou disfuncional ou com errado com o artista, ao invés de olhar e examinar completamente o sistema e os seus meios e políticas de exploração /e 'fazer negócios'.

Aprender com o passado, isolando amigos e familiares a partir da influência da manipulação externa e corrupção, é muito mais importante para mim do que ser mal interpretada por uma estação! Eu não abandonei os meus fãs deliberadamente, nem deliberadamente abandonei quaisquer responsabilidades, mas eu, no entanto, coloco a minha saúde, segurança e liberdade e saúde da minha família em primeiro lugar sobre todas as preocupações materiais! Eu também abracei o meu direito de resistir a um sistema intencionalmente adversário a meu direito à sobrevivência integral.

Como esta, e outras áreas problemáticas estão resolvido, eu sou capaz de voltar a fazer o que eu deveria estar fazendo, na maneira que deve ser feito. Isto é parte do referido processo. Para aqueles que ajudaram e que foram dito que eu os abandonei, que não é verdade, eu abandonei a ganância, corrupção e compromisso, nunca vocês, e nunca os dotes artísticos e habilidades que me sustentam. "

- Fonte: Tumblr

http://danizudo.blogspot.com.br/2012/06/resposta-de-lauryn-hill-industria-da.html

Os vira-latas estão vivos e mandando

O Maracanã foi inaugurado há 63 anos. Chegou a acomodar quase 200 mil pessoas concentradas em torno de um jogo de futebol, o nefasto Brasil X Uruguai que decidiu a Copa de 1950. O resultado (2 a 1 para os uruguaios) deu margem a Nelson Rodrigues definir que aquele fatídico jogo fora decisivo na constituição daquilo que o nobre jornalista considerava o maior mal do brasileiro: “o complexo de vira-lata”, ou seja, um sentimento de inferioridade que o sujeito nascido no Brasil teria em relação ao resto do mundo. 

Se você não entendeu, explico: a vitória era dada como certa por todo e qualquer brasileiro. O escrete vinha imbatível, goleando todo mundo e o time uruguaio chegou com campanha bem mais humilde à final. Na hora do “pega para capar”, o onze brasileiro se borrou e o ponta Alcides Ghiggia fez um gol (que ainda se chamava “goal” na época) inusitado, selando a vitória. De todo modo, como se costuma dizer, o futebol é uma caixinha de surpresas e essa memorável final provou isso. O favorito perdeu, mesmo jogando em casa e com 200 mil torcedores a seu favor. Mas, o favorito, segundo Nelson, se sentia e agia como um vira-lata. 

É importado? Claro que é melhor!

O tempo passou, o complexo foi parcialmente remediado com as sucessivas vitórias no futebol, mas, segundo o próprio Nelson, o sentimento ia muito além. O brasileiro seria um narciso às avessas, alguém que cospe na própria imagem, como se ser brasileiro significasse possuir um mal hereditário, uma vergonha nata e inominável. 

Não há como desmentir isso. Cresci ouvindo que tudo o que é estrangeiro é melhor e desde muito cedo entendi que o produto importado vem revestido da aura do simples nome: “importado”. Só esse rótulo já o faz superior em muito. Os automóveis produzidos no país foram até mesmo chamados de carroças por um ex-presidente. Hoje, muitos comemoram ter acesso a carros importados com motor de potência suficiente para disputar provas de Fórmula Um. Só não se sabe é para que servem carros assim se seus proprietários costumam andar a dez por hora nos engarrafamentos. 
O gol de Ghiggia, aquele que selou a vira-latice

Os vira-latas venceram

Até mesmo no futebol isso parece ser cruelmente verdadeiro. Se, por um lado, as vitórias de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 lavaram a alma do torcedor, é preciso observar um detalhe: mesmo com as vitórias, mesmo com o inegável sucesso, a forma de jogar futebol mudou no Brasil e mudou para pior. De certo modo, penso, não há por que não se formular a hipótese de que essa mudança foi em boa parte motivada pelo complexo nomeado por Nelson Rodrigues. Afinal, o futebol brasileiro se europeizou e se tornou bruto, defensivo, feio e mecânico, como muitos definiam o futebol europeu nos tempos encantados de Pelé, Garrincha & Cia. Mas, note, sempre houve os jornalistas que criam o futebol europeu melhor, apesar dos resultados demonstrarem claramente o oposto. Falo de um tipo especial de vira-lata, os quadrúpedes de vinte e oito patas, conforme termo de Nelson. 

Hoje, não há qualquer condição para o surgimento de um Pelé, um Garrincha. Se surgissem, seriam assassinados pelas botinas dos zagueiros e, pecado maior, se dessem um simples “balãozinho”, um mero drible do estilo elástico (especialidade de Rivelino), seriam esquartejados com a ajuda de juiz e bandeirinhas. Estes, aliás, chegam a sorrir quando um beque trucida um craque, um meio-campo bom de bola ou um atacante driblador. Quase sentem vontade de abraçar e congratular o zagueiro sanguinário. Mas, se um dos meio-campistas habilidosos ou atacantes dribladores, depois de tomar 250 botinadas durante o jogo, querem tirar satisfação com os algozes e/ou mesmo com o juiz, merecem o cartão amarelo ou, conforme o caso, o vermelho, sumário. 

Joga mal, não tem habilidade, é um mero zagueiro que prefere acertar o joelho do atacante em vez de tentar lhe tomar a bola? Merece prêmio ou, no máximo, uma advertência formal do juiz. É atacante, gosta de jogar futebol, parte para cima do zagueiro com a bola no pé? Deve ser congratulado com inúmeras botinadas e, se reagir, com dedo na cara, cartão amarelo ou vermelho, expulso do jogo que só tem admitido e prestigiado os perebas. 

De certo modo, o complexo de vira-lata prevaleceu e conseguiu vencer até mesmo o virtuosismo que deu ao Brasil o título de melhor do mundo no futebol durante tanto tempo. Tem conseguido, inclusive, desmentir o epíteto de Nelson que definia o brasileiro como “uma nova experiência humana”, enquanto rebaixava os europeus ao status de soldadinhos de chumbo que viviam uma imitação da vida, com sua ordem obsessiva e suas instituições vetustas e afetadas. Hoje, graças à ação de vira-latas influentes e formadores de opinião, o brasileiro não se sente um vira-lata: é um vira-lata, mas “curte” ser o que é. 


Pelé e Garrincha seriam exterminados no futebol de hoje

É a vira-latice renovada e com upgrade 

Bem, mas vamos ao que interessa. Foi no Maracanã que surgiu o tal complexo. Hoje, no mesmo Maracanã, vemos nascer mais uma razão de vergonha, desta vez não especificamente desportiva, mas ligada ao futebol, esporte que se tornou motivo de orgulho nacional durante muito tempo. 

A humilhação de hoje não vem de uma derrota no campo, entre quatro linhas. Vem da sórdida e incestuosa relação entre os políticos brasileiros e o grande empresariado, um casamento que tem gerado diversas crias, todas monstruosas, apesar da propaganda afirmar o contrário. 

Veja: o governo do Rio de Janeiro já gastou aproximadamente R$ 1 bilhão de reais em reformas no Maracanã. Dinheiro, é claro, dos moradores daquele estado, pois eles que sustentam o governo do estado. É deles que saem os recursos que enchem os chamados “cofres públicos”. 

Mas, creia, apesar dos contribuintes terem pago dos próprios bolsos o R$ 1 bilhão das reformas, o governo que diz representá-los conclui as obras e anuncia que uma empresa privada, ou um grupo delas, irá administrar o estádio. Talvez se não fôssemos tão covardes, se não nos sentíssemos tão vira-latas, faríamos algo a respeito disso. Digo “nós”, talvez porque me sinta ainda tão vinculado ao Rio ou porque me sinta naturalmente ultrajado com esse fato. O fato é que quem pagou as obras do Maracanã não ganhou nem ganhará nada com isso. Em português mais claro, o povo que financiou a reforma pode bem ser chamado de otário, pois gastou (e muito), mas não ganhou, não ganha nem ganhará porra nenhuma com isso. 

Ah, sim, algum quadrúpede de vinte e oito patas alegará, entre latas tombadas: “Pô, mas assistiremos partidas de futebol em um estádio moderno e remodelado, lindo, lindo, como os que eu vejo na TV nos jogos do Real Madrid, do Barcelona”, como me disse, recentemente, um pobre e contumaz idiota que disse não se importa de pagar R$ 100,00 para assistir a uma partida num reles estádio, quanto mais no Maracanã. 

O mais comovente, nesses casos, é que o vira-lata não tem qualquer consciência do quanto se considera inferior e até mesmo “curte” tanto sua alienação quanto sua vira-latice mórbida. 

Inglês viu e não gostou

Tudo isto está sendo lembrado e dito porque um jornal inglês, o The Guardian, publicou matéria na qual diz o seguinte: 

"O País está humilhado e frustrado com os gastos excessivos e os atrasos que atormentam a realização da Copa de 2014", mencionou o jornal, relembrando que o Maracanã passou três anos em reformas, que custaram cerca de R$ 1 bilhão. O Maracanã passou por luxuosas reformas, sugando quase R$ 2 bilhões dos cofres públicos e passando a impressão de que a nação abençoada com o mais vitorioso futebol está também amaldiçoada por uma das piores corrupções e burocracias”. 

Isso sem contar com a reforma que aconteceu na metade da década passada, com a justificativa de preparar o estádio para os jogos pan-americanos de 2007. 

Quer dizer, analise bem. Pense, observe. O governo gasta um bilhão de reais (eram 700 milhões previstos) e, logo na sequência, entrega a administração do Maracanã a um grupo privado. O que o pessoal que pagou a obra fez ou está fazendo? Nada. Há exceções, é claro. O ex-atacante Romário, hoje deputado, entregou direitinho o jogo e vem gritando e gritando contra esses abusos. Isso há pelo menos um ano, certamente mais. 

A multidão, no entanto, como sempre se cala e se porta como uma matilha. 
Se você é lesado pelo governo e reclama, a polícia
comparece para te dizer: vira-lata que late perde os dentes

Sempre há boas exceções, mas não são bem-vindas

Não é certamente “privilégio” brasileiro, pois há inúmeros, centenas, milhares de exemplos do mesmo acontecendo lá fora. Ou você é daqueles que pensa que a multidão estrangeira é mais consciente? De certo modo, junte-se uma dezena de pessoas e terá uma matilha de vira-latas, sejam brasileiros, italianos ou tailandeses. Jogue-lhes um osso e ouvirá os uivos e dentes rilhando. 

Quando a crise do sub-prime rebentou com as famílias estadunidenses, estas perderam suas propriedades caladas, quase sem exceções. O mesmo aconteceu na França, na Alemanha, na Grécia, em Portugal e por aí vai, sempre com exceções, ou seja, gente que se movimentou para fazer algo de alguma forma, protestar, gritar. Mas, quando há exceções, entram em ação as tropas com escudos, cassetetes, bombas e balas de borracha e cala-se a imprensa que, no máximo, lamenta a violência policial, como no recente caso do protesto que alguns cidadãos promoveram em frente ao Maracanã. Quem viu o que aconteceu garantiu que a polícia mostra contra pessoas desarmadas um elã que não tem quando se depara com bandidos de verdade. Parece que a ausência de armas nas mãos dos cidadãos que protestam eleva em muito a coragem dos policiais. Mas, a imprensa apoia a ordem, acima de tudo, principalmente quando a ordem é lucrativa. 

Não parece haver muita diferença entre a nossa passividade e a dos gringos. A semelhança está na repressão. Se você está sendo prejudicado por um governo e resolver protestar contra isso, lembre-se: ele possui sob seu controle uma instituição chamada polícia, que justifica sua existência sempre com a nobreza da “defesa da sociedade”, dizendo estar “ao lado do cidadão” etc. Na prática, porém, sempre admitindo exceções, essa instituição costuma desprezar boa parte das demandas dos tais cidadãos e, quando pode, gosta muito de servir a esses cidadãos com cassetetes e armas apontadas para eles. Quando há exceções nesse caso, o recalcitrante pode pegar cadeia no quartel e a antipatia de certos colegas para os quais usar a farda é uma capa que serve para esconder a aparência e a condição lupina. 

E o que é um lobo senão um vira-lata selvagem?

Enfim...

Parece que nosso destino é saber dessas coisas absurdas, ter em frente dos olhos a canalhice e achá-la natural, até mesmo atraente. Ah, é possível comentar essas barbaridades com amigos, publicar textos críticos em blogs e em sítios como o Facebook. Mas, não se iluda: o meio é a mensagem, ensinava McLuhan. Sabe o que significa isso? Resulta na filosofia do “fale, fale o que quiser; tudo será incorporado ao espetáculo que você assiste e, falando, do qual também participa”. Falou? Protestou? Caiu na rede. E quem cai na rede, você sabe que acaba sem cabeça, exposto no mercado. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Aplausos para Joaquim Barbosa


Me dizem: o TSF é um circo, o Congresso idem, o Executivo está contratando palhaços a quilo e, que mais? No caso, o choque entre TSF e Congresso é compreensível, pois, além de interesses gerais e localizados, há uma total e absoluta confusão acerca do que seja não apenas a função dessas “casas”, mas mesmo do que seja o sentido da existência delas (Isso, na realidade, na prática, não no discurso ou na fantasia). 

Explico. Para nos conduzirmos na realidade, precisamos de certa razão, certa racionalidade. Digo certa, mas quanto mais pudermos contar com a racionalidade, principalmente nas instituições, melhor. Nossa sanidade agradece. 

Ora, a racionalidade tem um desvio, o racionalismo e muita gente confunde uma com o outro. Racionalismo é a caricatura da razão: um discurso feito para ocultar algo que, se surge, desarticula o discurso racionalista, mas articula o discurso racional. O racionalismo se constrói como ideologia, no sentido de ideologia como tentativa de ocultação do real. Assim, por exemplo, nossa democracia é liberal, o que significa que é meramente representativa, isto é, representantes eleitos falam em nome da multidão. Mas, na prática, essa conversa de representatividade é uma fala racionalista, pois oculta que os sujeitos eleitos não representam quase nada além de seus próprios interesses, que estão ligados a interesses de grupos que os sustentam e financiam. 

É possível dizer que há deputados que representam eleitores, mas, curiosamente, são aparentemente poucos e, mais curiosamente ainda, geralmente representam grupos bem delimitados e que se ligam a agremiações tradicionais, como as igrejas/templos e o exército/polícia. O Feliciano, que andou em foco, por exemplo, fala em nome de um grupo que aprova e apoia aquelas sandices que andou dizendo na Comissão dos Direitos Humanos. O Bolsonaro, lá do Rio, fala em nome de um grupo de pessoas que se identifica com o Estado policial, conservadores com baba no canto da boca e sangue nos olhos. Houve os sindicalistas, principalmente nos tempos do PT oposição, que se encaixavam nesses parâmetros. 

No entanto, no geral, os “representantes” são eleitos por serem charmosos, dizerem o que “o povo gosta” (o que é fácil, graças às eficientes pesquisas de opinião, que captam tendências de pensamentos e gostos), por prometerem vantagens nunca possíveis etc. Isso é normal numa sociedade midiatizada, não poderia ser diferente. E, eis um ponto que considero importante, aí está o racionalismo, ou seja, a razão usada como discurso de ocultação, o que significa que não é racional: os “representantes” não representam ninguém, pois a opinião pública (que é medida pelas pesquisas citadas) é, como diz um teórico português, uma entidade sem alma, que é facilmente conduzida. 

Uma característica da democracia liberal incentiva isso: ela é negativa, ou seja, promete um "não" em vez de um "sim", como fazia a democracia original, a ateniense. Veja: a ateniense era positiva, pois dizia: "SIM, participe! Venha à ágora!". A liberal diz: "Pode ficar tranquilo, NÃO vou deixar que ninguém interfira nos seus direitos individuais". Uma é positiva, incentiva a participação; a outra é negativa, a desestimula.

Em suma, como proceder numa situação como essa, com essas contradições praticamente insolúveis? Vomitando as contradições que nos são enfiadas goela abaixo, sob discurso racionalista. O Joaquim Barbosa (JB) tem, de alguma forma, feito isso. E irrita profundamente dois tipos de gente: os que sobrevivem da sustentação da mentira racionalista e, mais especificamente, os que sobrevivem das comissões e outras formas de vantagens do governo atual. 

Como falamos de circo, ora, digo que gosto de vê-lo pegando fogo, pois me parece o mais saudável nas atuais circunstâncias. Assim, gosto do que o JB tem feito. De certo modo, ainda que com instabilidades naturais, tem esquentado a chapa, o que faz com que esse pessoal que defende o status quo fundado na mentira racionalista tenha que dançar.  

Um dia, eu e outros cremos que o PT poderia ser o partido que sacudiria as instituições, abriria espaços para as contradições aparecerem. Ora, o PT não vai fazer isso. No poder, está mais próximo da ARENA do que do MDB, usando referência às siglas dos partidos no tempo da ditadura militar e não quer mexer no que está posto. Alguém tem que fazer isso. E o Joaquim Barbosa está, a seu modo, fazendo. Aplausos. 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Novas esperanças na caça aos malfeitores milionários


Esses granfinos viajam e ficam em luxuosos hotéis.
Deveriam, no entanto, estar perenemente em um destes aqui
Se a informação que reproduzo no texto traduzido está correta e, mais, se for confiável que os arquivos serão efetivamente analisados e usados em nome da sociedade pelas autoridades, estamos falando do rastro de pólvora que nos fará conhecer melhor como funciona, ou funcionava, o esquema que alguns perigosos bandidos ricos usam para nos roubar, ou seja, fazer com que paguemos não apenas pelo seu bom nível de vida, mas ainda que financiemos todas suas frescuras e luxos ridículos – o que é bem mais dolorido. 

Claramente há um vazamento de informações importantes sobre la crème de la crème do mundo financeiro, denunciando uma provável escória que, até agora, tem se escondido e ocultado sua riqueza em empresas clandestinas, fundos privados e toda a série de maracutaias oferecidas pelos paraísos fiscais. O texto que traduzi e indico fala sobre isso.

Fica claro que é por essas vias e seus dutos bancários que circula o dinheiro das armas, das drogas e de outros negócios ilícitos. Os maiores bancos do mundo operam volumes monumentais de dinheiro pertencente a essa malta de vagabundos ultrarricos. Veja, aqui neste link (http://luizgeremias.blogspot.com.br/2013/05/ex-vice-presidente-da-secao-manhatann.html), tradução de parte de matéria sobre a provável participação do JPMorgan em apenas um caso, vazado graças à indignação de uma vice-presidente do grupo que foi defenestrada graças ao seu bom caráter, que a levou a denunciar um cliente mais que suspeito. O banco, ou alguns de seus executivos, não gostou de saber que a vice-presidente da seção Manhattan andava questionando de onde vem o dinheiro depositado no banco. Isso é claramente cumplicidade com ações criminosas e a moça está processando o banco. Vamos ver no que dá. 

O fato me faz lembrar da piada na qual uma bancária entra, chorando, na sala do gerente para se queixar que foi destratada por um cliente. “Fui chamada de vaca, de vagabunda”, diz, entre soluços. O gerente, ultrajado, vai até o cliente tirar satisfações, é claro. O cliente lhe diz: “Eu preciso depositar vinte milhões aqui, agora, nesta agência, neste banco. Se não sou bem vindo, procuro outro banco ou outra agência!”. O gerente se vira para a funcionária chorosa e diz: “Ô sua puta, faça o favor de atender bem este nosso amigo!”. 

Na prática, é preciso entender que, nas atuais regras e condições, o sistema capitalista incentiva a psicopatia (também conhecida como sociopatia) e a formação de perigosíssimas quadrilhas, às quais se costuma chamar solenemente por outros nomes, num bom exemplo de uma “novilíngua” Orwelliana. Morris West, por exemplo, pôs na boca de uma personagem do romance Arlequim, uma pérola que traduz um termo muito usado em nossos dias pelos liberais e neo: ela fala da “quadrilha chamada pomposamente de mercado”. E, claramente, sem novilínguas, o grupo que controla esse tal mercado só pode ser chamado mesmo por esse nome. 

Segue, abaixo, a tradução livre de uma parte do texto publicado em http://www.icij.org/offshore/tax-authorities-move-leaked-offshore-documents, que reporta haver um volume consideravelmente grande de documentos virtuais (em cache) que bem podem configurar provas contra membros dessa seleta quadrilha de endinheirados. 

Boa leitura e não perca de vista essa investigação.

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Alô, polícia! Que tal esquecer um pouco os
ladrões de galinha e ir atrás dos verdadeiros bandidos?
Como funciona, hoje, a polícia está, infelizmente,
acobertando a bandidagem grossa, que pode estar
por trás das movimentações nos paraísos fiscais.

Autoridades fiscais trabalham com documentos que vazaram de paraíso fiscal
Por Gerard Ryle e Marina Walker Guevara, publicado em 09 de maio de 2013

As autoridades estadunidenses, britânicas e australianas estão trabalhando com um gigantesco cache de dados vazados que pode ser o início de uma das maiores investigações fiscais da história.

Acredita-se que os registros secretos incluem aqueles obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (International Consortium of Investigative Journalists – ICIJ), que desvenda quem estava por trás de empresas clandestinas e fundos privados nas Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Cook, Cingapura e outros refúgios “offshore” (paraísos fiscais).

O volume de documentos obtidos pelo ICIJ representa o maior estoque de informações privilegiadas sobre o sistema offshore jamais reunido por uma organização de mídia. 

Mas a autoridade fiscal britânico afirma que tem ainda mais dados.

O tamanho total dos arquivos ICIJ, medidos em gigabytes, é mais de 160 vezes maior do que o dos arquivos que o Wikileaks divulgou em 2010. 

Uma declaração do departamento fiscal britânico avalia em 400 gigabytes o tamanho do arquivo obtido pelas autoridades fiscais dos três países, mais que os 260 gigabytes recolhidos pelo ICIJ. 

“Os 400 gigabytes de dados ainda estão sendo analisados, mas os primeiros resultados mostram o uso de empresas e fundos em uma série de territórios ao redor do mundo, incluindo Cingapura, as Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Cayman e as Ilhas Cook," disse o comunicado da autoridade fiscal britânica. 

(…) 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Fala Cid Benjamin!

Em entrevista ao jornal O Dia, do Rio de Janeiro, Cid Benjamin, da geração que encarou, de peito aberto e com armas na mão, a ditadura militar (ainda que isso tenha sido uma besteira, como ele próprio admite) avalia a conjuntura brasileira depois de 11 anos de governo petista e diz o que aprendeu durante sua vida de militante político. 

Sobre o governo do PT:

Se o PT tivesse revolucionado a educação fundamental nestes 11 anos, já teria sido um legado enorme. Mas nunca fizeram isso. Aliás, não há quem cite neste governo uma única medida que tenha contrariado o interesse das classes dominantes, dos bancos, dos empreiteiros, das multinacionais e do agronegócio.

Pergunta de O Dia: Você é daqueles que consideram que o grande legado do PT, além do Bolsa Família, será a despolitização da sociedade após os escândalos de corrupção?

É um exagero afirmar isso. Contribuiu bastante para a desilusão. Despolitização? Penso que sim. Mas o Bolsa Família melhorou a situação de milhões de pessoas. Só que representa apenas 1/5 do lucro dos bancos. E se você quer pensar em transformação social, é preciso pensar em emprego digno e estável. A assistência social tem que ser feita muitas vezes porque há miséria, mas é preciso ter a porta de saída para não ficar vivendo eternamente da caridade do Estado.

Sobre o governo de Dilma: 

Eu acho um governo frustrante porque não é de transformação social. Se você me perguntar se não é melhor que os do Lula, Fernando Henrique e Collor, certamente direi que é, mas não me satisfaz. Não mexe com os interesses dos ricos, não faz as reformas necessárias e constrói a governabilidade montando uma geleia de partidos que o imobiliza. São tantas concessões que não permitem as transformações, apenas permitem que o o governo não seja incomodado.

Sobre os fracassos de sua vida: 

E o Darcy (Ribeiro) também tinha uma ótima. Ele dizia: “Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras e não consegui; tentei salvar os índios, não consegui; tentei fazer uma universidade séria e fracassei; tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Detestaria estar no lugar de quem me venceu”. Penso exatamente assim.

Sobre o seu principal aprendizado:

Não foi político, mas de vida. Várias vezes, me vi sem nada. Levei uma vida muito espartana na clandestinidade. Fiquei preso sem roupa nenhuma. Perdi tudo várias vezes. Quando estava exilado no Chile, tive de sair do país com a roupa do corpo às vésperas do golpe contra o presidente Salvador Allende com minha mulher e minha filha recém-nascida. Tudo isso me fez aprender que, se você tem saúde e disposição, todo o restante é perfeitamente possível de ser feito.

http://odia.ig.com.br/portal/rio/ex-guerrilheiro-dos-anos-60-lutamos-por-uma-sociedade-melhor-1.574305

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Não à redução da maioridade/SIM ao incremento da inteligência

Se você entrar numa de denunciar a nudez do rei, é isso que acontece.

Transcrevo artigo de um juiz chamado Gerivaldo Alves Neiva, um texto de 2009, reproduzido pelo autor em 2011 (http://www.gerivaldoneiva.com/2011/01/o-rei-nu-e-o-adolescente-fra.html) e, agora, em 2013, por mim. Trata-se de um posicionamento inteligente diante da realidade. Tente, você que defende a redução da maioridade penal, ser inteligente assim. Provavelmente lhe fará muito bem. 

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O rei nu e o adolescente F.R.A.

O comentário abaixo foi postado aqui no blog há mais de dois anos. Naquela época, o adolescente F. estava sendo detido pela 10ª vez. Há poucos dias, foi detido pela 17ª vez. Passados mais de dois anos, parece que o comentário continua atual (Gerivaldo Alves Neiva, em 30 de janeiro de 2011)


O REI NU E O GAROTO F.

Gerivaldo Alves Neiva, Juiz de Direito, 07.01.2009

A Roupa Nova do Rei é uma fábula conhecida de todos. Foi escrita pelo dinamarquês Hans Christian Andersen e conta a história do rei que gastava todo o seu dinheiro em roupas novas. Sua diversão era exibir suas roupas para os súditos. Para cada hora ou evento, o rei tinha sempre uma novidade em forma de roupa. Dizia-se até que o rei passava mais tempo no seu quarto de vestir do que no gabinete de trabalho.

Pois bem, certa vez chegaram dois tecelões no palácio e gabavam-se de fabricar os mais lindos tecidos do mundo e ainda tinham a especialidade de parecer invisível às pessoas destituídas de inteligência ou àquelas que não estavam aptas para os cargos que ocupavam.

O resultado dessa estória é que os dois tecelões, depois de receberem muito dinheiro e linhas de ouro, fingiam fabricar um tecido enquanto enganavam a todos. Até mesmo os ministros do rei, temendo pelos empregos, afirmavam que estavam vendo o tecido e que era uma coisa estupenda.

É claro que o rei também não estava vendo tecido algum, mas não podia passar por pouco inteligente diante de seus ministros e conselheiros. O certo é que o rei admitiu vestir a roupa especial em um desfile e todos os seus súditos, que também queriam passar por inteligentes, elogiavam a roupa do rei.

Porém, uma criança que estava entre a multidão, em sua imensa inocência, achou aquilo tudo muito estranho e gritou:

- Coitado!!! Ele está completamente nu!! O rei está nu!!

O povo, então, enchendo-se de coragem, começou a gritar:

- Ele está nu! Ele está nu!

O rei, coitado, ficou muito envergonhado e passou muito tempo sem sair de seus aposentos, mas deixou de lado a vaidade. Os dois trapaceiros tentaram dar o mesmo golpe em outro reino, mas foram descobertos e presos.

Este é um breve resumo da fábula.

Vamos, agora, ao real.

No início deste ano, jornais e TVs do Brasil publicaram com estardalhaço o caso do garoto F., 12 anos, preso pela décima vez. Alguns lamentaram que, mesmo assim, absurdamente, F. não poderia ficar preso e seria liberado pelo Juiz.

Os jornais informaram que a ficha de F. é maior do que ele mesmo e seus crimes estão relacionados com “furto de veículo”, “dirigir sem permissão”, “furto à farmácia” e “desacato.”

A maioria dos leitores, comentando a notícia, defende que F. já é um bandido, que deve ser preso ou morto pela polícia, pois é irrecuperável. Outros fizeram a crônica de seu futuro: vai continuar roubando, vai ser internado e fugir, vai continuar roubando e matar algum cidadão de bem... até um dia ser morto pela polícia.

Certamente vai ser assim mesmo.

É difícil compreender, no entanto, que a história da vida de F. já é um grito:

- O rei está nu! Vocês todos estão nus! O “sistema” de vocês está nu!

Ele tem razão.

O simples fato de uma criança com 12 anos registrar 10 entradas em delegacias é o atestado definitivo da falência do sistema de proteção à criança e adolescente desse país! Não funcionou com F. e não funciona com milhões de outras crianças. Para eles não existem direitos fundamentais, nem Constituição Federal e nem Estatuto da Criança e do Adolescente.

E a sociedade brasileira, de outro lado, preocupada com sua própria roupa e suas vaidades, pensa que está vestida com um magnífico tecido e faz crer a todos, através dos “Jornais Nacionais” da televisão brasileira, que F. é uma excrescência, uma anormalidade que precisa ser varrida da vida social. Não adianta: vai um e surgem dezenas a cada dia...

E assim todos pensam que estão finamente vestidos: os legisladores elaboram cada vez mais leis rigorosas, o judiciário se esforça cada vez mais para cumprir as leis rigorosas e o executivo faz de conta que oferece as condições necessárias à proteção da infância pobre desse país.

O que não sabem e não querem saber, na verdade, é que estão todos nus e que o comportamento social de F., na verdade, é o mesmo grito da criança da fábula de Andersen:

- O rei está nu!

É preciso, por fim, que os Juízes de Direito, Promotores de Justiça, Delegados de Polícia, Conselheiros e quem mais quiser façam coro com ele:

- O sistema está nu!

Não cabe pesquisar: o rei está nu e pretende continuar assim


Matéria do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba: aumentam investimentos em ciência no Paraná. Aumentam muito, 82%. Legal, não é?

Mas, antes de comemorar, leia um trecho do texto:


Apesar do aumento no investimento na área, um desafio ainda é tornar as pesquisas realizadas nas universidades acessíveis à sociedade. Para o pró-reitor de pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Waldemiro Gremski, que integra o Conselho do Fundo Paraná, há uma cultura de isolamento entre o setor empresarial e as universidades. ‘Isso faz com que 90% das pesquisas terminem logo que são publicadas. Não se transformam em produto ou benefício para a comunidade’, diz.

Cabe perguntar: então, para quê? 

Não, não estou dizendo que é ruim investir em pesquisa. Pelo contrário, pelo menos se mostra valor pelo conhecimento, pela capacidade intelectual. Ótimo. Mas, um dos objetivos da pesquisa acadêmica é contribuir com a vida humana, com a sociedade e por aí vai. Por outro lado, claramente se tem resumido as ações de empreendimento a isso que o texto refere como “setor empresarial”. Nada se faz se este não se interessa, quando é o caso de algo que não trará lucro e aumento de capital. 

Se não se lucra, nada se faz. 

Então, além de perguntar para que se pesquisa se não se usa a pesquisa, devemos perguntar por que é que esse tal “setor empresarial”, que visa lucrar, é o encarregado de agir, de fazer as coisas. Ok, parece que é algo natural, mas não custa perguntar, ainda que a não se encontre resposta aceitável. Afinal, se o setor empresarial quer lucrar, não quer contribuir com a vida humana, com a sociedade etc. Quer lucrar e a contribuição social não parece ser mais que um ganho secundário. Está certo isso? 

Vamos pensar um pouco e fazer três perguntas:

1. É autêntico? 

Sim, se formos levar em conta a aceitação do fato. Todos pensam que cabe ao empresário fazer as obras e quando o governo faz, ainda as entrega de mão beijada para serem exploradas comercialmente pelo empresário. Como no caso do Maracanã. Mamata, véi. 

Não, se levarmos a sério a razão. Não é racional encarregar alguém de uma ação quando esse alguém tem prioritariamente o objetivo de extrair vantagens pessoais dessa ação. Em último caso, você pode usar uma pessoa como essa, não sempre. Problemas serão quase inevitáveis no quesito qualidade, pois para obter lucratividade o empresário terá que reduzir custos, sempre. E, em 99% dos casos, reduzir custos representa baixar o nível. 

2. Isso é bom?

Claro que não, no mínimo pelo motivo elencado no último parágrafo. 

Mas, como tudo tem dois lados, é bom, pois uma empresa é um conjunto de pessoas e, logo, se essas pessoas têm trabalho, não estão por aí olhando torto e com olhos cobiçosos para quem tem trabalho e dinheiro. Logo, o bom aí é relativo à prevenção de problemas, não um bem em si. 

3. É útil?

Depende de para quem e para quê. Deve-se levar em conta também o item “em que momento”. Se não há alternativa, algo, mesmo que mau e inautêntico, pode ser útil. Não há outra saída mesmo... 

No entanto, é mais útil que tudo se perguntar exatamente quem ganha e o que ganha com isso. E algo feito “nas coxas”, apenas para lucrar, pode ser útil num determinado momento e terrivelmente inútil, ou mais que isso, trágico, em outro. Um exemplo é direto e simples: quando Sergio Naia construiu o edifício Palace II, foi útil para aquelas famílias que compraram apartamentos. Depois, você sabe o que aconteceu. 

Este mundo é uma sala de espelhos. Se você quer entendê-lo, precisa ver invertido. 

Só não se desespere: não adianta e piora as coisas. Que tal, já que se investe tanto em pesquisa, fazer um estudo sobre isso. Ah, sei, isso não interessa ao mercado: o rei está nu e pretende continuar assim. Desse modo, você pode passar seu tempo imaginando uma nova roupa real a cada momento, como as pilhas-humanas de Matrix.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Ex-vice-presidente da seção Manhatann da JPMorgan sugere haver indícios que instituição é lavanderia de dinheiro sujo

Mas, será que não podemos confiar nem
numa instituição respeitável como essa?
Tradução livre do texto publicado em http://www.icij.org/offshore/jpmorgan-chases-record-highlights-doubts-about-big-banks-devotion-fighting-dirty-money, sobre a possível participação da JOMorgan na lavagem de dinheiro. 

No verão de 2009, Jennifer Sharkey andava com companhias seletas. Como uma vice-presidente de gestão de fortunas privadas do grupo JPMorgan Chase, ela estabeleceu relações com 75 clientes de "alto patrimônio líquido", cujos ativos totalizam mais de meio bilhão de dólares. 

As coisas mudaram para ela, diz, depois que ela levantou dúvidas sobre um cliente estrangeiro “suspeito” que tinha milhões guardados em várias contas no banco. 

O cliente estava fazendo questionáveis transferências de dinheiro e ocultando quem realmente possuía certas contas, de acordo com uma ação judicial que Sharkey está abrindo no tribunal federal de Manhattan. Ela também descobriu evidências, segundo a ação, que o cliente falsificou demonstrações financeiras para uma de suas empresas e que estava envolvido no "desaparecimento inexplicável" de milhões de dólares em mercadorias em outro empreendimento.

De acordo com sua petição, depois que ela alertou os altos-funcionários do banco que o cliente poderia estar envolvido em fraudes e lavagem de dinheiro, a JPMorgan se apressou em lhe calar – pressionando-a para que parasse de levantar questões sobre o cliente, transferindo seus outros clientes para outros colegas e, finalmente, demitindo-a. 

"Eu estava apenas fazendo o meu trabalho", Sharkey disse em uma entrevista ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (International Consortium of Investigative Journalists – ICIJ – entidade que tem investigado a circulação financeira nos Paraísos Fiscais numa investigação batizada como OFFSHORE LEAKS). Mas, para o banco, disse ela, "era mais importante para manter esse cliente do que fazer a coisa certa".

(...) 

Ao longo dos anos, JPMorgan Chase e seus antepassados corporativos foram acusados de servir como canais para dinheiro controlado por traficantes, mafiosos e déspotas políticos, agindo como ímãs para a "fuga de capitais" dos ricos sonegadores da América Latina e outras regiões. O banco também teve participação, segundo a petição judicial de Sharkey, em grandes fraudes fiscais nos escândalos da Enron e da Madoff.

(...)

O resto você lê em http://www.icij.org/offshore/jpmorgan-chases-record-highlights-doubts-about-big-banks-devotion-fighting-dirty-money 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Na trilha da verdadeira bandidagem

No centro, os donos do mundo, The Bilderberg Group

Estranhos tempos em que há gente que se horroriza com a violência dos pobres, enquanto a violência dos ricos é infinitamente mais lesiva e nociva. Isso me parece, em última instância, um sinal da mais desprezível covardia.

Segue, abaixo, um artigo de Ladislau Dowbor que aponta um caminho que deve ser levado em conta. É preciso rastrear as movimentações financeiras dos tubarões internacionais, que são poucos, bem poucos. Dá para botar todos num avião e a vantagem dessa ideia é que podemos atirar o avião contra uma montanha e nos livrar desses agentes cancerígenos. 

No artigo, particularmente indico um parágrafo, que transcrevo: 
O primeiro grande estudo que surge, o do Instituto Federal Suíço de Pesquisa Tecnológica (ETH, na sigla alemã), apresentou dados impressionantes: ao analisar o sistema de controle nas 43 mil maiores corporações do mundo, constatou que 737 grupos controlam 80% do universo corporativo e, destes, um núcleo particularmente fechado de 147 controla 40%. Três quartos dessas corporações são da área financeira. O estudo conclui que, com esse grau de concentração, falar em “mercado” no sentido de concorrência faz pouco sentido. Confirma o conceito de “clube dos ricos”. Não precisa inventar teorias conspirativas para entender que um grupo tão pequeno e com interesses convergentes “faz” o mercado e cria, pela força política que representa, as suas regras, entre as quais, evidentemente, a redução da transparência.
O trecho selecionado é particularmente útil para uso quando um idiota ou um canalha vier com aquela história para boi dormir do mercado ser o "conjunto dos consumidores" e, ainda por cima, defender a livre iniciativa com liberdade e iguais condições para todos. Lembro do Armínio Fraga dizendo isso com a cara mais inocente do mundo no programa Roda Viva, da Cultura de São Paulo. Até hoje fico em dúvida se o deveria chamar de tolo ou canalha. Como foi empregado do Soros, creio que idiota não é. Mas, que fazer? "É a economia, estúpido!", ele poderia me dizer e quase se absolveria, me sugerindo que num mundo anômico como este, idiota é o que não se corrompe e canalha é o que ilude a si próprio com a fantasia de uma realidade mais justa. A regra é a anomalia moral, a aberração ética e o critério é o preço de cada um.

Boa leitura.

O chamado "mercado livre"


A lenta conquista da transparência financeira

Apoiados na internet, estudos inovadores começam a desvendar mundo proibido do poder econômico. No futuro, rede poderá torná-lo dispensável

Por Ladislau Dowbor* 

Em maio de 2012, entrou em vigor uma lei de suma importância, a Lei da Transparência. Agora, todo cidadão tem direito de acessar as contas de qualquer repartição federal, estadual ou municipal. É um grande avanço. Com toda a teatralidade da perseguição a atos de corrupção, o que funciona mesmo não é enfileirar anos de investigação, e sim simplesmente acender a luz. Ou seja, tornar os atos transparentes.

Saber o que acontece com o dinheiro público é um grande avanço, e os efeitos se farão sentir à medida que diversos atores sociais e a cidadania em geral se acostumem a utilizar o instrumento legal agora em suas mãos. Em termos de apresentação de dados, a mudança também é substantiva: o cidadão tinha certo controle sobre os resultados, podia ver com os seus olhos se as escolas foram construídas ou não, mas agora vai poder controlar os processos. Em termos de organização de indicadores e da informação econômica em geral, as pessoas estão começando a querer saber como os resultados são atingidos.

Não basta ter informações sobre o dinheiro público, é igualmente importante saber o que acontece com o dinheiro do público. Ou seja, além de saber que serviço nos presta uma empresa, precisamos também saber, cada vez mais, como e a que custo foi prestado, ou seja, conhecer o processo. A busca da transparência na divulgação de informações comerciais e financeiras está apenas começando no setor privado. E, tratando-se de dinheiro do público, nada melhor do que começar pelo setor de intermediação financeira.

Pouco percebidos pela população em geral, há avanços muito significativos, resultado indireto da crise. O descontrole das transações dos grandes bancos tornou-se evidente, propiciando a elaboração de estudos sobre as dinâmicas financeiras e iniciativas de saneamento. Inclusive porque o setor produtivo exige serviços muito mais eficientes.

O primeiro grande estudo que surge, o do Instituto Federal Suíço de Pesquisa Tecnológica (ETH, na sigla alemã), apresentou dados impressionantes: ao analisar o sistema de controle nas 43 mil maiores corporações do mundo, constatou que 737 grupos controlam 80% do universo corporativo e, destes, um núcleo particularmente fechado de 147 controla 40%. Três quartos dessas corporações são da área financeira. O estudo conclui que, com esse grau de concentração, falar em “mercado” no sentido de concorrência faz pouco sentido. Confirma o conceito de “clube dos ricos”. Não precisa inventar teorias conspirativas para entender que um grupo tão pequeno e com interesses convergentes “faz” o mercado e cria, pela força política que representa, as suas regras, entre as quais, evidentemente, a redução da transparência.

Um segundo estudo importante foi coordenado por James Henry, ex-economista-chefe da McKinsey, no quadro da Tax Justice Network. Cruzando dados de fluxos registrados ou parcialmente registrados nas diversas fontes, bancos centrais, bancos privados, administradores de grandes fortunas e outros, o estudo identificou as ordens de grandeza do dinheiro em paraísos fiscais, portanto fruto de evasão fiscal, de lavagem de dinheiro de drogas, venda ilegal de armas, corrupção e semelhantes. O resultado da pesquisa aponta para dinheiro ilegal acumulado entre US$ 21 trilhões e US$ 32 trilhões, ou seja, entre um quarto e um terço do PIB mundial. A participação brasileira é estimada em US$ 520 bilhões, cerca de um quarto do PIB do país. No seu número de 15 de fevereiro de 2013, a revista The Economist publica um dossiê sobre esses recursos, adotando a cifra de US$ 20 trilhões como estimativa mais provável. E expande a pesquisa de James Henry, apontando para os principais paraísos fiscais: não são as Ilhas Cayman e semelhantes, mas o Estado de Delaware e a praça de Miami, nos Estados Unidos, e a praça financeira de Londres. E a gestão está nas mãos dos grandes bancos internacionais, basicamente os mesmos analisados pelo estudo do Instituto Federal Suíço.

Juntam-se a isso, naturalmente, a manipulação do Libor e do Euribor pelos mesmos grupos financeiros, os processos contra o HSBC por lavagem de dinheiro de drogas, as pressões de vários governos no sentido de resgatar informações sobre o dinheiro ilegal, os processos movidos contra usuários do sistema de evasão, como Google, Facebook e Starbuck na Europa, e assim por diante.

Basicamente, e apesar da enorme resistência do grupo de 28 instituições financeiras que The Economist apresenta como sendo “sistemicamente relevantes”, estão sendo geradas obrigações de apresentação de contas (disclosure) e outras medidas por meio da proposta de lei Dodd-Frank, nos Estados Unidos, indo até o outro extremo de nacionalização dos bancos na Islândia, e medidas intermediárias, como no caso da Grã-Bretanha e da União Europeia. Chipre, cansado de ser um país pobre que abriga grandes fortunas, em particular da Rússia, criou uma taxa sobre depósitos, forma de atingir o dinheiro fugitivo.

No Brasil, constatamos as progressivas iniciativas por parte do governo, utilizando os bancos oficiais para forçar a redução de juros, e iniciativas interessantes como do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e do Instituto Akatu, este último publicando cartilhas que ensinam os usuários de bancos a se proteger, cartilhas elaboradas juntamente com as áreas de responsabilidade social dos próprios bancos. Mas temos um imenso caminho por trilhar. É difícil entender por que os americanos pagam 16% no cartão de crédito e os brasileiros 238%. Estamos dando os primeiros passos.

Outras práticas estão aparecendo no que Milton Santos chamava de “circuito inferior” da economia. Pequenas iniciativas que se multiplicam tornam-se significativas. A pesquisa de alternativas de intermediação financeira Banco Palmas 15 anos, por parte do Núcleo de Economia Solidária da Universidade de São Paulo (Nesol-USP),  mostra como o dinheiro pode ser administrado em função das necessidades dos próprios poupadores. No Brasil, já são 103 bancos comunitários, há Oscips de intermediação financeira, como em Criciúma (SC), Agências de Garantia de Crédito, como em Caxias do Sul (RS), e semelhantes. O dinheiro tem pezinhos ágeis e, ao surgirem alternativas, poderá migrar. É útil lembrar que a Alemanha resiste melhor à crise não só porque tem maior força industrial, mas porque os dois terços da totalidade das poupanças das famílias, o que é muito dinheiro, estão não em grandes bancos, mas nas tradicionais caixas de poupança locais, financiando os pequenos projetos e necessidades econômicas da própria localidade. Boa prática, na área da intermediação financeira, exige hoje a flexibilidade de se adaptar às necessidades reais dos clientes.

* Ladislau Dowbor é economista e professor titular no Departamento de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). 

http://www.outraspalavras.net/2013/05/03/a-lenta-conquista-da-transparencia-financeira/

O colesterol é inocente!, diz Uffe Ranskov


Pode comer sem culpa! 
E desde criança escuto essa conversa de colesterol alto, dos malefícios do colesterol. Sempre achei besteira, mais um esquema comercial médico. Segue, abaixo, uma entrevista com um sujeito que concorda comigo, com a diferença de que ele foi fundo no assunto, é o que os comuns chamam de um "especialista". Logo, tem mais crédito. 


“A campanha do colesterol é o maior escândalo médico do nosso tempo”

Entrevista com Uffe Ranskov, investigador dinamarquês e fundador da Liga Internacional dos Céticos do Colesterol que defende que o colesterol alto não é causa mas apenas um sintoma das doenças cardiovasculares. 

Por: Bárbara Bettencourt, 03 Maio 2013.


Como começou o seu interesse no colesterol?

Quando a campanha anti-colesterol começou na Suécia, em 1989, fiquei surpreendido porque nunca tinha visto indicações na literatura médica que mostrassem que o colesterol elevado ou as gorduras saturadas fossem prejudiciais. Como sabia pouco do assunto comecei a ler de forma sistemática e rapidamente percebi que o rei ia nu.

Parece haver uma guerra de estudos nesta matéria...

Quase todas as pesquisas nesta área são pagas pelas farmacêuticas e pela indústria das margarinas. É também um facto triste que muitos investigadores que mostraram que o colesterol elevado não é mau, não o percebam eles próprios. Por exemplo, dois grupos de investigação norte-americanos mostraram recentemente que o colesterol de doentes que deram entrada no hospital com ataque cardíaco estava abaixo do normal. Concluíram que era preciso baixar o colesterol ainda mais. Um dos grupos fez isso mesmo. Três anos depois tinha morrido o dobro dos pacientes a quem tinham baixado o colesterol, comparativamente aqueles em que o colesterol foi deixado na mesma.


(...) os autores do mais recente relatório da OMS/FAO admitiram que a gordura saturada é inocente e apesar disso continuam com as recomendações de dietas com baixos teor de gordura e altos teores de hidratos de carbono (...)

Se o colesterol não tem influência na doença coronária como se explica que haja tantos estudos a mostrar efeitos positivos das estatinas em pessoas com historial de doenças coronárias?

A razão prende-se com o facto das estatinas terem outros efeitos, anti-inflamatórios, além de baixarem o colesterol. O seu pequeno benefício só foi demonstrado em pessoas jovens e homens de meia- idade que já tiveram um ataque cardíaco. Nenhum ensaio de estatinas foi capaz de prolongar a vida às mulheres ou pessoas saudáveis cujo único ‘problema’ é terem o colesterol alto. E há mais de 20 estudos que demonstram que pessoas mais velhas com colesterol vivem mais tempo.

Há quem não desvalorize completamente o papel do colesterol, nomeadamente o LDL, mas enfatize a importância do tamanho das partículas.

O investigador norte-americano Ronald Krauss descobriu que o LDL existe em vários tamanhos e que um número elevado de partículas pequenas e com maior densidade está associado a um maior risco de ataque cardíaco, enquanto que um numero alto de partículas de LDL grandes está associado a um risco menor. Também demonstraram que ao comer gordura saturada o número de partículas pequenas no sangue descia e que o número das grandes subia. Isto não significa que as partículas pequenas sejam a causa dos ataques cardíacos. Haver uma relação não implica que seja de causa efeito. O que estes estudos demonstraram foi que comer gorduras saturadas não causa doenças coronárias. De qualquer forma, uma análise do colesterol diz pouco. O nível de colesterol depende de muitas coisas. O stresse pode aumentar o nível de colesterol em 30% a 40% em meia hora.

Diz ainda que as gorduras saturadas não são um problema mas sim a comida processada, com gorduras hidrogenadas, e o açúcar...

Sim, o triste é que até os autores do mais recente relatório da OMS/FAO admitiram que a gordura saturada é inocente e apesar disso continuam com as recomendações de dietas com baixos teor de gordura e altos teores de hidratos de carbono. O relatório diz ‘As provas disponíveis de ensaios controlados não permitem fazer um juízo sobre efeitos substantivos da gordura na dieta no risco de doença cardiovascular’. Na Suécia, milhares de diabéticos obesos puderam deixar a medicação para a diabetes evitando os hidratos de carbono e comendo alimentos ricos em gordura saturada.

O que recomenda às pessoas relativamente a tomar estatinas?

Não usem estatinas! O seu benefício é mínimo e o risco de efeitos adversos é muito mais alto do que o que as farmacêuticas dizem. Vários investigadores independentes mostraram que há problemas musculares em 25 a 50% das pessoas, especialmente nos mais velhos. Pelo menos 4% ficam com diabetes e parece haver também ligação a perdas de memória ou Alzheimer. Os problemas de fígado também são um risco. A campanha do colesterol é simplesmente o maior escândalo médico do nosso tempo.

http://activa.sapo.pt/belezaesaude/saude/2013/05/03/a-campanha-do-colesterol-e-o-maior-escandalo-medico-do-nosso-tempo#ixzz2SbjxaqZS