quinta-feira, 4 de abril de 2013

Que merda, companheiros...


Mino Carta é editor da Carta Capital, revista tradicionalmente aliada do atual governo, mas mostra independência na última edição, quando faz uma denúncia importante envolvendo assunto que vem preocupando os que não sucumbiram ao canto de sereia dos militantes do Partido dos Traíras (o ex-PT, antigo Partido dos Trabalhadores). Ele denuncia Paulo Bernardo, figura-chave no governo da presidente de plástico, marido de Gleisi Hoffmann, chefe (ou chefa, para seguir a presidenta) da Casa Civil e aspirante ao governo do Paraná, como lobista das Organizações Globo e vai mais longe: além dos herdeiros de Roberto Marinho, o paranaense ainda tem favorecido a Oi, do cearense Carlos Jereissati e do mineiro Sérgio “Andrade Gutierrez”. Não satisfeito, vai mais longe ainda: faz oposição firme e intransigente a qualquer iniciativa de regulação da mídia. Isso porque parece não querer contar tudo, pois, tudo indica, a história é mais longa do que imaginamos. 

A capa da revista é ofensiva: a foto do ministro das Comunicações está acompanhada da chamada “Ministro Plim Plim e do Trim Trim…”. Nada elogioso isso, mas, aparentemente, absoluta e completamente justificado. O governo do PT arriou as calças para o poder econômico, notadamente no setor comunicação. Espertamente, Dilma e seus áulicos sabem que não é negócio deixar insatisfeitos os barões da mídia e, como pretendem ficar no poder ad eternum, fazem qualquer coisa. Coisa feia. 

Eis, abaixo, o trecho da matéria de Carta que a revista disponibilizou na internet: 

Quem alimentava esperanças de assistir no Brasil a uma discussão séria e fundamentada sobre a atualização das leis de comunicação pode desistir. O último projeto elaborado pelo governo, obra do ex-secretário Franklin Martins ainda no governo Lula, foi enterrado oficialmente pelo atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
Em entrevista recente a O Estado de S. Paulo, Bernardo não deixou dúvidas: o governo Dilma não está disposto a bancar a regulamentação da mídia nem a considera necessária. “Temos de discutir menos apaixonadamente essa questão da mídia. Entendo que a democracia brasileira pressupõe mídia livre e liberdade de expressão. Não queremos mudar isso”, afirmou o ministro, numa platitude bem ao gosto dos donos dos meios de comunicação, embora desprovida de qualquer conteúdo.
O ministro não é bobo e deveria saber: quem normalmente alerta para os efeitos deletérios do oligopólio midiático existente no País deseja mais e não menos liberdade.
E não somente liberdade concentrada nas mãos de uns poucos. 
O sistema de regulação no Brasil, cuja principal regra, a lei de radiodifusão, foi criada nos anos 1960, estimula a lei da selva, em que prevalece a vontade dos mais fortes.
Contém vícios do passado e não resolve impasses do presente. Não há impedimento à propriedade cruzada, o que estimula os monopólios, licenças são negociadas ao arrepio da Constituição, o que explica o aumento do proselitismo religioso eletrônico, e políticos permanecem livres para ser donos ou sócios de emissoras de rádio e tevê, uma afronta ao jogo democrático.
Fora isso, as mudanças tecnológicas em curso, com o crescimento da internet e a convergência (hoje se pode ler um texto jornalístico ou assistir à tevê no celular e no computador) exigem por si só uma rediscussão dos marcos regulatórios do setor.
Nada disso tem a ver com censura, ao contrário do discurso conservador e conveniente a quem opera sem nenhum freio. 
Essas constatações tão simples parecem insuficientes para comover Bernardo. E dá-se, assim, por meio de suas mãos, uma morte semelhante, por asfixia, do debate igualmente enterrado no governo Fernando Henrique Cardoso, que chegou a preparar em vão três marcos regulatórios do setor. 

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Que merda, companheiros. A cada dia que passa me convenço que é preciso mudar, urgente, o governo no próximo ano. Não dá para aturar os traíras por mais quatro anos. É arriscado demais. Até lá, destruímos o que resta de expectativas de termos governantes éticos e comprometidos com a justiça social. 

Sou obrigado a fazer coro com os que dizem: Fora PT. 

PS: Mas, ainda há uma chance. O diretório nacional do partido tem a chance de nos devolver alguma esperança. Se houver restado alguma dignidade, o que esperamos é a expulsão de Bernardo, independente de seu cargo, ou principalmente por ocupar um cargo tão importante e conduzi-lo de forma tão pouco respeitosa. Mas, talvez seja mais fácil o diabo se converter que um ministro tão próximo da presidente ter o destino que merece. Possivelmente, apenas cumpre ordens. 

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