quarta-feira, 10 de abril de 2013

O país da baixa qualificação e o camarada equivocado


Oferecer emprego de baixa qualificação,
com tantos impostos cobrados, é esmola
Outro dia disse que o governo do PT vai nos dando esmolas e, como esmola não satisfaz a muitos por muito tempo, alertava que os ex-companheiros corriam o risco de ver o castelo de areia que estão construindo desabar antes do que esperam. Uma leitora (assina “anônimo”, mas é claramente uma mulher pelo texto escrito) parece ter se indignado. Nem tenho muito o que dizer a ela: apenas que se valorize mais e que espere mais de um governo que se diz “de esquerda”. 

Hoje, leio esclarecedora matéria sobre a falta de profissionais com qualificação no mercado de trabalho brasileiro. Segundo a matéria, publicada no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, o Brasil é o vice-líder mundial em escassez de talentos. E um desses especialistas esclarece que isso ocorre porque nos últimos anos o aumento de carteiras assinadas foi significativo, mas o mesmo não ocorreu na qualificação do trabalhador. 

Em resumo: nota dez no combate ao desemprego, nota zero no incentivo à qualificação do trabalhador. O PT investe fundo no populismo e, se incentiva quem está em baixo a subir, impõe uma barreira, um limite para isso. Subir pode, crescer é bom, até certo ponto, parece dizer o governo. Isso deve ocorrer por conta da íntima amizade que os ex-companheiros têm com o andar de cima, com as elites nacionais e seus valores pernósticos. Ninguém quer ver os amigos em companhia de novos ricos, eles devem pensar. 

Para o PT governista o Brasil não passa de um país de faxineiros, balconistas, chapeiros e atendentes de telemarketing. Ok, o trabalho enobrece e trabalhando se ganha o pão. Tudo bem, aplausos. Mas, para um país como o Brasil isso é muito pouco, ainda mais com os impostos cobrados. 

O trabalhador brasileiro precisa dizer para o governo que não quer apenas emprego, mas também qualificação profissional, além de balé e arte, que isso faz bem ao espírito. 


Canalha ou trouxa?

Ontem, digo a um camarada* no Facebook que a classe média está de saco cheio, paga muito imposto, tem serviços de merda e não consegue poupar sem ver a qualidade de vida descer ladeira abaixo, tudo por conta da grana que os serviçais dos banqueiros lhes enviam a título de pagamento e amortização da dívida. Ele me responde que o governo do PT baixou os juros e facilitou o crédito para o “povão”. Puta que o pariu. E não é um sujeito burro, pelo contrário. Para mim, é um mistério o porquê de pessoas que sabem ler, escrever e até mesmo se arvoram a discutir política, que levantam bandeiras e se avaliam como progressistas conseguem pensar de modo tão ralo. 

Alguém diga a esse cara que facilitar crédito para o povão é algo que, em si, significa endividar as pessoas, incentivar o consumo pelo consumo e, ao fazer isso, propor que o trabalhador, no desespero de ter como pagar as contas, aceite trabalhos de baixa qualificação, que são os que estão sendo oferecidos em massa por aí. É a economia capitalista, camarada, aquela que você diz combater, mas à qual se alia, na vida prática e nos argumentos, quando a corda aperta. 

O importante é que no campo da produção, que é o que interessa na prática, o país vai descendo a ladeira. 

Mas, o camarada deve saber disso. Por que sabe e mesmo assim continua tentando crer no governo petista é o enigma. E ano que vem, a Narizinho, apelido da senhora Chefe da Casa Civil da senhora Dilma, esposa do ministro Bernardo, que Mino Carta vem denunciando com propriedade, chamada Gleisi Hoffman, tentará se eleger ao governo do Paraná. E o camarada justamente fazia uma extemporânea campanha para a moça no Facebook. 

Bem, digo dele o mesmo que disse a outro sujeito, grande amigo meu: ou está levando algum, no que entendo que é um canalha; ou não está levando nada e toma o partido de quem lhe sacaneia, o que me leva a avaliá-lo como um trouxa. Que outra opção me resta?

* O termo, ao menos no Paraná, é quase propriedade exclusiva de um partido, o Partido Comunista do Brasil, conhecido informalmente como PC do B. É o endereço político do sujeito citado; pelo menos era, quando o conheci. O nome dele, prefiro não dizer neste momento. Não ajuda muito, ele certamente se ofenderá e, pelo nível de argumentação demonstrado, tenderá ao rancor e à ofensa. Melhor evitar isso. 

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