sexta-feira, 12 de abril de 2013

Desculpas é o... pode ir devolvendo meu dinheirinho


Leia, abaixo, o pedido de desculpas da Microsoft acerca da travação generalizada ocorrida nos PCs dos clientes do Windows Seven (eles escrevem 7, mas não é sete, é seven): 
Estamos cientes de que alguns clientes podem estar passando por dificuldades após a aplicação da atualização de segurança KB2823324 para Windows 7, liberada ontem (10). A questão está isolada ao Brasil e nós já estamos trabalhando ativamente para resolver a situação. Pedimos desculpas por qualquer inconveniente que isso possa ter causado aos nossos clientes.
Se quiser ler o resto vá á página http://www.tecmundo.com.br/windows-7/38462-atualizacao-que-causa-problemas-no-windows-7-afeta-somente-o-brasil.htm#ixzz2QFPYD0BH 


Pagar o prejuízo é o mínimo

Ok, ok. Mas, espere. A Microsoft é uma empresa de capital privado que fatura prestando um serviço. Logo,  se não presta o serviço, deve responder faturando em favor do cliente. Não em produtos ou serviços, a não ser que seja escolha do freguês, mas em espécie, em valores palpáveis, materiais: em dinheiro, devolvendo-o a quem embarcou no engodo do produto que travou a máquina, ou, no caso de uma outra empresa, que preste outro serviço ou que forneça outro produto, fazendo a troca ou, se for escolha do cliente, a devolução do valor pago. Se uma “companhia telefônica”, como se dizia antanho, deixa seu telefone mudo um dia, dois, uma semana, que você pague o correspondente ao que funcionou, não ao período em que você não teve o serviço. O mesmo se aplica aos tais “recalls” de carros. Não basta ser gratuito o reparo ou troca, a empresa tem que indenizar o freguês pelo trabalho que deu. 

Se o cliente não pagar o que deve na data, se o cliente piratear, se o cliente quebrar o aparelho da empresa, esta vem com taxas, compensações, multa, juros e, caso você não concorde em pagar, vai direto no teu pescoço com outro aparelho: o jurídico. 

Afinal, se as regras draconianas valem para você, pessoa física, precisam valer para a pessoa jurídica. É o mínimo. É respeito. Ou não?

Se isso valesse, se o Estado desse atenção especial a esse mecanismo fundamental para a credibilidade do sistema econômico, pode ter certeza que a psicopatia empresarial pensaria duas vezes antes de se manifestar. Mas, como diz um conhecido, se você mete a mão em cem dólares, é ladrão, se faz um ganho de um milhão, é doutor. 

PS: Não tive esse problema, pois não gostei do “seven” e dei um jeito de deletá-lo do laptop. Escrevo isto com base em informações de uma cliente ultrajada da Microsoft. Pagou pelo produto e levou um cano, segundo ela. Espera-se que, como a empresa diz que vai apresentar solução nos próximos dias, essa proposta inclua a devolução do que foi pago, em valor correspondente ao prejuízo óbvio que o cliente teve com o problema.

2 comentários:

  1. É interessante criticar as coisas, não ficar acomodado ou passivo demais. Mas o importante é criticar com LUCIDEZ, a crítica excessiva a tudo demonstra uma certa infelicidade, e a infelicidade é um sinal de falta de LUCIDEZ. O que significa que você não está vendo as coisas como realmente são, está limitado simplesmente a critica-las. O mundo, os fatos e acontecimentos, são muito mais do que o aqui e o agora. Paz e LUZ

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    1. Caro(a) anônimo(a), grato pelo comentário e pela preocupação com minha felicidade e lucidez. Curiosamente, este texto não é crítico, apenas pede que sejam utilizados pesos iguais e proporcionais para empresas (pessoas jurídicas) e consumidores (pessoas físicas). Não há uma crítica explícita, a não ser ao fato de que as empresas, principalmente as grandes, têm privilégios inegáveis. Isso não é correto e tira a credibilidade do sistema. Agora, efetivamente, o caso é de ficar bem infeliz não apenas com essa realidade lamentável descrita aqui, mas idem no geral. Pessoalmente, me sinto bastante bem, até bem demais, pois tenho o núcleo da minha vida estruturado pelo amor, pela paz e pela luz. No entanto, olhe em torno. Ora, tudo bem, não vamos nos jogar na primeira janela ou estourar os miolos. Mas, veja bem! Se para você está tudo bem, se a gente deve criticar esse estado de coisas simplesmente para não ficar acomodados ou passivos, sinto muito, não concordo e acho mesmo que você precisaria pensar um pouco no seu estado de alienação. Tomas anestesia toda manhã? Eu não tomo, embora devesse. Então, só me resta tentar ajudar a compreender melhor esta realidade triste da sociedade brasileira, que não é "privilégio" nosso, mas que por aqui parece assumir gravidade maior, pois somos um país periférico, porém grande, o que nos leva a ser um ponto de interesse importante para os chamados "donos do mundo". Nossas elites são da pior qualidade e isso piora tudo. De todo modo, obrigado pela crítica. Não se preocupe, eu mesmo tenho me perguntado se não conseguiria ver a realidade com mais condescendência. Acho que não consigo. Para mim, há uma guerra em curso, que se estabelece como silenciosa, mas por isso mesmo mais destrutiva do que usualmente e cujo campo de batalha é a cultura. Creio que o papel do intelectual é criar polêmica, é criar problemas, não resolver as coisas, até porque resoluções não dependem de uma só pessoa nesses casos. Abraço e novamente agradeço a crítica.

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