terça-feira, 9 de abril de 2013

Atenção: não há ninguém cristianizando o pastor

O político mineiro Cristiano Machado,
que foi "cristianizado" por seu partido

Com relação a toda essa “empolgante” história do pastor versus os antipastor uma conhecida me disse: “Mas, estão cristianizando esse cara!” Não entendi e lhe perguntei o que queria dizer, pois não via qualquer cristianização no caso. Ela explicou que estavam fazendo com o deputado-pastor Feliciano o mesmo que fizeram a Cristo. “Daqui a pouco, vão crucificar o homem!”, explicou. 

Não, não é o caso de falar em cristianização. Isso simplesmente porque cristianizar não é crucificar nem torturar ninguém, não é fazer uma pessoa o que foi feito a Cristo. Mas, é compreensível a confusão. Eu mesmo já me confundi com esse termo. 

Cristianizar é algo que acontece quando um candidato recebe apoio formal de um partido, via de rega o seu, mas, na prática, o que ocorre é que o mesmo partido trabalha em prol de outro candidato. É um verbo criado em cima de um acontecimento da política brasileira, quando o candidato a presidente da República Cristiano Machado, do PSD (Partido Social Democrático), foi abandonado por seu partido, cujas lideranças acabaram por optar pelo apoio informal a Getúlio Vargas. Isso, em 1950, quando Getúlio ganhou, assumiu o mandato no ano seguinte, mas não o concluiu. 

Assim, o Cristiano foi cristianizado. 

Como curiosidade maior relativa àquela eleição, o slogan rimadinho do candidato Cristiano: “A cigana não se engana”. Isso porque reza a lenda que uma cigana havia predito sua vitória no pleito. A cigana o enganou, assim como o PSD. E, mais curioso ainda, o slogan de outro candidato, o brigadeiro Eduardo Gomes, que concorreu pela União Democrática Nacional (UDN): “Vote no Brigadeiro, ele é bonito e é solteiro”. Ganhou Getúlio Vargas, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) que tinha o melhor slogan (ou lema de campanha, como se dizia à época): “Ele voltará!”. 

No caso do pastor Feliciano, seu partido não tem porque abandoná-lo, ainda. Está faturando horrores em termos de popularidade. Alguém sabia da existência do Partido Social Cristão (PSC) antes de Feliciano? Claro que alguém sabia, mas duvido que tantos soubessem tão bem como hoje. O PSC só tem a agradecer a Feliciano e seus inimigos, o que não impede que, em determinado momento, venha a cristianizá-lo, se for o caso. Mas, com certeza, até agora isso não aconteceu. 

Para saber mais sobre Cristiano Machado, acesse http://cincomeiasete.blogspot.com.br/2009/12/cristiano-machado-o-homem-que-virou.html 

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