terça-feira, 9 de abril de 2013

Assim, o Feliciano só agradece

Jesus venceu. Mas, quem foi o único que apostou nele? 

Parece óbvio que esse pessoal que cai de pau no tal deputado pastor Feliciano, o pastor da Comissão de Direitos Humanos, tem parte não com o demo, conforme o próprio diz, mas com sua Igreja e, é claro, seu partido.

As manifestações antiFeliciano cheiram a promoção. De certo modo, visto por um ângulo, os manifestantes o tratam como a um maldito, quase um Anticristo. Ora, nada melhor do que isso para elevar o moral de um religioso e insuflar outros para estar ao lado do caluniado.  

Leio num sítio de relacionamento que um grande amigo publica, compartilha, curte etc. coisas como “150 pastores evangélicos rejeitam Feliciano” ou John Lennon dizendo que está do lado de Deus e que Feliciano não “nos” representa. Você não acha que eu deveria felicitar meu amigo pela conversão? Nada contra, mas será que ele sabe que se converteu?

Chama a atenção o entusiasmo dos militantes antipastor. Mas, há correspondências históricas para esse élan. Você sabia que nos anos 1960 e 1970 havia, em quase toda passeata, os infiltrados? Pois eram os mais radicais, os mais entusiasmados, chegavam a atirar pedra na polícia. E você sabe o porquê. Você sabe o que eles queriam, de que lado estavam.

Lembro de uma luta de boxe entre Cristo e o diabo em um episódio do desenho South Park. Milhões de apostas no diabo, uma apenas em Cristo. O diabo é enorme, forte, maldoso, enfim, o diabo. Cristo é magrinho, amistoso, definitivamente um cara pacífico. Cristo ganha a luta. Quem foi o único sujeito que apostou nele? O diabo. 

2 comentários:

  1. Pois é Luiz, em política as coisas funcionam ao contrário.
    Na faculdade meu pai fez parte de uma chapa para concorrer à presidência do Grêmio. A chapa da oposição dele estava perdendo, e a chapa do meu pai ganhava disparado, com folga.

    Conhecendo esse fato, de que a ofensa, em política, às vezes é mais prejudicial para quem ofende do que para quem é ofendido, a chapa inimiga tomou uma estratégia engenhosa.

    Quando amanheceu, no dia das eleições, surgiram na faculdade um monte de folhetos dizendo que a chapa B (a chapa da oposição) eram um bando de drogados, maconheiros e cheia de gente mau caráter.
    Os alunos da faculdade ficaram indignados com a difamação (que acreditavam ter sido feita pela chapa A) e acabaram votando na chapa B, que foi atacada pelos folhetos, e a chapa B, que estava perdendo as eleições, ganhou com quase 100% dos votos. Até mesmo quem não estava interessado nas eleições passou a se interessar e votar contra a chapa A, supostamente difamadora. Todo mundo acreditou que a chapa A tinha disparado os folhetos, mas na verdade foi a chapa B quem inventou essa estratégia. A chapa B sabia fazer política, eles entendiam o jogo na essência.

    Anos depois meu pai encontrou o sujeito responsável pela chapa B e perguntou a ele se eles tinham feito os folhetos para si mesmos. O sujeito só riu e disse: Política né? Sabe como é.

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    1. É, caro amigo, perfeita a ilustração. Perfeita. E repare, no dia das eleições, sem chance de defesa. Aconteceu algo semelhante na faculdade em que cursei jornalismo. Queimaram um sujeito, uma possível boa representação política desse jeito aí. Mataram no ninho, o cara nem teve chance de defesa. Eu perguntei a um dos tontos que estava revoltado por conta das supostas ofensas: "Mas, ele disse isso?" A resposta, olhos rútilos: "Claro que disse!" "Mas, como tem certeza?", perguntei. "É claro que ele disse!", a resposta. Um xará teu, um cara chamado Gustave Le Bon, elaborou uma teoria sobre a massa, "mob" ele a chamava, que dá pistas de como funciona a "pessoa massa": dirigida de fora, como na alterdiretividade inventada por David Riesman: três pessoas em volta dizem algo, é uma verdade. Você joga uma peça como essa aí e, se três pessoas acreditarem ou fingirem que acreditam, pronto. É a consciência de massa, de rebanho. Parece que somos assim, ou nos fizeram assim. Quem sabe a memória genética de nosso passado animal... mas, fomos bois algum dia?

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