segunda-feira, 25 de março de 2013

Você não é milionário? Então vai pagar caro por isso


O Brasil é engraçado. Há coisas que acontecem aqui que, sinceramente, só rindo, ou chorando, pois não dá para se afirmar com certeza se são cômicas ou trágicas. Bernardo Pilloto (http://www.bernardopilotto.com.br/2013/03/25/eles-reclamam-mas-nao-pagam-os-impostos/) aponta para uma delas: megaempresários e entidades de megaempresários reclamando dos impostos. Ora, mas eles são os que menos pagam! E não estou falando de donos de pequenas e médias empresas. Esses estão próximos do cidadão comum assalariado, que é quem deveria efetivamente reclamar. Próximos, eu disse, porque desgraçado que nem o assalariado, isso não há, principalmente nos últimos governos, que ironicamente foram do partido que sempre se enunciou “dos trabalhadores”. 

A farsa é tão bem montada que os ditos até instalam por aí uns placares cujos números correm incessante e rapidamente, os “impostômetros”. Farsa dos mega, farsa do governo, que apesar de ser do tal partido “dos trabalhadores”, não liga a mínima para os ditos, preferindo distribuir o que tira destes entre os astronomicamente ricos e os muito pobres. Se você é boia-fria ou dono de um empresão, tá feliz. Se tem carteira assinada, salário, férias e décimo-terceiro, tenho pena de você, tanto quanto tenho de mim. Trabalha quase meio ano só para pagar imposto. 

Bernardo Pilloto lembra que, fora a Receita Federal, que odeia a mim e a você, quer nos tirar o máximo e ainda jura que isso é legal, justo e equitativo, há os impostos sobre o consumo, que são os mais pernósticos, principalmente porque atingem em igual medida a todos, independente do poder aquisitivo. Seja rico ou seja pobre, o imposto sobre as mercadorias sempre vem, igual, igualzinho. Ao comprar arroz, feijão ou carne, paga o mesmo tanto o mendigo quanto o banqueiro. Há exceções em alguns produtos que o pobre não compraria nem se pudesse, como caviar, por exemplo, que não tem um sabor assim tão fácil de digerir por quem não o consome por ostentação. 

O arrocho direto no salário, executado pela Receita, ganhou impulso durante o governo FHC, dos tucanos, quando a tabela do Imposto de Renda foi descolada dos reajustes do salário mínimo. O PT, na época oposição, gritou, esperneou, apitou e xingou: votou contra no Congresso. Muito bem, era isso que se poderia esperar de um partido dos trabalhadores. Depois, não mais oposição, disse: esqueça o que eu fiz até hoje, quando era pobre e raivoso, uma oposição desprezível. Agora, fiquei rico, sou síndico do prédio e quem decide sou eu. Então, daqui para frente, nada vai ser diferente. 

Diz Pilloto: 
“Mas os governos de Lula e Dilma mantiveram e acentuaram esta política. Em 1996, a base de cálculo do IR era de R$900,00 mensais, o que equivalia a 8,3 salários mínimos (R$112,00 naquele ano). Hoje, a base de cálculo de R$1.499,15 mensais equivale a 2,77 salários mínimos. Ou seja, os aumentos do salário mínimo geram um aumento na arrecadação dos impostos para o governo federal”.
E o mesmo Pilloto lembra que o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), previsto constitucionalmente e defendido com unhas e dentes por FHC, nos tempos em que era senador, e pelos petistas, nos tempos em que eram oposição, continua inexistindo. Graças à aliança dos primos tucanos com os primos petistas, que se revelam, todos, cada vez mais farinha do mesmo saco. E os petelhos ainda vêm falar em “herança maldita”...

Em resumo: você é milionário? Parabéns! Não é? Pois vai pagar por isso. Quem atesta é o seu partido, caro trabalhador.

Um comentário:

  1. Eu ouvi a presidenta falar que vai tirar os impostos da cesta básica...tomara que seja verdade

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