quarta-feira, 27 de março de 2013

Telma, eu não sou gay, mas tenho a alma negra e pergunto: quem é mais reacionário, o pastor ou os que o querem calar no grito?

Um dos manifestantes no momento em
que se dirigia para o ato de protesto

Um dos amigos citados no texto anterior sobre o pastor da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara ficou indignado. Com o dedo em riste, disse que eu não entendo nada de nada, que ninguém entende o que escrevo e que não tenho propriedade para falar de assuntos de gays e negros, pois sou branco, heterossexual e reacionário, como o pastor. 

Bem, já me convenci que não consigo agradar nem a gregos, muito menos a troianos. Não busco concordâncias, embora confesse que já tentei consegui-las. No entanto, fracassei. Sou como um vascaíno no Maracanã em dia de Fla-Flu: vai apanhar de todo mundo, com certeza. Sempre apanho. O fato é que entendo que vivemos, praticamente todos, um grande delírio e nele está incluída a pendenga que envolve o pastor, gays, negros e os que não são nem uma coisa nem outra, mas querem comprovar que são cidadãos libertários e atuantes. Não passa de um delírio do tipo circense, repito. Coisas de uma sociedade midiatizada.


Telma, eu não sou gay

Ao amigo troiano e aos outros críticos gregos, deixo claro que não sou gay, nem jamais seria, pois considero uma pobreza de espírito ter uma opção sexual e sair por aí alardeando-a. Isso inclui, é claro, os machos que bebem cerveja e se reúnem com os coleguinhas para tecer comentários sobre as “gatas” que passam, ou, mais ridículo, para contar o que fizeram com “aquela vadia da fulana”. Não aprecio isso, por isso acho esses machos fálicos e os gays, que resumem sua identidade à adesão a uma prática sexual, criaturas pobres de espírito. 

Reitero: refiro-me especificamente aos “gays”, não aos homossexuais ou a todo aquele que adote práticas homossexuais. Não tenho nada a ver com o que você faz com o seu corpo, só não venha se exibir ou contar com detalhes o que faz. E também deixo claro que esses machos de quem falei são tão homossexuais como os homossexuais: não conquistam as “gatas” para o próprio prazer ou o prazer delas; o fazem claramente para seduzir seus pares machos. Não sabem o que é uma mulher, muitos nem sequer sabem que existe algo assim.

Logo, digo que até poderia ser homossexual, ou adotar práticas homossexuais se achasse outro homem atraente, coisa que nunca me ocorreu. Mas, jamais seria gay. Repito: é muita pobreza de espírito e aceitar um controle político ideologicamente sórdido. Odeio os controles políticos, ainda mais quando prometem liberação e prazer, mas promovem apenas coerção e dor, como no caso gay. Não gosto de ser enganado.


Negro é o lugar que ocupo

Mas, se deixo claro que não sou gay e também não sou homossexual praticante, o mesmo não posso dizer de ser negro. Minha pele é clara, mas tenho a alma mais negra do que o breu. Negro, para mim e para Joel Rufino dos Santos, é um lugar social e, assim sendo, hoje sei que ocupo a faixa social que nasceu povoada pelos negros de pele, os escravos e seus descendentes, mas que se transformou num território de identidade de malditos de todas as raças e etnias. 

Atenção: falo dos realmente malditos, não dessas figurinhas alegóricas que tentam ocupar esse espaço, sem saber como é difícil viver efetivamente nele, como todos os bonecos e bonecas contraculturais que já conheci. E mais: falo dos que têm a alma negra, não os de alma branca, inclusive negros de pele, como tantos que vejo por aí com cabeleiras afro e pinta de intelectuais, sempre em defesa do ideário liberal, ainda que neguem isso. 

E olha que passei boa parte da minha vida acreditando ser branco, iludido pela cor da pele refletida no espelho. Como fui tolo. 


Quem é mais reacionário?

Quanto a ser reacionário, não me interessa ocupar lugares predeterminados, muito menos surfar em marolas apinhadas de tolos que adotam ideias predefinidas. Nem sempre o que parece é e, no caso, como já afirmei, me parecem reacionários os manifestantes que querem, no grito, calar o tal pastor. Se têm bons argumentos, deveriam fazer isso no bom e velho debate. Se são bons os argumentos, são capazes de demolir as concepções também claramente pré-fabricadas do senhor Feliciano. Se não são, como parecem não ser, o jogo acaba zero a zero e todo mundo volta para casa de cabeça baixa. 

O fato é que os manifestantes parecem ser efetivamente tão ou mais reacionários que o pastor. E, assim, ninguém sai do lugar. 

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