segunda-feira, 25 de março de 2013

O lá e o cá

O Moitinha e o Lulinha. Quem diria, almas gêmeas

Em 1992, George Bush, o Moita pai, sorria de orelha a orelha. Era imbatível na eleição. Havia acabado com a Guerra Fria, se dizia, e tinha promovido uma guerra vitoriosa no Golfo.

O mais importante: o índice de aprovação era astronomicamente favorável ao Moitão. Estava em surpreendentes e pungentes 90%. Tudo ia bem e o céu estava permanentemente azul e, é claro, o sol brilhava no horizonte do partido.

Veio o pleito e Clinton levou.

Temos, no Brasil de hoje, uma presidente com índice de aprovação também alto, bem alto. Se não acabou com nenhuma guerra, há quem jure que está aproximando pobres e ricos, o que suaviza um conflito sempre presente na sociedade brasileira. Além de outras batalhas vencidas, é claro.
Vai de vento em popa, parece até imbatível, tamanha a confiança nas hostes do governo e nos simpatizantes.

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Rebeldia

Sobre a presidente e Bush pai, não é possível afirmar haver tantas semelhanças, mas também não temos, estruturalmente, diferenças notáveis. São duas realidades, bem distintas, mas com governos que se abraçam no objetivo final, na meta claramente posta: são balcões de negócios, como usualmente são os governos ocidentais.
Para ser mais preciso, é preciso dizer que servem aos mesmos senhores, como usualmente fazem os governos ocidentais. Uma diversidade que os separa é que o Moita pai é um sultão, enquanto a brasileira não está próxima de nada semelhante a isso. Parece mais uma adolescente que foi muito malcriada, muito rebelde, mas está, hoje, mais parecida com a mãe. Algo como uma roqueira que descobriu que o que funciona mesmo é cantar pagode. O hit “Como nossos pais”, do bom e fanhoso Belchior, poderia ser usado como hino do governo dos que jogavam pedras na vidraça, agora a protegem para contar o “vil metal”.

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Como nossos pais

E para você que conhece e tem saudades, ou para você que não conhece, segue link da música, com a letra, que reproduzo, abaixo, caso você não queira matar saudades ou conhecer a canção de Belchior, cantada com brilho pela espetacular Elis Regina. (link: http://letras.mus.br/elis-regina/45670/)

Não quero lhe falar, meu grande amor,
Das coisas que aprendi nos discos...

Quero lhe contar como eu vivi
e tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto
É menor do que a vida de qualquer pessoa...

Por isso cuidado meu bem há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado pra nós
Que somos jovens...

Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz...

Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantada com uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro de nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração...

Já faz tempo eu vi você na rua
Cabelo ao vento gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança é o quadro que dói mais...

Minha dor é perceber
que apesar de termos feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...

Nossos ídolos ainda são os mesmos
E as aparências não enganam não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que eu tô por fora
Ou então que eu tô inventando...

Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem...

Hoje eu sei que quem me deu a ideia
De uma nova consciência e juventude
Tá em casa, guardado por Deus
Contando vil metal...

Minha dor é perceber que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...

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