segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Para que serve um cérebro mofado?



Uma boa leitura para os tempos hodiernos
 Renato Alves é bom em memorização, muito bom. Tem aquilo que algumas pessoas classificam de “memória fotográfica”, olha e memoriza rapidamente. É formado em informática, mas também estudou Ciências Cognitivas e escreveu um livro sobre o tema. Ele afirma que não estamos usando o nosso cérebro, consolidando a velha máxima eternizada pelo filósofo pop Raul Seixas: ele dizia, na música “Ouro de Tolo”, que só usamos 10% de nossa “cabeça animal”.

Renato fala em “sedentarismo mental” e aponta para o grave fato de que não exercitamos o pensamento matemático, pois há sempre uma calculadora por perto. Do mesmo modo, não sabemos ortografia, pois há corretor ortográfico nos softwares de redação, e não sabemos quem é quem ou o que é o que, pois há o Google, ferramenta de pesquisa que dispensa o esforço da memorizar algum fato ou figura histórica. Em outros termos, você enche o Hard Disk (HD) de seu computador e esvazia o seu.

A culpa disso, segundo ele, é da tecnologia, que tomou o lugar de nosso cérebro, depois de ter tornado quase inútil nosso corpo. Lembre-se de que não subimos escadas, pois usamos elevadores ou escadas rolantes. Não temos pernas, temos rodas e só fazemos esforço em academias.

Isso tudo parece epidêmico e crônico, pois também a cultura se torna cada vez mais oferecida aos preguiçosos mentais e, não há muito como negar, feita à imagem e semelhança destes. Isso significa dizer que estamos cada vez mais dependentes de palavras-ganchos, isto é, termos vazios que, no entanto, permitem associações com ideias prontas e fechadas em si. Graças a isso, todos podem ter opinião sobre tudo, ou encenar tê-la, usando algumas dessas palavras. Exemplo: você vê uma batida de automóveis e pensa na violência no trânsito, embora na maioria das vezes se possa pensar mais em um mero acidente, uma fatalidade, do que em ato deliberadamente violento; você sabe de alguma falcatrua de um deputado e resume as causas do fato a termos genéricos, como corrupção e impunidade. Em resumo: não se pensa, juntam-se ideias prontas e, acima de tudo, se segue a onda, se vai na corrente.

Não sei não, mas embora nestes dias todos se digam muito indivíduos, a maioria parece simplesmente parte do rebanho. Para que cérebro, nesses casos? Muuuuuu.

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