segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Emagrecimento, uma obsessão


Leio sobre formas de emagrecer e observo que se trata de uma verdadeira obsessão nestes tempos. O gordo e a gorda, antigamente até mesmo valorizados, são cada vez mais referências péssimas, modelos negativos, motivos de chacota. Ser gordo é, hoje, um anátema, ou, para quem não sabe o que isso significa, uma verdadeira maldição.

O mais doido, sem dúvida, é que conheço pessoas, via de regra mulheres, que não são gordas, mas se olham no espelho e se veem desse modo, com um corpanzil especular desproporcional ao corpo real. Dizem que foi algo assim que levou aquela moça do Carpenters, Karen Carpenter, a morrer de inanição nos anos 80, mais precisamente em 1983. Ela era magra, bastante até, mas parece que bastava olhar no espelho para se ver como uma espécie de baleia terrestre. Houve outros casos, mas recordo que o dessa cantora chocou a todos até mesmo pelo pioneirismo. Não era comum se falar em anorexia, nem em obsessões estéticas emagrecedoras naquele tempo. Ainda se viam gordinhas passear pelas ruas exibindo, algo orgulhosas, suas sobras de carne.

Um querido amigo meu, veja, dizia, sem medo de censura: “só gosto de mulher gorda, pois as magras machucam quando a gente abraça forte, os ossos espetam”. Ele achava as gordinhas confortáveis como almofadas.

Os gordos, junto aos fumantes de cigarros e outros desviantes, são os malditos do mundo pós-moderno. Este gosta de mulheres ossudas, de fumantes de crack e maconha e de gente exótica e bem comportada que faz da contestação um mero exercício diletante.

PS: Ah, se você não sabe, os Carpenters eram Karen e Richard Carpenter, irmãos, que faziam muito sucesso naquele tempo no mundo musical pop. Nas festinhas e clubes cariocas, o hit “Please, Mr. Postman” era tocado com muita frequência e ovacionado nas pistas. Karen tinha apenas 33 anos quando morreu. Seu irmão está vivo até hoje.

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