domingo, 16 de dezembro de 2012

O sol, esse vilão

Lembro, ainda, do tempo em que os dias de sol eram bem-vindos e, principalmente em finais de semana, o sol ganhava até mesmo aplausos quando aparecia, mesmo que após um breve sumiço, graças à passagem de alguma nuvem. Bastava surgir os primeiros raios solares e as pessoas, em família, em pares amorosos ou mesmo solitárias, saíam de casa simplesmente para recebê-los na pele, alegres e esperançosas com a perspectiva de sentir os efeitos salutares da exposição ao sol. Tomar sol trazia boa saúde, era o que se dizia.

É claro que havia restrições a essa exposição, mas nada de sério. Os pais alertavam os filhos de que o melhor horário para o banho solar era lá pelas sete ou oito da manhã, mas não se dizia, como acontece hoje, que ir à praia ao meio-dia seria algo causador de degenerações diversas, câncer ou quaisquer outros males. Dizia-se que não fazia bem, que os raios eram nocivos nesse período do dia e só.

Há uma distância enorme entre alertar que o sol do meio-dia não faz bem, ou mesmo que “faz mal”, e dizer que o sol causa câncer, catarata e doenças degenerativas. No primeiro caso, há algo como uma preocupação materna, a ternura de uma amizade ou até um mero cuidado carinhoso de quem nos quer bem. No segundo, se você prestar atenção, perceberá que há uma ameaça latente e, mais grave, quase a torcida para que você morra torto se tomar sol em um mau horário, ou, ainda, o interesse em que você compre algo.  

Veja que uma matéria recente de uma revista cujo nome não é nada menos que “Saúde”, sentencia quem se expor ao sol sem óculos escuros, com filtro especial contra os raios solares, cairá vítima de catarata ou mesmo uma assustadoramente até então desconhecida degeneração macular. Isso no barato, pois a coisa pode ser bem pior. Ou você compra óculos com esses filtros, bem mais caros que os de camelô ou que a maioria dos simples óculos de sol, ou estará assinando a sua sentença. Logo, se você não tem dinheiro para essas coisas que pareciam supérfluas, cuidado: o bicho vai pegar pro teu lado.

Não bastam os óculos, têm que ter filtro, lembre-se. Quem diz não sou eu, é um especialista que fala à revista com o claro intuito de te induzir a comprar algo, no caso um óculos turbinado com filtro solar. E ameaça: se você usa lentes escuras sem o filtro adequado, está é desprotegendo seus olhinhos. A luminosidade é menor e as pupilas e as pálpebras se abrem: isso aumenta a penetração e o dano causado pelos raios nocivos do sol. Não há saída, apenas ir à ótica e comprar.

As revistas de boa vendagem costumam sugerir a você a ideia de que você precisa gastar, sempre, para ter segurança, conforto, proteção contra o sol ou qualquer outro bem. A ecologia e os profissionais de saúde funcionam comercialmente bem para isso. Se você não anda podendo gastar, vai sucumbir. É o darwinismo, não se assuste. Somente os mais ricos sobreviverão ao sol, pois podem comprar óculos gastando o que você fatura num mês inteiro de trabalho. Se você não pode fazer isso, foda-se, dizem essas matérias. Ou viva todo o seu tempo sonhando com a chegada do dia em que você conseguirá se proteger integralmente contra todos os riscos. E esse dia chegará, mas você estará duro, total e absolutamente duro e frio. E porá a culpa no sol, com certeza.

Aquecimento global, uma ova!, ele diz



Há uma polêmica que envolve conceitos ambientalistas e que não chegam ao grande público. Uma delas envolve a ideia de aquecimento global, aparentemente inquestionável, mas que vem sendo desmistificada pelo professor Ricardo Augusto Felício, que leciona Geografia na USP. Ele não acredita nessa conversa ecológica e denuncia a farsa ambiental como uma forma de fazer com que as pessoas gastem mais dinheiro e, principalmente, de fazer com que esse dinheiro flua para bolsos bem aventurados.

Segundo Felício, noções como a do aquecimento global são da mesma natureza que a existência das armas de destruição em massa no Iraque, que justificaram a invasão estadunidense de 2003, que, todos sabemos, serviu apenas para que alguns empresários fizessem bons negócios no ramo petroleiro. Para o professor da USP, tudo não passa de balela:

“O medo legitima a implementação de qualquer coisa, e ainda serve de desculpa que não deu para fazer algo que deveria ser feito. Teve enchente? Poxa, desculpa, quem mandou você usar o seu carro? Mudou o clima do planeta: se você não usar a sua lâmpada de led você vai ter um desastre de enormes proporções. Agora inventaram até essa história de proibir sacolinha plástica (a distribuição em supermercados) para obrigar as pessoas a gastar mais dinheiro”.

O professor desmistifica uma estratégia de controle subjetivo que pauta não apenas o comportamento das pessoas, mas também seus pensamentos e sentimentos, através do medo e, ainda por cima, justifica uma série de ações de governos e empresas. Segundo Felício, em nome da salvação do planeta, muitas coisas absurdas têm sido feitas e outras não têm sido feitas: afinal, o argumento de que o planeta está em risco justifica qualquer atitude. Mas, nos tranquiliza e lembra:

“O planeta é muito mais sofisticado do que a gente acha. Já existem vários mecanismos na espreita aproveitando a oportunidade. Já ouviu falar das leveduras negras? São bactérias que comem até petróleo. (...) Daqui a pouco vão falar que o aquecimento global começou com as sacolinhas”.

Felício não tem papas na língua e abre fogo contra ecologistas famosos, como Al Gore, que foi vice de Clinton:

“Ele é um sem-vergonha! Ele é dono da bolsa climática CCX (que cuida de créditos de carbono), que está caindo por chão, porque sua história é irreal. O filme e o livro são proibidos de entrar nas escolas do Reino Unido. A alta corte britânica proibiu, você sabia disso? Porque tem pelo menos 10 inverdades ali. Aqui você vai a qualquer escola e tem gente ensinando e falando do filme daquele desgraçado”.

Ele conta que uma mentira clássica explorada por Gore é a de que os efeitos meteorológicos estão ficando severos:

“Poxa, gente de velha guarda dos Estados Unidos que estuda tornados e furacões há décadas mostra que isso não existe. É o processo da desinformação. Colocam um cientista político corrupto por trás, que vai na história que você quer escutar. Eu estudo há anos a Antártida e já estive lá duas vezes. Os anos de 2007 e 2009 foram os mais frios, quebrou-se recorde de 1941. Justamente no ponto em que eles dizem que mais se aquece, que é a península Antártida. O pessoal do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que trabalhava sério com as informações de meteorologia, nos últimos 15 anos mostrou que a temperatura estava baixando. Só que fecharam a estação deles! Quando a informação não convém, fecha-se”.

Abra o olho. Felício pode estar delirando, mas tudo indica que está lúcido e desmantelando o discurso que vem fundamentando o que conhecemos como “Capitalismo Verde”, ou “Máfia Verde”, conforme título de um livro que está quase sendo queimado em praça pública pelos ecologistas. Mas, acima de tudo, calma. O planeta não vai acabar, não precisa de salvação nenhuma. E, depois, quem é você, quem sou eu, quem somos nós para salvar um planeta? Vamos pensar sobre isso e desmascarar quem quer nos fazer de bobos. Agora, cuidado. Muita gente boa acaba repetindo essas falas por pura ignorância. Paciência.