sábado, 24 de novembro de 2012

Adoçantes não têm interesse em enganar consumidor, mas o DPDC garante que enganam



Eis a stevia, praticamente ausente dos adoçantes à base de stevia
 Nesta semana a Folha de São Paulo divulgou que os fabricantes de adoçantes foram multados por propaganda enganosa. Segundo o jornal, a Doce Menor Stevia Mix e Stevip levaram um puxão de orelhas do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça. As multas variam entre R$ 125.000,00 e R$ 200.000,00. O motivo é que essas empresas, segundo o DPDC, enganam seus clientes induzindo-os a crer que o produto seria predominantemente composto por substância de origem natural, derivada da planta stevia rebaudiana, enquanto a verdade é outra e essa substância entra apenas minimamente na composição do produto. Ou seja, o natural está no rótulo, não na composição química. Sendo mais específico: trata-se de procedimento com punição prevista no código penal, lá no artigo 171.

Em um dos casos, a informação era de que o produto seria feito "à base de estévia". Pior: os rótulos não traziam informações sobre a composição do produto (a não ser a mentira citada) nem sobre a presença maciça de adoçantes sintéticos, como o ciclamato de sódio e a sacarina. Segundo o diretor do DPDC, em depoimento à Folha, "A quantidade de stevia nesse produtos é muito pequena e não justifica que tenham esse nome". Isso acontece, é claro, porque um produto natural atrai mais o consumidor do que um artificial. Se você não entendeu ainda, os adoçantes são predominantemente artificiais, mas passam como naturalíssimos. Eu mesmo já ouvi pessoas me aconselhando usar esses produtos dizendo que eram naturais.

De todo modo, também segundo o jornal, a assessoria de imprensa da Stevia Brasil garante, com todas as letras, que "Nunca houve interesse em enganar quem quer que fosse, muito menos nosso consumidor". Parece claro que se nunca houve interesse, o fato é que o consumidor parece ter sido, inegavelmente, enganado todo o tempo. Ao menos, o DPDC entende assim.

A questão é que o consumidor é uma espécie animal facilmente enganável. Uma de suas características é acreditar nos rótulos e nas peças publicitárias, além de demonstrar inequívoca e ingênua fé nos seres humanos, contanto que não morem em bairros pobres e/ou favelas. Se o sujeito tem endereço nobre, é certamente pessoa idônea, pensa o consumidor padrão. Se trabalha em empresa de grande porte, merece respeito; se executivo de empresa multinacional, deve ser saudado com efusivas manifestações de apreço e, não raro, se aconselha ajoelhar à sua passagem. E não tente dizer isso a um consumidor: embora seja fato provado e comprovado, ele se ofende ao ouvir a verdade, pois preza, acima de tudo, as mentiras que regem sua vida medíocre. Pode chegar mesmo a fazer um belo discurso acerca da cidadania e enaltecer sua vigilância pela preservação de seus direitos. Tudo isso pelo Facebook, diga-se de passagem.

Quem dá o direito ao homem de humilhar a mulher? Adivinhe!


Me deparo com texto com o seguinte título: “De onde vem o direito do homem de humilhar a mulher?” Está publicado e disponível em http://br.mulher.yahoo.com/blogs/preliminares/onde-vem-o-direito-homem-humilhar-mulher-191206981.html e é de autoria de Carol Patrocínio, jornalista que mantém um blog chamado “Preliminares”, no Yahoo. Quero dizer que nada tenho contra o blog e nem contra Patrocínio, apenas achei interessante a questão que, como tudo indica, já está respondida desde que formulada e, observando o texto, respondida sobejamente, embora tenha ficado com a impressão de que a autora não a decifrou.

Imediatamente, meditei: “direito” de humilhar alguém, na prática, ninguém tem, embora se compreendermos que a violência contém, aparentemente sempre, uma humilhação, há quem tenha esse direito. É claro que falo do Estado e suas instituições, notadamente a polícia, que o faz constantemente. A essa violência e consequente humilhação, costumamos chamar de “legítima” e o tema foi bem tratado por Max Weber, mas, bem antes, foi formulada, fundamentada e justificada por Thomas Hobbes. A sociedade (incluindo, por suposição, aquele que sofre a agressão/humilhação) é quem legitima a violência estatal e policial. Segundo a lógica hobbesiana, abrimos mão de nossa liberdade e, da mesma forma, de nossa integridade, para que possamos conviver pacificamente em sociedade.

domingo, 18 de novembro de 2012

Thales, o primeiro filósofo e também o primeiro dos sete sábios gregos


Uma representação dos chamados "Sete Sábios da Grécia"
 Thales foi um sujeito nascido em Mileto, colônia grega na chamada Ásia Menor, mais precisamente na atual Turquia, mais precisamente ainda na foz do Rio Meandro. Foi comerciante, engenheiro, físico, astrônomo, filósofo, sábio e sabe-se lá o que mais. Costumeiramente, seu nome é lembrado como o mais antigo pioneiro da história da Filosofia e da Ciência, pois teria abandonado as explicações mitológicas predominantes em seu tempo para propor que se pensasse a realidade e a origem de tudo a partir de elementos físicos, no caso a água, que seria a substância original de tudo o que existe.

Mas, não se resumiu a essa façanha a vida de Thales, embora Aristóteles a considere a mais importante, por inaugurar, segundo ele, o início da abordagem da realidade através disso que chamamos “Razão”, a boa e velha racionalidade, para a qual os tempos pós-modernos torcem o nariz. No entanto, se considerarmos a razão como um eficiente veículo de compreensão do mundo – o que comprovam todos os avanços técnicos e tecnológicos e, por que não citar, o discurso publicitário, que, com base em planejamentos racionalíssimos, cada vez mais domina o real, transmutando-o numa espécie de hiper-real à Baudrillard – a “invenção” de Thales está cada vez mais ativa e presente.

Antitabagistas são como a Gestapo da Saúde



Pega o fumante! Pega!
 Sou fumante. Fumo quando quero e o faço porque gosto, não porque sou obrigado por suores frios ou tremores nas mãos. Gosto do sabor do tabaco e fumo tanto cigarros industrializados como os de palha ou artesanais, que, muitas vezes, eu mesmo preparo. Repito: fumo porque tenho gosto de fazer isso, não me sinto obrigado a fumar, não me sinto compelido obsessivamente a acender um cigarro e sou capaz de ficar dias, semanas ou meses sem fumar, contanto que haja motivo para isso.

Mas, a Organização Mundial de Saúde, a OMS, entende que sou um idiota e que se assim sou é porque fumo. Pior, não apenas acha que sou um idiota, como me trata como um demente e resolve que deve controlar a minha vida e me dizer o que devo e não devo fazer. Para a OMS o cigarro é necessariamente ruim, assim como tomar cicuta. Para essa saudável entidade, certamente formada por pessoas que são totalmente saudáveis, ninguém deveria fumar para ser saudável como os que fazem parte dela. Engraçado.

Engraçado foi descobrir, há umas dezenas de anos, que um dos mais importantes e ilustres dirigentes de saúde brasileiros, que chegou a altos cargos na administração pública, não fumava e era radicalmente, raivosamente, crítico do hábito de fumar, mas cheirava cocaína à larga, sem miséria (soube de fonte fidedigna, próxima a ele). Não o conhecia nem o conheci, mas confesso que senti imensa vontade de lhe perguntar, na época, se o hábito de cheirar cocaína não seria, no mínimo, tão pernóstico e deletério quanto o cigarro, que ele tanto odiava. Quem sabe, me respondesse que um mal não anula o outro, vá saber.

Outro dia li o título de um texto: O cigarro é o mal num mundo perfeito. É isso. Sintetiza bem o que ocorre. Os antitabagistas, uma espécie de Gestapo da Saúde, acreditam que se exterminarem os fumantes conseguirão um grande avanço para um mundo perfeito e sem males nem doenças. São lunáticos, mas estão com poder suficiente para impor suas ideias delirantes a todos.

Prevenir tragédia não dá voto


Leio em jornal curitibano que o planejamento de prevenção a desastres está sendo subestimado no Paraná. Ora, só no Paraná? É claro que prevenir, seja lá o que for, é algo que não costuma ser muito valorizado em nenhum lugar. Por quê? Ora, por um lado, pelo simples e singelo fato de que não dá voto e, pelo outro, porque são recursos que podem ser facilmente desviados. Na prática, tragédias, além de doenças, dão lucro e não incomodam tanto assim o eleitor que não foi soterrado ou afogado.

Você já viu candidato ganhar voto falando de tragédia que não aconteceu? Se não aconteceu, não rende nada, não dá crédito a ninguém. Algo que não acontece não fornece vantagem, ao menos explicitamente. Já, em casos de extremo azar, o político pode ser acusado, no caso de algum desastre ter acontecido, de irresponsável, ou mesmo de ter desviado recursos, e perder votos. Veja que esse é um caso de extremo azar e não é usual apostar no extremo azar, ainda mais sabendo que se este não acontecer, nada de ruim acontecerá em consequência disso. É bem mais cômodo apostar que o azar não terá vez. E as soluções cômodas são as preferidas por nove entre dez seres humanos.

Ainda temos que pensar que é muito fácil e cômodo desviar dinheiro destinado a combater o que não aconteceu e que nem se terá certeza que acontecerá. Você é prefeito e recebe R$ 500 mil para prevenir efeitos de potenciais chuvas de verão na sua cidade. Aí, você pensa: 400? Para que 300, se 200 é muito? Acaba gastando, à custa de maquiagens e máquinas pesadas passeando pelas ruas em cortejo, o menos que pode e, não raro, consegue o mesmo efeito visual. Se alguém reclamar depois da tragédia, é só dizer: “Mas nós fizemos as obras de contenção da encosta! A chuva é que foi mais forte do que o esperado!” Não vá dizer toda a verdade e deixar alguém saber que as tais obras foram mais estéticas do que efetivas ou eficazes. Não vá contar, também, que os recursos que sobraram você investiu no caixa 2 para a campanha, em melhorias no seu gabinete ou na construção de uma casa de praia. Isso é segredo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ministros podem receber acima do teto remuneratório, você não


Veja você: Ministros de Estado brasileiros recebem por ser ministros e, ainda, ganham uns tais jetons por participação nos conselhos de empresas estatais. Matéria no jornal curitibano “Gazeta do Povo” cita Paulo Bernardo (das Comunicações), Celso Amorim (da Defesa), Fernando Pimentel (do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Guido Mantega (da Fazenda) e Miriam Belchior (do Planejamento), como alguns dos privilegiados que recebem dos cofres públicos bem acima do tal “teto remuneratório” que vale para todos os outros mortais, menos para esses (que devem se julgar imortais, tudo indica).

Veja também que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) suspendeu, na semana passada, decisão de juiz federal que limitava as remunerações desses privilegiados ao teto constitucional (o “teto remuneratório” citado acima). Ou seja, os meninos e meninas do governo do PT, os antigos companheiros que, se estivessem fora do governo, classificariam tudo isso de escandaloso, podem receber suas fortunas mensais sem grandes problemas. Somente Mantega e Belchior teriam recebido a bagatela de R$ 36 mil de jetons no mês de maio, só da Petrobras. Cada um, não os dois somados. O que é isso, companheiros?

FHC pediu que esquecêssemos o que ele havia escrito. Os companheiros do PT fazem o mesmo, mas não pedem que esqueçamos apenas o que escreveram, mas também o que falaram, disseram e pensaram (além de como agiram, é claro) durante toda a vida antes de serem governantes.

São dez anos de governo. São dez anos de decepções contínuas e constantes com esse pessoal. De Lula ao ponta-esquerda, se é que tem alguém na esquerda nesse time.

De todo modo, não esqueça o nome dessas figuras e menos ainda das estatais que os têm como conselheiros: Correios, BNDES, Eletrobras, Petrobras e Brasprev.

Segundo matéria do jornal, “Há casos em que não há relação direta entre as funções dos ministros e as áreas de atuação das companhias. Celso Amorim consta na ação como membro do conselho da hidrelétrica de Itaipu”. Pior, a matéria informa que a Advocacia Geral da União (AGU) defende a legalidade do acúmulo de remunerações. Caros advogados gerais da União, legal isso é, assim como outras tantas coisas absurdas que acontecem em governos e fora deles, mas não é justo nem moral. Perdoem-me se estou tão errado assim. Se não estou, é preciso fazer justiça e coibir essa imoralidade, não apoiá-la.