quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Calma, companheiro, o Dirceu segura o BO


Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), promete pegar pesado com José Dirceu, Delúbio Soares e Marcos Valério. A expectativa é grande, pois Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, é acusado de ser o mentor do esquema. Repito: ex-ministro da Casa Civil e mentor do esquema. Homem de confiança do presidente, aliás, mais que de confiança. Parece que o Dirceu vai segurar o BO e livrar a cara do homem. É o que dizem por aí.

Não estou nessa de ficar horrorizado com o tal mensalão. Isso é prática corrente na política e, embora não se possa afirmar que acontece em todo lugar, em todo governo, pois que isso seria generalizar e generalizações são desaconselháveis, a probabilidade de que quase todos os governos, municipais, estaduais e federais já tenham experimentado essa prática é grande. O modelo, acima de tudo, é esse, o do toma-lá-dá-cá, o do “cadê o meu?”.
  Nesse sentido, por vezes acho cômico, para não dizer tragicamente ultrajante, a indignação de algumas pessoas que certamente fariam o mesmo, até mesmo por sobrevivência, já que, ao entrar na vida política, descobrem rapidamente que não estão em um convento. Assim como a malandragem e a polícia, a vida política tem suas regras peculiares e se você não as cumpre será ejetado, muitas vezes com violência.

O complicado aí, nessa fase do julgamento, é que no domingo, dia sete, acontecem as eleições municipais e, é claro, o PT, partido hoje hegemônico no país, concorre em todas as cidades, ou quase todas. Somente na segunda que vem, dia oito, começaremos a avaliar o tamanho do estrago causado pelo julgamento e, da mesma forma, de outras mazelas do partido no poder, como o tratamento dado pelo Ministério do Planejamento aos grevistas do serviço público, no meio do ano. Há quem preveja que nas capitais e maiores cidades o impacto será maior.

Falando em servidores públicos, cabe lembrar que, logo após oferecer a reajuste-mixaria de 15% aos servidores de carreira que fizeram greve, o governo aumentou em 25% os vencimentos dos cargos comissionados, com mais generosidade para os mais altos. E, se você não sabe, não são os comissionados que tocam o trem Brasil para frente, de jeito nenhum. Com essa prática equivocada dos companheiros, o lógico seria que não elegessem nem mais síndicos de prédio. As urnas dirão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário