quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Senadores não pagam IR? Você paga por eles


Mas não é que os senadores não descontaram o imposto de renda na fonte por cinco anos! Nenhum senador pagou! A Receita Federal, famosa por sua voracidade em depenar o cidadão, parece ter aliviado a vida dos coitados dos parlamentares do chamado “alto clero”, conforme se costuma chamá-los “nas internas”. Aliviou, mas, de repente, se arrependeu e está cobrando os atrasados, resta saber se com os altos juros característicos e a multa sangrenta, como costuma fazer conosco, simples mortais. Mas, um senador é um simples mortal? Ah, antes que esqueça: os descontos não foram feitos sobre os 14º e 15º salários. Sobre o resto, os outros treze salários, houve desconto. Mas, só para esclarecer, você tem isso de dois salários a mais por ano? Eu, não tenho. Nunca tive.

A Receita cobra os senadores, mas é o Senado quem paga. Ocorre que a direção da casa afirma que a falha não foi dos senadores, mas do próprio Senado, que não lançou os descontos em folha. Então, você e eu, seu pai, sua tia, seu vizinho e o feirante da esquina é que vamos pagar. Isso se nenhuma dessas pessoas citadas for senador, é claro.


José Sarney, presidente da Casa, disse ter entendido que não deveria haver cobrança de imposto sobre verba indenizatória, caso dos 14º e 15º salários dos privilegiados parlamentares. Sei. Mas, fique tranquilo (ou tranquila). Se não me falha a memória, esses salários extras terminaram há algum tempo. Mais precisamente, desde alguns meses. Isso significa que o teu dinheiro deixou de ir para os senadores, mas falta a parte da Receita, os cinco anos atrasados. Não é pouca coisa, pois a fome do leão é muita. E, fora isso, ainda lembre que você ainda tem que desembolsar os salários dos vereadores, deputados, prefeitos e governadores. Fora todos os comissionados deles. E, não esqueça, há ainda o luxo dos grandes empresários, que você sustenta na medida em que eles te enganam oferecendo serviços de baixa qualidade e baixíssimo custo, pelos quais, porém, costumam cobrar alto.

Calma, essa dívida um dia terá fim; no dia do teu enterro.

Tolerância zero para quem precisa

A notícia motiva uma breve conversa com uma colega de trabalho. Para ela, é preciso pôr em prática a lógica da “tolerância zero”, prender todo mundo. Eu, de minha parte, não acredito na efetividade disso, simplesmente porque os crimes que costumam não merecer tolerância nenhuma geralmente são os pequenos, tipo quebrar vidraça e roubar galinhas. Os grandes passam incólumes e os ladrões ainda são premiados e recebem comendas. Por conta disso, proponho diferente: tolerância zero para criminosos de alto coturno, gente com renda considerável.

Exemplo: tem patrimônio acima de um milhão de reais? Meteu a mão no pote, roubou, desviou recursos, não pagou imposto? Cadeia, com direito a porrada na cara, cela coletiva e dormir do lado do boi. Tem renda acima de cinco milhões? Mijou fora do pinico? Pena de morte. O sujeito com renda assim tem alternativas e, acima de tudo, tem recursos para não precisar roubar ninguém. Se o faz, é porque é canalha nato e hereditário e não merece conviver conosco: dá mau exemplo.

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